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A Bovespa está estudando a criação de um novo segmento para
facilitar o acesso de empresas menores ao mercado de capitais
brasileiro.
Essa é uma iniciativa de ampliação do mercado de capitais e
democratização do instrumento de captação de recursos mais
baratos, com acesso hoje restrito às sociedades de maior porte.
Essa medida só é possível neste momento devido a vários
fatores, entre eles o novo empuxo do mercado de capitais, a maior
presença em nossa bolsa, nos últimos tempos, de investidores
institucionais (fundos de investimento e de pensão), de
estrangeiros, de pessoas físicas e da melhoria do ambiente
regulatório brasileiro.
Trata-se de uma atitude elogiável e de uma oportunidade para um
sem número de sociedades menores, que não tem acesso a esse
mercado e que poderão captar recursos a um custo mais acessível.
É a democratização do mercado de capitais brasileiro e que
poderá alavancar empresas necessitadas de recursos para investir
em modernização, aumento da produção e melhor capacidade de
competição. Esses investimentos vão gerar aumento da oferta de
empregos e alavancar o crescimento da economia.
No entanto, essa modernização vai requerer, também, a
modernização da contabilidade brasileira, que é boa e avançada,
mas que ainda não está totalmente alinhada aos padrões
internacionais, e da prática da auditoria independente, também
carente de melhor normatização, apesar dos avanços dos últimos
anos e dos esforços do Instituto dos Auditores Independentes do
Brasil (Ibracon) e do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).
Há neste momento um esforço mundial em busca da padronização
das práticas contábeis e de auditoria que requer a adoção
plena das Normas Internacionais de Relatórios Contábeis (IFRS,
antigas Normas Internacionais de Contabilidade) e das Normas
Internacionais de Auditoria (ISA).
Esse movimento, que é integrado pelos principais organismos
internacionais, como International Organization for Governmental
Securities Commissions (Iosco), Comitê da Basiléia,
International Financial Stability Forum, Banco Mundial, Conselho
de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb), International
Federation of Accountants (Ifac) e Unctad , visa quebrar as
barreiras que impedem que o capital chegue aos países que mais
necessitam, além da proteção dos investidores de modo a
incentivá-los a aplicar também em diferentes países.
Foram identificados 39 países por onde flui o comércio mundial
e há consenso de que a padronização é urgente. A maior parte
desses países possui projetos de adoção das IFRS até 2007. Até
os Estados Unidos, que sempre resistiram às normas
internacionais, se integraram a essa onda e mantém projeto
conjunto com o Iasb para propiciar a convergência entre seus
padrões (US Gaap) e as IFRS.
O Brasil está entre esses 39 países, mas não tem projeto e
possui entraves que dificultam a adoção plena dessas normas.
Nossos principais concorrentes entre os países emergentes, China
e Rússia, possuem projetos de adoção plena das normas contábeis
e de auditoria, sendo que a China hoje está bastante avançada
em seu processo de modernização de seu ambiente contábil.
A resistência aos avanços precisa ser discutida
Mas as dificuldades não param aí. A profissão contábil
brasileira não está debatendo suficientemente esse assunto e não
está preparada para a mudança.
Os cursos de Ciências Contábeis não discutem e avaliam as
Normas Internacionais de Contabilidade e muitos profissionais e
professores desconhecem o alcance das principais diferenças
entre o conjunto brasileiro de normas contábeis e o conjunto
internacional.
Além disso, de nada vale um conjunto moderno de normas contábeis
se o mesmo não for adotado por todas as empresas que atuam no país.
Contabilidade é controle, informação e prestação de contas.
A existência de mais de um conjunto de regras (normas
internacionais e normas fiscais), retira da contabilidade a
comparabilidade, a credibilidade e a sua capacidade de bem
informar, pois o usuário comum não saberá quais são as
diferenças e qual regra é mais adequada para informar o
desempenho das empresas.
Nesses sentido, é fundamental o envolvimento do Ministério da
Fazenda, para orientar seus agentes (Banco Central, CVM e Receita
Federal) que as normas a serem adotadas no país são aquelas
estabelecidas internacionalmente.
Essa é uma sinalização fundamental se quisermos ter um único
conjunto de normas contábeis.
As IFRS possuem a virtude de serem conhecidas pelos usuários
internacionais, o que de imediato agregará confiabilidade às
informações prestadas pelas empresas, aumentando suas chances
de captação e de exposição mundial.
Além disso, por seguirem um conjunto de regras validado pelos
organismos internacionais, acabarão conseguindo maior
confiabilidade, que por si só propicia acesso aos recursos a
custos mais acessíveis.
Mas outro aspecto importante da iniciativa da Bovespa é a
possibilidade de firmas de auditoria menores, que estão alijadas
desse segmento, possam voltar a nele atuar. Aí também se requer
melhorias na prática profissional, em especial no conjunto das
normas de auditoria, o que nos faz recomendar que adotemos de
imediato as Normas Internacionais de Auditoria, escritas pela
IFAC, na qual o Brasil tem tido destacada participação.
Esse conjunto de normas é o mesmo que a Inglaterra passará a
adotar em 2005 e que a Comunidade Européia estuda adotar em
2006.
Se as companhias brasileiras são auditadas segundo um conjunto
de práticas conhecido dos investidores internacionais, maior
confiabilidade estará se dando a esses investidores, facilitando
sua decisão em investir no Brasil.
Nosso país é carente de poupança interna, que é variável
fundamental do equilíbrio da economia. Por seu lado, o estado
brasileiro que foi o grande investidor até o início dos anos
1980, não mais tem recursos e perdeu sua capacidade de planejar
e gerar investimentos de infra-estrutura.
Nossa dependência do financiamento estrangeiro nos deixa
vulneráveis. O mercado de capitais é uma ferramenta que deve
ser utilizada e as iniciativas da Bovespa e de outros
participantes do mercado de capitais podem ajudar para o
desenvolvimento do país.
A sociedade brasileira precisa discutir esses assuntos com certa
urgência. As resistências decorrem de crenças e certezas, além
de interesses não confessados.
Somente o debate franco poderá esclarecer as dúvidas e
indicar qual caminho a ser percorrido.
contabilizando
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Para informação e alguma pesquisa, acesse os links abaixo:
[u]Portal de Contabilidade Brasileiro[/u]
[u]Normas Internacionais de Contabilidade -NIC[/u]
[u]Grade Curricular - Contabilidade (Universidade em Santos/SP)[/u]
[u]Grade Curricular - Contabilidade (Universidade em Rio de Janeiro/RJ)[/u]
abraços,