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Poderíamos culpar o leitor, que aceita a invasão de
material sem qualidade em suas banca de revistas há anos sem
reclamar. Mas não seria justo culpar a falta de consciência.
Hoje, enquanto admirava os músculos do Toguro (desenho do
lado direito), me peguei com um pensamento que outrora jamais
acreditaria ser possível passar por minha mente:
Porque
nós, brasileiros, e nossa mídia televisiva e impressa
cultuamos tanto os produtos estrangeiros em detrimento a
nossa cultura e criatividade?
- Porque uma editora quer tanto publicar mangá traduzido
que, para tal, aceitam QUALQUER imposição das empresas
japonesas, como publica-los com páginas invertidas?
- Porque vale mais a pena publicar um mangá que custa
10.000 pra editora do que investir em talento nacional?
A princípio, estas ideias me assustaram. Eu gosto de mangá,
não pensem o contrário. Gosto do Japão e sua cultura alienígena.
Mas isso não é motivo para nos entregarmos a eles em um caminhão
de dinheiro. Acreditem, nós podemos fazer muito melhor que as
revistinhas Sakura ou Samurai X.
É como o cinema. Nossas televisões e cinemas foram invadidos
pelas produções americanas, e nós, maravilhados com tanta
tecnologia e tiroteio, nos entregamos, tal como índios que
pensam que se pode por fogo nas águas, ou que vê um espelho
pela primeira vez.
Mas no entanto, temos filmes nacionais que deixam qualquer
produção de Holywood no chinelo. Não estamos falando de
efeitos especiais, reticula, nada disso. Estamos falando de
competência.
Quem critica o cinema nacional, é por duas razões:
1 - Puro preconceito contra sua própria cultura.
2 - Preconceito contra as cenas sensuais. "Ah, filme
brasileiro só tem mulher pelada".
Os filmes nacionais, que mais aparecem cenas eróticas são os
de Nélson Rodrigues, aliás, um dos maiores gênios da
literatura brasileira.
Mas é muito mais fácil investir no produto gringo porque o
retorno é mais garantido. Afinal, já estamos acostumados a
idolatrar tudo o que é americano.
Sacou o lance? Agora pense: porque não há quadrinhos nacionais
de qualidade?
O preconceituoso que não conhece Nelson Rodrigues responde:
porque brasileiro só sabe copiar os americanos e japoneses, e
fazer gibis Combo Rangers e Brasimon.
Ora, quem conhece o povo brasileiro sabe que isso não é
verdade. O povo brasileiro é maravilhoso, possui um talento sem
igual e não sabe disso.
Não sabe porque não temos uma cultura que valorize o nosso
próprio trabalho artistico.
No Japão, há feiras de fanzines, onde os mais vendidos são
imediatamente contratados pelas grandes editoras.
No Brasil, ninguém liga prá fanzine, só os leitores mesmo.
Mostre seu fanzine a um editor e sinta-se um palhaço.
Mas o Brasil é uma das maiores escolas literarias do mundo. São
tantos nomes que seria injustiça citar apenas alguns.
Nosso teatro é fabuloso, você já foi a algum teatro? e
nossas novelas são exportadas para o mundo inteiro.
Se fazemos novelas que são famosas no mundo inteiro, um
cinema de boa qualidade, porque não poderíamos fazer quadrinhos
igualmente famosos?
Porque os bons escritores ou estão nas novelas e teatro ou
trabalhando em algum emprego porcaria, recebendo um salário
minimo. E de quem é a culpa? De quem? Sua? Do Povo? Do Lula?
Poderíamos culpar o leitor, que aceita a invasão de material
sem qualidade em suas banca de revistas, há anos sem reclamar.
Mas não seria justo culpar a falta de consciência.
O leitor brasileiro é um duro, cheio de problemas, sem grana
pro lanche, tem que sustentar a família e só quer um pouco de
diversão.
E os editores jogam-lhe entulho. O que nos leva a uma conclusão.
São eles, os editores, os grandes culpados.
Não
adianta colocar nas bancas de revistas, os caras como Cassaro e
Yabu. Estamos falando de material de BOA qualidade. Holy Avengers
é algo sem rumo, que não sabe ao que veio, nem onde vai. Combo
Rangers (gibi ao lado) nem merece mais comentários.
Agora aguentar a mal-sucedida tentativa nacional. com os gibis
Brasimon e Dragonwars, chupinhação do que já estava saturado.
As bancas de jornais e revistas, precisam de algo novo. Renovação
é a palavra que pode salvar os quadrinhos no Brasil.
Mas é preciso dar oportunidade a quem realmente tem talento.
Profissionais, e não crianças fãs de manganime, live action e
RPG que usam suas revistas para realizarem seus sonhos de infância.
Outro fator importante é o preço. Foi lançado um novo
titulo nacional com desenhos estilo Ikegami. Um trabalho
aparentemente interessante. Mas e o preço. O formato, 40 páginas.
Quem vai trocar o seu gibizinho Dragon Ball ou Sakura, que custa
mais barato e tem mais páginas?
Querem a solução para os quadrinhos nacionais? Não basta
apenas incentivar o lixo que está nas bancas, como dizem uns e
outros. É preciso EXIGIR qualidade e seriedade de nossas
editoras.
Como consumidores, temos esse direito. No Japão, o outro lado
da moeda, existe um formulário nos mangás onde os leitores
podem preencher e dizer quais os melhores e piores artistas de
cada edição.
Os menos
cotados vão pro banco de reserva. Os mais elogiados se tornam
celebridades e seu mangá vira anime. É um processo doentio,
comercial ao extremo, que prejudica tanto o artista como os próprios
leitores, pois não há renovação e inovação.
Mas existe meio termo entre o radicalismo japonês e a
escassez brasileira. Qual? Ora, pra que servem editores?
Imaginem o que poderia ser feito com o dinheiro gasto com a
produção do quadrinho Dragon Ball (desenho ao lado), se fosse
investido aqui, no Brasil!
E antes que eu seja rotulado como inimigo nacional do mangá,
como outros que pensam como eu, vou logo dizendo: prefiro ser
inimigo do mangá, do que ser inimigo do artista brasileiro.
planeta.terra
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A epopéia dos HOMENS DE COURO é tornar a narrativa mais interessante de acordo com a linguagem da Nona Arte. O ano é 1898. No sopé da Serra Vermelha, sertão pernambucano, vem à luz no dia 4 de junho o menino Virgulino Ferreira da Silva, cujo nome foi tirado de uma revista de astrologia. Vinte e dois anos depois, ele daria início à saga do mais famoso e lendário fora da lei da história brasileira: o cangaceiro LAMPIÃO. Wilson Vieira conta a história dos primeiros dias de vida de LAMPIÃO e sua iniciação no cangaço em uma aventura repleta de ação e emoção. E quando chegar à última página da história, vai perceber um estilo tipicamente literário.