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O Brasil
é um celeiro de empreendedores anônimos, que lutam contra tudo
e contra todas, especialmente contra o governo e a casta
governante, que sugam o melhor do seu trabalho. Ainda assim,
conseguem sobreviver, produzir riquezas e gerar empregos.
Nada mais mal-afamado do que os empreendedores, aquelas
figuras mitológicas que fazem a economia empresarial acontecer.
Opõem-se-lhes os burocratas governamentais, os revolucionários
profissionais e todos aqueles que fizeram carreira políticas
falando mal do capitalismo. isto é, quase todos os nossos políticos.
Há um anelo criador na sua ação no mundo.
Ninguém é empreendedor por acaso: nasce líder, inconformado
com a própria situação pessoal e social, tem faro para as
oportunidades, tem senso de realismo e tem ética. Sim, senhor,
tem ética!
Não é possível construir uma história de sucesso
empresarial se o empreendedor não for capaz de honrar contratos
e de se manter dentro da legalidade.
A imagem de que os grandes fundadores de empresas são
marcados pelo mal caráter é um mito esquerdista espalhados nos
meios de comunicação e nas obras de arte.
Filmes como A Firma criam uma caricatura de homem
de empresa que não corresponde aos fatos.
O leit motiv do empreendedor não é meramente ganhar
dinheiro, mas ser o ponta de lança vencedor de todo um processo.
É o prazer de fazer bem feito, de moldar o mundo à imagem e
semelhança de seu público consumidor.
O empreendedor é como um médico cirurgião, que se move pelos
propósitos mais nobres para salvar a vida de doentes.
No entanto, para que um transplante de coração seja
realizado, por exemplo, um mal menor tem que acontecer, que é o
próprio ato cirúrgico, que tem uma elevada chance estatística
de acabar em óbito. E, para isso, o médico cobra, recebe
dinheiro, nada havendo de mal nisso.
O ato de criar o novo tem como pressuposto a destruição do
velho. Aqueles apegados ao antigo temem e detestam os
empreendedores, que lhes ameaçam a rotina modorrenta.
Muitas vezes um empresário se vê na mesma contingência, de
destruir o velho para deixar nascer o novo, de demitir pessoas
para poder empregar outras, de enfrentar o senso comum para fazer
valer o seu relance de gênio, de sucatear produtos e processos
para reinventar o mundo ao gosto do consumidor.
Dessa forma, gera empregos e renda, ou seja, as riquezas do
mundo.
O conjunto de características de um genuíno empreendedor
compreende:
- a capacidade de liderança,
- o desprendimento,
- a capacidade de trabalho intenso,
- a atração pelo risco calculado,
- a capacidade de enxergar as tendências sociais,
antecipando o gosto dos consumidores,
- o impulso para as novidades,
- a devoção pelas inovações tecnológicas,
- a capacidade de persuadir investidores e governos,
- a capacidade de organizar equipes de diferentes talentos,
desde aquelas dedicadas à produção até aquelas
engajadas nos esforços de venda e marketing, passando
pela equipe dedicada ao esforço de pesquisa e
desenvolvimento de produtos e processos.
- É um generalista.
A sua intuição põe em movimento a máquina produtiva do
mundo, liderando o processo coletivo de trabalho.
O empreendedor pode ser visto também como uma síntese entre
um oficial militar de alta patente e um animador de auditório.
Do militar, tem a disciplina e a obstinação, a clareza dos
objetivos a serem alcançados e a capacidade de planejamento. Do
animador de auditório, o dom de encantar as pessoas com a sua
conversa e as suas visões de futuro.
O empreendedor nasce ou é feito?
- É preciso reconhecer que algumas características inatas
são condição necessária, mas a condição
determinante é a vontade do indivíduo. Sem uma vontade
férrea o talento inato pode ser desperdiçado.
- É preciso treinamento, não necessariamente formal, pelo
qual as habilidades naturais podem aflorar. Há que haver
persistência e obstinação.
- É preciso acreditar em si mesmo e nas suas próprias
intuições. É preciso reunir pessoas sob a sua liderança,
o que é tarefa das mais difíceis.
- É preciso construir uma reputação e para isso o
componente ético é imprescindível. Sem reputação não
há crédito, não há financiamento e os melhores
talentos não serão atraído para a aventura
empreendedora.
Um exemplo internacional de empreendedorismo é "Bill
Gates", o homem da Microsoft. No Brasil, a pessoa que mais
admiro pela capacidade empresarial é "Abílio Diniz",
especialmente por ter salvado o Pão de Açúcar da derrocada em
um mercado altamente competitivo e de margens baixíssimas.
Só um grande líder, de muita coragem, para conseguir se
manter no topo de um mercado tão ingrato quanto fascinante, que
é o setor varejista.
Na verdade, o Brasil é um celeiro de empreendedores anônimos,
que lutam contra tudo e contra todas, especialmente contra o
governo e a casta governante, que sugam o melhor do seu trabalho.
Ainda assim, conseguem sobreviver, produzir riquezas e gerar
empregos.
Um pouco de liberalismo econômico aplicado ao nosso país
tornaria facilmente o Brasil uma das economias mais prósperas do
mundo.
Nivaldo Cordeiro, é administrador pela FGV e
Presidente do Instituto Federalista e-mail:
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