Fala, Brasil! - A República Incompleta
  Página Inicial arrow Colunistas arrow Cristovam Buarque arrow A República Incompleta Thursday, 24 July 2008 
Fala, Brasil !
Página Inicial
Fórum
Artigos
Forum Fala, Brasil!
Colunistas
Notícias
Mapa do Site
Dê um toque
Add to Technorati Favorites
Login (gratuíto)





Esqueceu sua senha?
Ainda não tem uma conta de acesso? Registre-se
Itens Relacionados
Estatísticas
Brazil / Organic personal skin care wholesale
A República Incompleta PDF Imprimir E-mail
Escrito por Cristovam Buarque   
Wednesday, 24 November 2004

A Presidência ainda é formada por excelências que despacham em palácios, um congresso de nobres, orçamentos que não mudam a vida do povo, um sistema educacional que desiguala cada vez mais a população, um sistema tributário que concentra renda.


Em novembro de 1889, o jovem oficial do exército Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso entregou a D. Pedro II a carta que notificava sua destituição e conduziu o imperador ao navio que o levaria para o exílio. Esse ato foi mais simbólico da mudança da monarquia à república do que o grito de “Viva a República” do Marechal Deodoro.

Ainda assim, a mudança limitou-se à partida do Imperador e à posse de um marechal na Presidência. O novo regime não transformou a aristocracia em sociedade republicana, e o Brasil continuou dividido entre uma minoria privilegiada e uma massa relegada. Proclamamos a República, mas não a construímos.

Os presidentes eleitos eram membros da aristocracia republicana, e continuaram governando para ela, e não eleitos do povo e para o povo.

Nossa República foi mais desigual do que era o império, mais desigual do que qualquer monarquia. Famílias reais se parecem mais com seus povos do que nossos governantes e famílias se pareciam com o povo brasileiro.

A eleição do metalúrgico Lula, trabalhador vindo das camadas mais pobres do campesinato nordestino, significou a primeira ruptura na imperial república brasileira.

Cada presidente, mesmo de origem pobre, tinha pago pedágio à elite antes de chegar ao poder, e se tornado parte dela por meio de diploma, fortuna ou serviços prestados aos ricos.

Em janeiro de 2003, o bisneto do oficial que entregou a notificação de expulsão ao imperador passou a faixa presidencial ao metalúrgico Lula. Passaram-se 113 anos entre a caminhada do bisavô, levando o Imperador pelos corredores do Palácio Imperial, e a caminhada do bisneto na rampa do Congresso com a faixa para o presidente metalúrgico.

Foi preciso mais de um século para a elite brasileira aceitar um homem do povo como chefe da nação que se dizia republicana.

Temiam que um presidente vindo do povo não se comportasse como um deles, nem governasse para eles. A posse do presidente pelas mãos do bisneto foi mais importante para a República brasileira do que a expulsão do imperador feita pelo bisavô.

Dois anos depois, a elite aristocrática está aliviada, como aliviados estavam os nobres dois anos depois de proclamada a República. O representante do povo sabe governar até melhor do que os educados doutores e generais de antes. Mas o povo de 2004 descobre preocupado que o império ainda não acabou.

A Presidência ainda é formada por excelências que despacham em palácios, um congresso de nobres, orçamentos que não mudam a vida do povo, um sistema educacional que desiguala cada vez mais a população, um sistema tributário que concentra renda.

E depois de 115 anos de República, ainda não vemos ações para construir a República, abolir a apartação entre elite e povo, distribuir melhor a renda, implantar uma justiça igualitária, reduzir a desigualdade regional, educar com qualidade todo o povo, defender a nação contra ameaças externas, garantir paz nas ruas, proteger os patrimônios naturais e culturais, promover desenvolvimento científico e tecnológico, fazer crescer a economia de forma sustentável.

Com 115 anos de regime republicano, ainda não nos empenhamos na construção de uma sociedade republicana, onde todos sejam cidadãos com direitos e oportunidades iguais. Aceitamos e comemoramos uma república incompleta.

Temos um estadista metalúrgico, mas não temos uma República. Temos um imperador metalúrgico. Felizmente, ainda faltam dois anos para que ele assuma a liderança da construção da República brasileira.


Cristovam Buarque é Ph.D. em Economia. Foi governador do Distrito Federal (1995-98), em 2002 elegeu-se senador pelo PT com a maior votação dada a um político no Distrito Federal. Foi Ministro da Educação (2003-04). É membro do Instituto de Educação da Unesco. Autor do livro "Admirável Mundo Atual". Você pode visitar sua homepage - http://www.cristovam.com.br e escrever-lhe em Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Comentarios (0)Add Comment

Escreva seu Comentario
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
smile
wink
laugh
grin
angry
sad
shocked
cool
tongue
kiss
cry
smaller | bigger

busy
 
< Anterior   Próximo >
FeedBurner


Receba conteúdo grátis

Nosso Feed
Humor Brasileiro
  Kibe Loco
Folha de S. Paulo
powered by joomla open source designed by joomla-templates.com