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Em Tese o Brasileiro Não Tem Mais Desculpa PDF Imprimir E-mail
Escrito por Charles Benigno*   
Thursday, 02 December 2004

É a nossa auto-estima que melhora, a percepção do direito de sonhar, de realizar, de ascender.

 

Neste retorno vou falar sobre um assunto que já foi muito explorado, mas sob um outro foco, a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais que Uma Posse

A posse de Lula como presidente teve várias representações. Representou a ascensão de um partido, a ruptura popular com uma corrente política, o amadurecimento do eleitorado, das instituições etc.

Entretanto, acredito que a multidão que esteve em Brasília estava feliz não somente pela vitória de seu candidato.

Há uma mensagem por trás da vitória de Lula que transcende sua trajetória individual. Lula representa a possibilidade.

De um nordestino que vendia laranja quando criança a presidente da República, temos a história de um autêntico the self made man*.

Um homem que chegou ao topo sem o ensino formal, sem capital, de origem humilde, que lutou contra suas próprias limitações.

A felicidade dos milhares que estiveram na festa popular da posse era também de quem percebe que tudo é possível.

A alegria de constatar que num país tão cheio de desigualdades, com tão alta concentração de riqueza e poder, ainda assim há uma chance para um indivíduo do povo, de ascender social, econômica e culturalmente. Uma chance que transformou os EUA num país de empreendedores.

Essa possibilidade foi um fator crítico para fazer dos Estados Unidos o país que é hoje. Ao contrário da Inglaterra do final do século XVII, a América não tinha uma hierarquia social, nem reis, nem nobres. Não havia concentração de riqueza porque a elite não estava formada estruturalmente.

A estrutura social foi fruto do trabalho dos que mais se destacaram como industriais, agricultores, comerciantes e políticos.

A riqueza não foi herdada por hereditariedade, nem usurpada através de guerras. É como se alguém tivesse lhes dito: lá está a terra, a riqueza, a prosperidade, ou pelo menos um futuro melhor. Tudo que vocês têm a fazer é serem espertos e trabalharem duro.

O que a América ofereceu aos colonos não foi um paraíso. Pelo contrário, eles tinham que enfrentar duras condições, lutando contra índios, bandidos e a própria natureza.

Mas tudo isso era apenas um detalhe perto da possibilidade concreta de realização de um sonho de liberdade que seu país de origem não permitia.

Assim nasceram a América e seus mais admirados líderes. Líderes que, aos olhos do homem comum, fizeram por merecer. Os americanos admiram este tipo de indivíduo. Por isso não é de estranhar a simpatia que Bush e o povo americano têm demonstrado por Lula.

Para milhões de brasileiros, Lula se tornou mais que um presidente, mas um simbolismo. Simboliza que qualquer um pode progredir, desde que lute com todas as forças.

Significa que estamos num país que oferece essa possibilidade e que foi quebrada a hegemonia política de uma elite míope.

Em tese, o brasileiro não tem mais desculpa

  • Não pode dizer que lhe falta educação (que educação Lula teve?),
  • que lhe falta oportunidade (ele criou oportunidades),
  • que lhe falta dinheiro (quanto dinheiro um torneiro mecânico consegue juntar?).

Agora existe um dedo invisível apontado para cada um de nós, brasileiros, responsabilizando-nos por nossos próprios sucessos e fracassos.

Houve a quebra daquela incômoda e silenciosa sensação que somos um país de derrotados. De que não podemos fazer muito, que nada podemos.

A nossa baixa auto-estima sempre esteve clara nas expressões populares irônicas e autodepreciativas.

A trajetória e a vitória de Lula em sí foi mais importante que qualquer medida econômica, porque mexe com a atitude das pessoas.

Em primeira instância, a esperança tinha vencido o medo - a sensação geral de que nós podemos muito mais do que fazemos, independente das condições que se apresentam.

Abordando este aspecto, conclui-se que é a nossa auto-estima que melhora, a percepção do direito de sonhar, de realizar, de ascender.

Os países democráticos que se viram diante de grandes dificuldades só puderam virar a mesa, basicamente, sob duas condições:

  • uma liderança forte e visionária, e
  • o apoio e ajuda da população e das instituições constituídas.

Foi o caso da Inglaterra, por exemplo durante a Segunda Guerra. Quando Winston Churchill assumiu como primeiro-ministro, a Inglaterra estava dividida e a população estava apática em relação à Alemanha e ao conflito.

Só com a mudança de atitude da população e com o apoio do parlamento que Churchill conseguiu vencer Hitler.

Da mesma forma Franklin Roosevelt só conseguiu implantar as medidas impopulares e dolorosas para tirar os EUA da depressão (conhecidas como New Deal) com o apoio incondicional do congresso.

Espero realmente que Lula venha compreender isso a tempo, e haja de acordo, assim como Franklin Roosevelt durante a Grande Depressão de 1929. Ele compreendeu que pior do que a economia, estava a auto-estima da nação. A sua frase mais famosa dessa época ilustra bem isso: “tudo que temos a temer é nosso próprio medo”.

De Luiz Inácio Lula da Silva: ''Quando olho a minha própria vida de retirante nordestino, de menino que vendia amendoim e laranja no cais de Santos, que se tornou torneiro mecânico e líder sindical, que um dia fundou o Partido dos Trabalhadores e acreditou no que estava fazendo, que agora assume o posto de supremo mandatário da nação, vejo e sei, com toda a clareza e com toda a convicção, que nós podemos muito mais.''


Trecho do discurso de posse de Lula, no Congresso

* the self made man (o homem que se fez sozinho) é como são chamados os homens que conseguiram sucesso e fortuna a partir do nada, muitas vezes sem estudo e diante de muitas dificuldades. A história americana é recheada de homens deste tipo e são famosos e admirados. Muitos deles se transformaram em mitos, como Ford e Andrew Carnegie.

 

Charles Benigno, site: www.charlesbenigno.adm.br, fale com ele, e-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso


unama


Comentarios (4)Add Comment
Faltou o site
escrito por Visitante, 2005-01-24 17:36:24
Gostei muito do artigo, principalmente considerando que fui eu que escrevi.
No me importo se reproduzem, pois dizem o autor, mas gostaria que indicassem o endereo do meu site www.charlesbenigno.adm.br, visto que foi de l㧡 que tiraram o texto.

Grato.

Charles Benigno
retorno ao Charles
escrito por Brazil-Brasil, 2005-01-24 18:32:35
Olá Charles,

Ótimo o seu artigo. Sobre a fonte que nos foi informada,
refere-se a UNAMA UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA, www.nead.unama.br/colunista/ch...o_007.htm,
onde não foi divulgada a sua home page.

Participe conosco, cadastre-se como colunista, e encaminhe artigos que tenham a ver com o Brasil e com os Brasileiros, estaremos à sua disposição.

abraços,
www.brazil-brasil.com

Suzane Louise von Richthofen
escrito por Ricardo Lima Martins, 2007-02-06 15:22:28
Olá quero dizer que sou grato por minha participação neste espaço, vou direto as assunto, meu nome é Ricardo, também conhecido como cadu. Gostei de Suzane acho ela uma jovem de fibra, estou interessado em sua pessoa, em outras palavras quero namorar com ela se ela quiser, quero muito conhecê-la. Será que vocês podem me ajudar? Acho ela linda, não me importo com sua condição atual, me importo com ela. Acho que amor rompe fronteiras, condições, dramas etc. Tõ sozinho a nove anos, tenho 25 anos, sou estudante de Administração de Empresas na UFRRJ ( CEDERJ), moro sozinho. Gostaria de uma resposta de vocês. O mais breve possível.
caso suzane
escrito por kleber finamore, 2007-11-16 02:04:00
sobre o caso Suzane gostaria de dizer oque significa pensar(imaginar,ter idéias:concretas ou nao racionais ou nao simplismente pensar) que foi o ato que Suzane teve ; o oque significa agir(tornar reais pensamentos com atitudes e ou atos concretos : fisicos:morais insanos ou nao) que foi o ato de seu namorado com seu irmao fizeram pois bem entao quem atinge torna se culpado pois ela nao colocou a mao e nem mesmo coagiu os irmaos a matarem seus pais simplismente elas pensou ...se eles fossem sanos,conciente sociaveis éticos e cientes ou mesmo dizendo racionais moralmente eles negariam tal imaginaçao de Suzane e nao fariam tao ato..entao quero dizer que Suzane entre outros pensadores nao tem culpa e sim as pessoas que tornam realidade o pensamento de terceiros temos casos de pensadores que roubam sem armas e até mesmo em nome de Deus e nao sao poucos que fazem o mesmo que Suzane sem coagir usando se de palavras no verbo imperativo que é o pior use,compre, mande ,faça.. e com relação a democracia (povo livre) onde nao tenho a escolha tenho que votar ou pagar multa q é completamente anti democaratico isso nao quer dizer liberdade e sim obrigatoriedade em forma de punição a multa.
pois bem se essa é a democracia mascarada ao militarismo me digam

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