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As Grandes Pragas da Economia Nacional PDF Imprimir E-mail
Escrito por Josino Moraes*   
Thursday, 18 November 2004

A grande pergunta é por que o Brasil não tem atualmente a menor possibilidade de crescimento econômico e, o que é mais grave ainda, a impossibilidade de incorporar ao processo produtivo um vasto setor da populaçao, a saber, os que poderiam ser denominados de excluídos, ou deserdados.

Gerou-se aqui um processo econômico macabro mais grave que o escravocrata, pois naquele o escravo tinha uma função na produção.

Hoje, uma grande parte da população é gerada em favelas, invasões, etc, onde se procria para os assaltos, assassinatos, seqüestros, etc, em uma palavra, para esse novo tipo de guerra.

Esse novo processo econômico desenvolve, dessa forma, um novo tipo de piratas que atacam os herdados, i. e., os que participam do processo produtivo.

Ao mesmo tempo, uma parte significante da população emigra em busca de trabalho e envia ao país enormes dividendos que minoram a dor desse processo e prolonga a existência dos parasitas no poder.

Quais os grandes condicionantes desse processo ? Pode-se vislumbrar hoje cinco grandes causas, pragas:

1. Os impostos. Partindo de um nível de 14% do PIB em 1950 a carga tributária atingiu um nível de 37% em 2002 e, aparentemente, continua crescendo – aguardam-se dados oficiais.

O "paradoxal" é que se pode colher testemunhos vivos de pessoas que vivenciaram esse período histórico e afirmam que houve, concomitantemente, uma considerável degradação dos serviços públicos.

A sonegação defensiva, visando a mera sobrevivência, também tem aumentado; esta impede uma deterioração mais rápida do quadro econômico e social.

O horror que a idéia da Alca produz nas sanguessugas nacionais tem aqui um forte fator explicativo: a maioria dos paises similares ao Brasil – Mexico, Argentina, Chile, etc – tem uma carga tributária em torno de 20%, ou seja, a metade da brasileira. A Índia, 10%.

O Japão, 2ª economia do mundo, também está na faixa dos 20% e com uma produtividade da ordem de 4 vezes a brasileira, segundo recente estudo da OIT. Uma idéia importante nesse tópico é por que o Brasil exporta cada vez mais soja em grão e menos farelo e óleo? A primeira hipótese é a incidência dos impostos no beneficiamento da soja em grão.

E, com isso, os chineses se deliciam erguendo fábricas para o esmagamento de soja e criando empregos.


2. Os juros. Eles são habitualmente os mais altos do mundo. A causa nº 1 é a enorme dívida pública acumulada nas últimas décadas, dada a voracidade insaciável da nomenklatura - privilegiados que vivem de impostos.

O primeiro registro da dívida pública brasileira indicava um nível de 5% do PIB em 1947, hoje ela gira em torno dos 60%. O custo de rolagem da dívida pública brasileira é da ordem de 10% do PIB. Somente três países - Jamaica, Turquia e Líbano, dentre 96 países pesquisados pela Standard & Poor’s em 2003, tiveram um custo superior.

Além disso, o volume de crédito para o setor privado é mínimo. Aqui, reside outro aspecto importantíssimo da nossa baixa competitividade internacional.

Os bancos são o grande negócio no país. Enquanto a renda per capita caiu 1.5% em 2003, eles tiveram lucros estratosféricos.

Dos cinco brasileiros mais ricos em 2003, segundo a revista Forbes, todos são banqueiros. Aparentemente, trata-se de caso único no mundo.

Eles não são os culpados mas, sem dúvida, se aproveitam do estado de putrefação econômica gerado pelo avanço da nomenklatura.

3. A Justiça do Trabalho. Esta instituição, de origem fascista, destrói o capital social, questão central na geração de riquezas.

Ela destrói a confiança entre as pessoas, principal pilar do capital social. Ela gera ainda um custo monetário adicional via processos extorsionários; outro grave elemento do "custo Brasil" que agrava ainda mais nossa baixa competitividade.


4. A Petrobrás. Ela pode ser associada a Petros, o 2º maior fundo de pensão do país e que teve, junto com outros fundos, lucros astronômicos em 2003.

A própria Petrobrás teve em 2003 o maior lucro de sua história, enquanto o consumo de combustível caiu 6% e a renda per capita aproximadamente 1,5%.

Ai de nós... não fosse a agricultura e pecuária, sobretudo a voltada para a exportação, para suportar essa sobrecarga

Por que a Petrobrás é uma praga tão importante? Porque a cadeia produtiva brasileira é extremamente dependente do petróleo, sobretudo do óleo diesel; e o custo dos combustíveis no Brasil é astronômico.

Até nossas ferrovias são tocadas a geradores diesel. Para permitir uma primeira aproximação da assertiva logo acima façamos um rápido exercício comparativo. A renda per capita americana é da ordem de 12 vezes a brasileira.

O grosso do petróleo americano é importado, enquanto que o petróleo importado brasileiro gira hoje na casa dos 10%.

No entanto, a gasolina custa aqui o dobro da americana, ou seja, a gasolina custa aqui relativamente 24 vezes mais que a americana; e isso, sem tomar em consideração a péssima octanagem local, inaceitável para os padrões americanos.

5. A burocracia. E, um sistema jurídico que lembra um verdadeiro manicômio. Os que entendem do ramo sabem quão difícil é abrir uma empresa e quão impossível fechá-la!

O trabalho de Hélio Beltrão, com o objetivo da desburocratização, ainda que praticamente tenha se mostrado estéril, merece nosso respeito.

* Josino Moraes, é formado em engenharia pela Universidade Mackenzie e em economia pela Universidade de Estocolmo. É autor do livro A Indústria da Justiça do Trabalho – A Cultura da Extorsão.

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Campinas,2004

 

sobresites

Comentarios (3)Add Comment
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escrito por Visitante, 2005-05-28 07:10:42
gostaria de ter um pouco do breve historial dos impostos no brasil.
comparando a nossa gasolina com a americ
escrito por Visitante, 2005-05-29 11:37:57
lá pela década de 60, tudo bem quae o padrão da nossa gasolina era muito inferior a da americana, em tordo de 10 unidades de octanas a menos, isso porque lá estava na época de carros de motores super potentes, de alta compressão, mas hoje, não é mais tão diferente a gasolina, apesar de sempre vermos a mídia nos mostrar isso... também não adiantaria nada termos gasolinas de alta octagem se são pouquissimos os carros que precisam de gasolinas de padrãm tão alto.. já que o que determina a potência do carro não é a gasolina e sim a razão de compressão do motor do carro, que exigeria gasolina de alta octanagem!!
mesmo assim, o padão não é diferente da americana, e a gasolina brasileira é hoje comparada com as dos outros países do mercosul, e o nosso padrão é compativel ou maior que dos outros no mercosul, a grande diferença é que aqui temos por força da lei, que misturar em média 25% de álcool anidro.

Bianca...
lento
escrito por Visitante, 2005-07-11 20:53:37
muito obrigado! obtive muitas imformaoes, principalmente para meu trabalho.

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