|
- Fernando Henrique e Lula da Silva, ambos são artífices
da verdadeira grande transição brasileira analisa o repórter
Paulo Markun, a do autoritarismo para a democracia, que não
ocorreu apenas na ocasião da mudança formal do regime.
Um jurou trocar a política pela vida acadêmica após
abandonar os ideais comunistas, mas acabou por fundar o PMDB,
sendo o autor do programa do partido.
O outro, que viria a ser fundador do PT, não queria saber de
política até ser levado pelo irmão a se associar ao Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC paulista.
Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva,
personagens do repórter Paulo Markun, no livro que acaba de sair
pela Editora Objetiva, "O Sapo e o Príncipe", são
muito mais parecidos que essas diferenças aparentes podem levar
a crer.
- Ambos são artífices da verdadeira grande transição
brasileira analisa o repórter, a do autoritarismo para a
democracia, que não ocorreu apenas na ocasião da mudança
formal do regime.
Lula foi cabo eleitoral da candidatura de FHC ao Senado, em
1978, quando a questão não era apenas vencer, mas consolidar a
democracia, proporcionar a criação de novos partidos.
A fundação do PT foi sugestão de FHC, que chegou a freqüentar
as primeiras reuniões, em 1980.
Os dois se encontraram até na campanha pelo parlamentarismo.
Se passasse conta Markun, Lula seria o
presidente e FH, o primeiro-ministro.
Quando se sabe que nenhum dos dois queria se meter em política,
que FH pretendia ser apenas acadêmico, e Lula, torneiro mecânico
por ocasião do golpe, não pretendia passar de líder sindical,
mesmo eleito para a presidência do sindicato dos metalúrgicos
logo no primeiro pleito...
Mas na verdade a única diferença entre os dois está no fato
de um vir da "elite" e o outro realmente do "povo",
que chegou a São Paulo de pau-de-arara.
O autor conta que a colaboração política entre os dois amigos
(até hoje) - iniciada quando FH deu apoio às greves que
paralisaram as montadoras do ABC em 1980 -, só acabou com o começo
do Plano Real, que contrariava pressupostos doutrinários do PT.
Recorda: Mesmo na última eleição para presidente, os
dois estiveram próximos: se o candidato do PPS, Ciro Gomes,
fosse para o segundo turno com José Serra, FH apoiaria Lula.
Paulo Markun, 52 anos, fundador das revistas Imprensa (1986)
e Radar (1994), trabalhou em quase todas as grandes redações
Estadão, Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal da Tarde, além
do jornal Opinião, importante barricada dos jornalistas na
resistência contra a ditadura militar. Hoje dirige o programa
Roda Viva, na TVE.
abi.org
|