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O Ensino Superior Brasileiro: Como está ? PDF Imprimir E-mail
Escrito por José Carlos S. de Mesquita*   
Friday, 19 November 2004

Traçar considerações sobre o ensino superior brasileiro, não é tarefa fácil, principalmente quando dele se tem experiência apenas como discente, aprendiz.

É nessa condição que observamos que esse ensino tem se apresentado um tanto desgastado e que as estratégias utilizadas para resgatar sua credibilidade e auto-confiabilidade pouco tem apresentado resultados convincentes.

As circunstancias econômicas, sociais e até mesmo culturais no Brasil, forçadas pela conjuntura mundial dos novos paradigmas emergentes, em conjunto com as políticas implementadas para a reformulação do ensino superior, tem forçado o encaminhamento de medidas que afunilam o ensino superior brasileiro à condição de uma mercadoria cujo valor se deflaciona e carrega junto os ideais de muitos que nele ainda acredita.

Busca-se expressar com essa forma desiludida e pessimista do panorama atual do ensino superior brasileiro, que no mundo globalizado de hoje, as transformações que acontecem de forma cada vez mais rápida e acelerada.

Todas as dimensões, política, econômica, social e científica, provocam repercussões em todas as organizações, e de maneira especial na universidade, que apesar da condição privilegiada que possui, de detentora e formadora de uma "elite" intelectual, não tem conseguido prover soluções para a sua auto-realização e confiabilidade.

Essa instituição, pelo seu caráter milenar e pelas suas funções de produção e disseminação do conhecimento, deveria analisar todo esse complexo de transformações, procurando adaptar-se e, ao mesmo tempo, através da formação de profissionais, da realização de pesquisas e de sua interação com a sociedade, intervir nos vários aspectos desse processo, criticando-o; o que de fato tem acontecido, avaliando-o e sugerindo caminhos alternativos.

Contudo, o que se tem visto é a falta de compromisso por parte dos dirigentes com essa problemática.

Eunice Durham, dona do título de professora emérita da Universidade de São Paulo, ao traçar um diagnóstico da situação das universidades brasileiras, enfatiza que o problema não é simplesmente de conjuntura interna, mas engloba variantes de vários países.

São problemas comuns e que se apresentam "... como se os diferentes países estivessem orquestrando 'variações sobre um mesmo tema' ".

Focaliza ainda que não adianta incrementar as instituições de nível superior se o objetivo é continuar com a mesmice. O incremento só funciona se haver mudança, se o novo aparecer enquanto "novo", enquanto proposta de superação do tradicional.

A autora argumenta ainda que apesar da situação atual oscilar conforme os variantes externos, a raiz do problema "... resulta da opção política que foi feita ainda na década de 50, durante a prolongada discussão da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional".

Tal política assegurava investimentos federais para a criação e manutenção de grandes universidades públicas visando aliar ensino e pesquisa.

No entanto, essa política criou distorções que se apresentam hoje, também, como fator determinante da deflação do valor do ensino público superior.

Durham, focaliza que dentre essas distorções, destaca-se "a associação entre ensino e pesquisa que tendeu a se manter antes como bandeira ideológica do que como realização concreta da maioria dos setores universitários públicos..."

Aliado as causas apontadas acima, cabe ainda ressaltar as transformações no ensino superior sofridas em face a reestruturação de 68 com Lei 5.540 que é responsável pela atual estrutura e se apresenta como incapaz de vislumbrar caminhos para a superação de tais problemas.

Questões como a desarticulação entre o ensino da graduação e o ensino da pós-graduação; a divisão entre ciclo básico e ciclo profissional causando seqüelas na formação profissional; a exagerada departamentalização dos vários setores dentre outros, todos resultados da reformulação da 5.540 e que se apresentam como fatores que contribuem para a atual conjuntura do ensino superior brasileiro.

A conseqüência primeira desse processo é o esvaziamento ou ainda sucateamento das IPES (Instituições Públicas de Ensino Superior), e que tem se manifestado dentre outras formas através dos problemas de ordem interna nessas instituições, principalmente no que concerne a falta de políticas voltada ao estímulo à docência e apoio nas iniciativas que consolidam o tripé:

  • ensino,
  • pesquisa, e
  • extensão, traduzidos através de uma remuneração digna de uma elite intelectual.

Ao explanar sobre a situação atual das Universidades, Laymert G. S. em artigo para a folha de São Paulo, comenta que:

"... o desmantelamento das universidades públicas parece inoxorável [ e que ] ... a destruição delas deixará um enorme vazio que não será ocupado pelas particulares, pela simples razão de que estas nem merecem seriamente o nome de universidade..."

E ai o autor faz uma exceção às PUCs , mas que está espremida entre a função pública e o contrato de trabalho privado.

Como resultado desse panorama em que se apresenta o ensino superior brasileiro, está a conseqüente estagnação da produção científica num contexto geral, uma vez que no Brasil apenas 13% dos docentes tem doutorado e 22% tem mestrado.

Outro quadro que acentua essa problemática é o longo tempo médio de formação de um doutor ou de um mestre (Leite, D. & Morosini, M.,1992).

Apesar dos números acima apresentarem-se de forma generalizado no que concerne aos vários tipos de instituições de nível superior, não resta dúvida que no Brasil, as IFES são as que mais geram conhecimento fundamentados na investigação cientifica e como tais, elas sobrevivem.

Feito o questionamento sobre como está o ensino superior brasileiro e traçadas algumas considerações, resta uma outra questão: O que fazer para reverter esse quadro?

Toda essa conjuntura dado a preocupação que gera, pode nos remeter, se não tivermos conhecimento de causa dessa problemática, a respaldar a argumentação da proposta Neoliberal quando encaminha políticas em diversos segmentos voltadas às privatizações.

Nesse sentido, na tentativa de responder o questionamento acima, cabe inserir nas análises a preocupação de compreender a quem interessa essa desestruturação do ensino superior brasileiro, a qual sistema, grupos, ou política isso é interessante e porque medidas plausíveis e convincentes não são tomadas para resgatar sua credibilidade.

* José Carlos S. de Mesquita, é Pedagogo/Especialista em Adm. e Planej. para Docentes


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DEMO, Pedro, 1994. Crise dos paradigmas da educação superior. Educação Brasileira. Brasília, 16 (32): 15-48,

DURHAM, Eunice

D' AMBRÓSIO, Ubiratran, 1999. Educação para uma sociedade em transição. Campinas, SP: Papirus

FOLHA de SÃO PAULO. Caderno mais 04/06/2000

LEITE, D. & MOROSINI,M., Universidade no Brasil: A idéia e a prática. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. 73 (174):242-254. Brasília, maio/agosto. 1992

MOROSONI, Marília, 2000. Revista Professor do Ensino Superior: identidade, Docência e Formação, Brasília: DF.

 

pedagogia.pro

Comentarios (8)Add Comment
gilson lazaro
escrito por Visitante, 2005-01-12 19:59:01
sou estudante angolano estou a fazer uma pesquisa sobre este assunto, e preciso mais dados por favor ajudam-me. o meu E-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso
Hagla
escrito por Visitante, 2005-02-15 06:59:29
Sou estudante, curso o segundo ano. Algo que me chamou muita atenção foi esta perguntinha básica!.
Como mudar o quadro?. Na verdade a questão é, quem se importa com esta vergonhosa desestruturação do ensino!. Eu me importo mais infelizmente eu sózinha não posso reverter esta vergonha.

Obrigada!!!
Haglaê
alex
escrito por Visitante, 2005-06-14 05:00:05
queria saber como eestar oensino brasileiro
Silvana Bueno de Andrade
escrito por Visitante, 2006-03-02 04:16:42
Estou concluindo Pós-Gaduação em Docência Universitária, e estou desenvolvendo pequisas sobre "Avaliação do Ensino Superior no Brasil". Ficarei grata se puderes enviar-me mais comentários, sobre o assunto supracitado.Gostei deste comentário, o qual forneceu dados bibliográficos, para que eu possa estarbuscando.Obrigada! Parabens...
E-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso /; silvana__cat71hotmail@.com
...
escrito por Alexandre Laceda, 2006-11-14 17:42:23
Ue tambem estou finalizando o curso Pós-Gaduação em Docência Universitária, e estou desenvolvendo pequisas sobre A Formação de professores universotário, e estou com uma certa dificuldade em encontra materia sobre este assunto, se puder me ajudar.
Grato
Alexandre Lacerda
docencia no ensino suoerior sob a luz de novos paradigmas educacionais
escrito por maristela lima, 2007-01-19 17:45:37
Estou fazendo o curso de Pós-Graduação em Docência Uuniversitária e gostaria que voces me ajudassem na minha pesquisa sobre a formação de professores universitários á luz de novos pa´rdigmas educacionais .Obrigada...
Gostaria de ter muitos documentos em releção ao assunto
escrito por Natalia Pantoja, 2007-03-03 13:14:59
Tenho projetos de elaborar o meu TCC, sobre esse assunto que me cativou, por isso peço ajuda com documenetos para que eu possa fazer um bom trabalho.
Espero respostas!
...
escrito por Camilla, 2007-11-24 00:02:08
Sou estudante do 3º ano do ensino médio, e eu gostaria que vocês me ajudassem na minha redação, tem que argumentar sobre a Educação do Ensino Superior e o seu processo de democratização.
Obrigada!!!
Aguardo respostas dentro de 24h

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