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Escrito por Da Redação   
Tuesday, 23 November 2004

Pompéia, puxa-saco. Billac, necrófilo. Na belle époque, valia tudo.


Machado de Assis, “monótono”, “pastel literário”. Raul Pompéia, “bajulador”, “onanista”. Olavo Billac, “necrófilo”, “incestuoso”. João do Rio, “Joaninha do Rossio”. O Almirante Custódio de Mello, o Almirante Negro, com um nome que “começava mal”.

Essas são algumas gentilezas publicadas na imprensa da chamada belle epoque, fins do Século XIX e começo do Século XX, por grandes figuras do jornalismo e das letras, de acordo com pesquisa de Alexei Bueno publicada no último número da revista Rio Artes.

“Meticuloso, lamuriento, burilador de frases banais, bolorento pastel literário, autor de bombinhas da China”. Considerado o maior escritor brasileiro, Machado de Assis foi atacado por alguém credenciado, o crítico literário Sílvio Romero, contemporâneo do escritor e jornalista como ele.

Em seu livro Estudos de Literatura Contemporânea, Romero disse ainda que o autor de Quincas Borba não passava de um “pequeno representante do pensamento retórico e velho no Brasil” e que sua produção simbolizava “nosso romantismo velho, caquético, opilado e sem idéias”.

Com o título de "Como se esculhambava o próximo na belle époque", a reportagem do Rio Artes narra ainda outras escaramuças publicadas nos jornais da época, protagonizadas por Emílio de Menezes, João do Rio, Olavo Bilac, Raul Pompéia e até Rui Barbosa, entre outros.

O autor diz que se inspirou no debate a respeito do CFJ, a discussão sobre “os mais variados métodos de limitar ou amordaçar a imprensa”, para escrever esse “breve passeio pelas polêmicas, rixas, descomposturas pessoais e ataques impressos que foram a tônica da geração de nossos bisavós, justamente conhecida como uma das grandes gerações intelectuais da história brasileira”.

VINGANÇA

Machado tem seu nome associado à imprensa desde 1859, como revisor e colaborador do jornal Correio Mercantil. Em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro.

Além desse, escrevia também para a revista O Espelho (como crítico teatral, inicialmente), A Semana Ilustrada (no qual usava também o pseudônimo de Dr. Semana) e Jornal das Famílias.

Na Gazeta de Notícias, no período de 1881 a 1897, publica aquelas que foram consideradas suas melhores crônicas. No O Globo de então (1874), jornal de Quintino Bocaiúva, começa a publicar em folhetins o romance A mão e a luva.

Escreveu crônicas, contos, poesias e romances para as revistas O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira.

Diz-se que a “análise” dos livros de Machado foi simples vingança de Romero, por ter o romancista apoiado a crítica negativa recebida por seu livro de poesias Cantos do Fim do Século (1878).

Também jornalista, além de crítico, advogado, político e poeta frustrado, o sergipano Sílvio Vasconcelos da Silveira Ramos Romero, ensaísta, folclorista, polemista, professor e historiador da literatura brasileira, também fez seu estágio na imprensa da época, como colaborador, a partir de 1883, de O Repórter, de Tobias Barreto.

“JOANINHA DO ROSSIO”

Uma das maiores vítimas de ataques pela imprensa da belle époque foi João do Rio, o jornalista Paulo Barreto, chamado pelos inimigos de “Joaninha do Rossio”, alusão a certa área da atual Praça Tiradentes freqüentada por homossexuais desde a Regência. Alexei lembra a “saudação” atribuída a Emílio de Menezes quando da entrada de Paulo Barreto para a Academia Brasileira de Letras, em 1910:

“Na previsão dos próximos calores
A Academia, que idolatra o frio
Não podendo comprar ventiladores
Abriu as portas para o João do Rio”.

Lusófilo e dono do jornal A Pátria, Paulo Barreto polemizava freqüentemente com o ex-padre capixaba Antônio Torres, jacobino furibundo, que, ao contrário, odiava os portugueses.

Para ele, Barreto não passava de “uma manta de toucinho com dois olhos”. Nem depois de morto João do Rio escapou do sarcasmo de Torres. “Paulo Barreto” - escreveu ele, no Gil Brás, em extensa crônica sobre o falecido -, “por dinheiro, seria capaz até de praticar uma boa ação”, repetindo o epíteto de Mirabeau contra um desafeto.

Outra polêmica travada através dos jornais que ficou famosa, também enfocada pelo artigo da Rio Artes, foi a que contrapôs o romancista Raul Pompéia e o poeta Olavo Bilac, entre outros, a partir de 1892, envolvendo a figura do presidente Floriano Peixoto.

Florianistas e anti-florianistas brigavam através dos jornais, como o escritor Artur Azevedo que, comentando a Revolta da Armada, comandada pelo almirante Custódio Mesquita, escreveu:

Tem uma flor no princípio
O nome do marechal,
Já o nome do Almirante
Começa muito mal...

Em resposta a uma nota publicada por Raul Pompéia, também jacobino e florianista fanático, publicada no Jornal do Commercio, seu ex-amigo Olavo Bilac chamou-o, em O Combate, de “empregado do governo”, alguém que poderia “ganhar e ingerir seu ordenado completamente, sem rebaixamento de caráter”.

“Respingo de lama pode lá ter troco?”, revidou Pompéia, de sua trincheira no JC, dizendo que desprezar as diatribes do outro “seria sujar o desprezo”.

Alexei Bueno conta que os dois se encontraram para um duelo no barracão do escultor Rodolfo Bernardelli, na Rua da Relação, no local onde hoje está a Secretaria de Segurança Pública.

Os adversários de Pompéia espalharam depois que ele fugiu, enquanto os inimigos de Billac o acusavam pelos jornais de necrofilia, razão pela qual teria sido expulso da Faculdade de Medicina.

 

abi

Comentarios (5)Add Comment
...
escrito por Visitante, 2005-08-17 15:09:39
Naum gostei do site, pois no mostra poesias importantes para ns estudantes.
...
escrito por Visitante, 2006-04-05 13:19:38
concordo totalmente com o outro visitante
Parabéns!
escrito por Fernando Lara, 2007-06-10 03:06:44
Gostei pra cacete. Taí um gosto por curiosidades que me inebria.. continue mantendo o padrão, bicho!
Fantástico!!!
escrito por gilvan capistrano, 2008-05-30 16:48:50
Imaginei a cena do duelo que não houve, muito bom o trabalho de pesquisa. Quanto as crianças que ficaram enburradas de não verem o óbvio, é só continuar perguntando pro google que ora dessas ele responde direitinho o que elas querem saber.

horrível, muito ruim
escrito por raphal , 2009-06-02 23:47:25
não tinha o que eu peocurei e saiba mais nunca mais visirte esse site pois não vai achar o que está procurando.
melhorem muito

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