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A República Incompleta PDF Imprimir E-mail
Escrito por Cristovam Buarque   
Wednesday, 24 November 2004

A Presidência ainda é formada por excelências que despacham em palácios, um congresso de nobres, orçamentos que não mudam a vida do povo, um sistema educacional que desiguala cada vez mais a população, um sistema tributário que concentra renda.


Em novembro de 1889, o jovem oficial do exército Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso entregou a D. Pedro II a carta que notificava sua destituição e conduziu o imperador ao navio que o levaria para o exílio. Esse ato foi mais simbólico da mudança da monarquia à república do que o grito de “Viva a República” do Marechal Deodoro.

Ainda assim, a mudança limitou-se à partida do Imperador e à posse de um marechal na Presidência. O novo regime não transformou a aristocracia em sociedade republicana, e o Brasil continuou dividido entre uma minoria privilegiada e uma massa relegada. Proclamamos a República, mas não a construímos.

Os presidentes eleitos eram membros da aristocracia republicana, e continuaram governando para ela, e não eleitos do povo e para o povo.

Nossa República foi mais desigual do que era o império, mais desigual do que qualquer monarquia. Famílias reais se parecem mais com seus povos do que nossos governantes e famílias se pareciam com o povo brasileiro.

A eleição do metalúrgico Lula, trabalhador vindo das camadas mais pobres do campesinato nordestino, significou a primeira ruptura na imperial república brasileira.

Cada presidente, mesmo de origem pobre, tinha pago pedágio à elite antes de chegar ao poder, e se tornado parte dela por meio de diploma, fortuna ou serviços prestados aos ricos.

Em janeiro de 2003, o bisneto do oficial que entregou a notificação de expulsão ao imperador passou a faixa presidencial ao metalúrgico Lula. Passaram-se 113 anos entre a caminhada do bisavô, levando o Imperador pelos corredores do Palácio Imperial, e a caminhada do bisneto na rampa do Congresso com a faixa para o presidente metalúrgico.

Foi preciso mais de um século para a elite brasileira aceitar um homem do povo como chefe da nação que se dizia republicana.

Temiam que um presidente vindo do povo não se comportasse como um deles, nem governasse para eles. A posse do presidente pelas mãos do bisneto foi mais importante para a República brasileira do que a expulsão do imperador feita pelo bisavô.

Dois anos depois, a elite aristocrática está aliviada, como aliviados estavam os nobres dois anos depois de proclamada a República. O representante do povo sabe governar até melhor do que os educados doutores e generais de antes. Mas o povo de 2004 descobre preocupado que o império ainda não acabou.

A Presidência ainda é formada por excelências que despacham em palácios, um congresso de nobres, orçamentos que não mudam a vida do povo, um sistema educacional que desiguala cada vez mais a população, um sistema tributário que concentra renda.

E depois de 115 anos de República, ainda não vemos ações para construir a República, abolir a apartação entre elite e povo, distribuir melhor a renda, implantar uma justiça igualitária, reduzir a desigualdade regional, educar com qualidade todo o povo, defender a nação contra ameaças externas, garantir paz nas ruas, proteger os patrimônios naturais e culturais, promover desenvolvimento científico e tecnológico, fazer crescer a economia de forma sustentável.

Com 115 anos de regime republicano, ainda não nos empenhamos na construção de uma sociedade republicana, onde todos sejam cidadãos com direitos e oportunidades iguais. Aceitamos e comemoramos uma república incompleta.

Temos um estadista metalúrgico, mas não temos uma República. Temos um imperador metalúrgico. Felizmente, ainda faltam dois anos para que ele assuma a liderança da construção da República brasileira.


Cristovam Buarque é Ph.D. em Economia. Foi governador do Distrito Federal (1995-98), em 2002 elegeu-se senador pelo PT com a maior votação dada a um político no Distrito Federal. Foi Ministro da Educação (2003-04). É membro do Instituto de Educação da Unesco. Autor do livro "Admirável Mundo Atual". Você pode visitar sua homepage - http://www.cristovam.com.br e escrever-lhe em Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Comentarios (5)Add Comment
ARACITABA ESTAR PRECISANDO DE SOCORRO
escrito por GERALDO BELMIRO, 2008-09-05 19:03:45
EXCELENTISSIMO PRESIDENTE DA REPÚBLICA Luiz Inácio Lula Da Silva O MUNICÍPIO DE ARACITABA MINAS GERAIS ESTAR PRECISANDO DE SOCORRO PORQUE O PREFEEITO DE ARACITABA RAFAEL ARCANJO DE TOLEDO ESTAR ACABANDO COM O MUNICÍPIO DE ARACITABA NÓS PEDIMOS PARA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA PARA MANDAR A PESQUISA DO IBOPE PARA VIM FAZER PESQUISA DE PREFEITO AQUI EM ARACITABA MINAS GERIS OS NOMES DOS CANDIDATOS A PREFEITO É TONINHO DO LUIZ , RAFAEL ARCANJO DE TOLEDO, ZÉ JORGE
ARACITABA PRECISA DE MUDANÇAS NA PREFEITURA JÁ
escrito por GERALDO BELMIRO, 2008-09-05 19:10:17
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA NÓS MORADORES ARACITABENSES PRECISAMOS DA AJUDA DO AMIGO PRESIDENTE DA REPÚBLICA PARA MUDAR O PREFEITO DE ARACITABA PORQUE O ATUAL PREFEITO PARA PODER SE REELEGER DA DISTRIBUINDO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO EMPLENO PLEITO ELEITORAL TÁ DISTRIBUINDO CIMENTOS LAJOTAS EM PELANA MADRUGADA PARA VER SE GANHA AS ELEIÇÕES DO MUNICÍPIO DE ARACITABA-MG E ISSO É UMA VERGONHA ELE TÁ CALÇANDO RUAS PARA VER SE CONSEGUE REELEGER A PREFEITO NÓS PRECISANMOS DA POLÍCIA FEDERAL AQUI EM ARACITABA PARA PODER IMPUGNAR A CANDIDATURA DO RAFAEL ARCANJO DE TOLEDO CANDIDATO A REELEIÇÃO ESSA TAL DE REELEIÇÃO TEM QUE ACABAR
ARACITABA-MG ESTAR PRECISANDO DE UM PREFEITO HONESTO
escrito por GERALDO BELMIRO, 2008-09-05 19:13:01
O RAFAEL TEM QUE SAIR DA PREFEITURA O MAIS BREVE POSSIVEL PORQUE SE ELE CONSEGUIR SE REELEGER O MUNICÍPIO DE ARACITABA VAI PARA O FUNDO DO POÇO
...
escrito por Aracitabense envergonhado!, 2008-10-06 03:46:42
"um sistema educacional que desiguala cada vez mais a população"...

E esse, caros leitores, é o candidato a vereador com a segunda maior soma de votos de Aracitaba. smilies/cry.gif
Sobre a eficácia do sistema educacional
escrito por Brasileiro consciente, 2008-10-06 03:57:13
Não é que o povo não saiba votar. É que o sistema educacional pensado e implantado pela aristocracia "republicana" não ensina o povo a PENSAR.

Sobre o sistema brasileiro, o ícone é a menor das preocupações. No sistema de freios e contrapesos, quem tem a última palavra é o legislativo; apesar da política atual de governo por medidas provisórias (praticamente pequenos AI-5 com tempo determinado, salvo quando aprovados pelo legislativo).

E é na câmara e no senado onde os barões estão. De lá, eles exercem seu poder de fato. Acima do presidente, pelas mãos do povo, agindo em interesse próprio. E o brasileiro médio se enche de esperança ao eleger um presidente metalúrigco. Sua atenção é espertamente desviada, enquanto o velho jogo de sempre é jogado na capital federal, nas assembléias estaduais, câmaras municipais... Um presidente metalúrgico não vai mudar o país. Um presidente agricultor tampouco. Nem mesmo um presidente sem-terra. Governando sob as leis da nação, o presidente é limitado pelo parlamento, que, por sua vez, pode aprovar leis à revelia.

O povo brasileiro é messiânico. Acredita no salvador; quando, na verdade, devia ver em si o salvador deste país. Toda grande mudança começa por nós mesmos. Mas isso é exatamente o que não muda. A formação da elite inclui a introdução ao pensamento político; a formação da classe média inclui a preparação técnica para absorção pelo mercado. Robôs, com alguma capacidade de decisão. Os outros 90% da população são formados por Geraldos Belmiros, que, não recebem nem formação política, nem a técnica. Assim, o quadro se mantém. Todos se preocupam em quem votar para o executivo, mas sequer sabem para que serve o legislativo. Algum dos leitores sabe realmente?

Essa é a desigualdade-mor que o sistema educacional traz para a população. Antes mesmo de causar a desigualdade social, causa a desigualdade política. Dessa forma, consegue-se a manutenção de um status quo interessantíssimo para quem reina neste país. Não só o povo não tem condições de conquistar um lugar ao sol no mercado de trabalho, como também não consegue mudar essa situação pela arma mais poderosa que tem: o voto. E, como arma que é, quando mal usado, as conseqüências são nefastas. Que o digam os 115 anos de "república"...

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