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Pompéia, puxa-saco. Billac, necrófilo. Na belle époque,
valia tudo.
Machado de Assis, monótono, pastel literário.
Raul Pompéia, bajulador, onanista. Olavo
Billac, necrófilo, incestuoso. João do
Rio, Joaninha do Rossio. O Almirante Custódio de
Mello, o Almirante Negro, com um nome que começava mal.
Essas são algumas gentilezas publicadas na imprensa da
chamada belle epoque, fins do Século XIX e começo do Século
XX, por grandes figuras do jornalismo e das letras, de acordo com
pesquisa de Alexei Bueno publicada no último número da revista
Rio Artes.
Meticuloso, lamuriento, burilador de frases banais,
bolorento pastel literário, autor de bombinhas da China.
Considerado o maior escritor brasileiro, Machado de Assis foi
atacado por alguém credenciado, o crítico literário Sílvio
Romero, contemporâneo do escritor e jornalista como ele.
Em seu livro Estudos de Literatura Contemporânea, Romero
disse ainda que o autor de Quincas Borba não passava de um
pequeno representante do pensamento retórico e velho no
Brasil e que sua produção simbolizava nosso
romantismo velho, caquético, opilado e sem idéias.
Com o título de "Como se esculhambava o próximo na belle
époque", a reportagem do Rio Artes narra ainda outras
escaramuças publicadas nos jornais da época, protagonizadas por
Emílio de Menezes, João do Rio, Olavo Bilac, Raul Pompéia e até
Rui Barbosa, entre outros.
O autor diz que se inspirou no debate a respeito do CFJ, a
discussão sobre os mais variados métodos de limitar ou
amordaçar a imprensa, para escrever esse breve
passeio pelas polêmicas, rixas, descomposturas pessoais e
ataques impressos que foram a tônica da geração de nossos
bisavós, justamente conhecida como uma das grandes gerações
intelectuais da história brasileira.
VINGANÇA
Machado tem seu nome associado à imprensa desde 1859, como
revisor e colaborador do jornal Correio Mercantil. Em 1860, a
convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação
do jornal Diário do Rio de Janeiro.
Além desse, escrevia também para a revista O Espelho (como
crítico teatral, inicialmente), A Semana Ilustrada (no qual
usava também o pseudônimo de Dr. Semana) e Jornal das Famílias.
Na Gazeta de Notícias, no período de 1881 a 1897, publica
aquelas que foram consideradas suas melhores crônicas. No O
Globo de então (1874), jornal de Quintino Bocaiúva, começa a
publicar em folhetins o romance A mão e a luva.
Escreveu crônicas, contos, poesias e romances para as
revistas O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira.
Diz-se que a análise dos livros de Machado foi
simples vingança de Romero, por ter o romancista apoiado a crítica
negativa recebida por seu livro de poesias Cantos do Fim do Século
(1878).
Também jornalista, além de crítico, advogado,
político e poeta frustrado, o sergipano Sílvio Vasconcelos da
Silveira Ramos Romero, ensaísta, folclorista, polemista,
professor e historiador da literatura brasileira, também fez seu
estágio na imprensa da época, como colaborador, a partir de
1883, de O Repórter, de Tobias Barreto.
JOANINHA DO ROSSIO
Uma das maiores vítimas de ataques pela imprensa da belle époque
foi João do Rio, o jornalista Paulo Barreto, chamado pelos
inimigos de Joaninha do Rossio, alusão a certa área
da atual Praça Tiradentes freqüentada por homossexuais desde a
Regência. Alexei lembra a saudação atribuída a Emílio
de Menezes quando da entrada de Paulo Barreto para a Academia
Brasileira de Letras, em 1910:
Na previsão dos próximos calores
A Academia, que idolatra o frio
Não podendo comprar ventiladores
Abriu as portas para o João do Rio.
Lusófilo e dono do jornal A Pátria, Paulo
Barreto polemizava freqüentemente com o ex-padre capixaba Antônio
Torres, jacobino furibundo, que, ao contrário, odiava os
portugueses.
Para ele, Barreto não passava de uma manta
de toucinho com dois olhos. Nem depois de morto João do
Rio escapou do sarcasmo de Torres. Paulo Barreto -
escreveu ele, no Gil Brás, em extensa crônica sobre o falecido
-, por dinheiro, seria capaz até de praticar uma boa ação,
repetindo o epíteto de Mirabeau contra um desafeto.
Outra polêmica travada através dos jornais que ficou famosa,
também enfocada pelo artigo da Rio Artes, foi a que contrapôs o
romancista Raul Pompéia e o poeta Olavo Bilac, entre outros, a
partir de 1892, envolvendo a figura do presidente Floriano
Peixoto.
Florianistas e anti-florianistas brigavam através
dos jornais, como o escritor Artur Azevedo que, comentando a
Revolta da Armada, comandada pelo almirante Custódio Mesquita,
escreveu:
Tem uma flor no princípio
O nome do marechal,
Já o nome do Almirante
Começa muito mal...
Em resposta a uma nota publicada por Raul Pompéia,
também jacobino e florianista fanático, publicada no Jornal do
Commercio, seu ex-amigo Olavo Bilac chamou-o, em O Combate, de
empregado do governo, alguém que poderia ganhar
e ingerir seu ordenado completamente, sem rebaixamento de caráter.
Respingo de lama pode lá ter troco?,
revidou Pompéia, de sua trincheira no JC, dizendo que desprezar
as diatribes do outro seria sujar o desprezo.
Alexei Bueno conta que os dois se encontraram para um duelo no
barracão do escultor Rodolfo Bernardelli, na Rua da Relação,
no local onde hoje está a Secretaria de Segurança Pública.
Os adversários de Pompéia espalharam depois que
ele fugiu, enquanto os inimigos de Billac o acusavam pelos
jornais de necrofilia, razão pela qual teria sido expulso da
Faculdade de Medicina.
abi
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