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Ele é ótimo. Na segunda-feira passada, ao participar da campanha “O melhor do Brasil é o brasileiro”, disse que o país não cultua heróis – apenas ídolos esportivos – e que os jovens precisam de referências. Sua intenção é promover a auto-estima dos brasileiros.
Parênteses: Enquanto o presidente Lula expressa suas frases, Janer Cristaldo mostra porque o melhor do Brasil não é exatamente o brasileiro, numa referência à campanha publicitária "O melhor do Brasil é o brasileiro".
Para início da campanha, foram criados gratuitamente quatro comerciais de televisão, anúncios para jornais e revistas e spots para as rádios, que mostrarão exemplos de brasileiros conhecidos e anônimos que venceram obstáculos e alcançaram o sucesso ... como o jogador de futebol Ronaldinho.
Ao mesmo em que afirma que o país não cultua heróis a não ser ídolos esportivos, ele afirma que o Brasil é um país sem heróis, com exceção de Pelé, Ayrton Senna e outros esportistas. Se antes esperava dois ou três dias para se contradizer, hoje – em um performance extraordinária – ele se contradiz no espaço de dois ou três segundos.
"A gente não tem a figura que todo país do mundo tem – continuou – porque em algum momento se achou que era possível esse país viver sem referência. Eu acho que nós temos obrigação de contribuir para a construção de um outro momento na vida do nosso país".
Dito isto, ele foi ver o filme Olga, de Jayme Monjardim, no Palácio Alvorada. Disse então que a história dos militantes comunistas Olga Benario e Luiz Carlos Prestes é importante num momento em que seu governo investe na auto-estima dos brasileiros e em educação política.
Se o melhor do Brasil é o brasileiro, quem é esta senhora cuja biografia é importante em um momento em que o governo investe na auto-estima dos brasileiros? Se alguém ainda não sabe, é uma judia alemã comunista que chegou à condição de oficial do Exército Vermelho, e veio ao Brasil a mando de Moscou para proteger Luís Carlos Prestes, este outro grande herói brasileiro, que lutou a vida toda para reduzir o país a uma ditadura nos melhores moldes soviéticos.
Camila Morgado, a atriz que fez o papel de Olga, disse que os políticos presentes se emocionaram bastante. "Estavam assistindo a um filme que também mostra duas pessoas que construíram nossa história".
Afirmei outro dia que o Brasil fabrica santos com mais velocidade que o João Paulo II. O Vaticano só canoniza alguém se ficar comprovado que o fulano fez ao menos dois milagres.
Neste nosso Brasil da auto-estima não precisa milagre algum. Morrer já serve. Bastou dobrar a esquina do século para que dois celerados que lutaram para destruir o país se transfigurassem em duas pessoas que construíram nossa história.
Na mesma semana, uma outra viúva deu uma contribuição ímpar à auto-estima do povo brasileiro. Desta vez a honra coube ao ministro Aldo Rebelo, do PC do B, que citou Mao Tse Tung, em mensagem aos funcionários de seu ministério:
"Mantenha a modéstia e a prudência, evite a arrogância, mantenha a árdua luta".
Foi evitando a arrogância e mantendo a modéstia, a prudência e a árdua luta que este extraordinário humanista conseguiu realizar o maior massacre do século passado: 65 milhões de chineses.
Stalin, o mestre espiritual desse grande brasileiro que nos estimula a auto-estima, Luís Carlos Prestes, menos modesto e menos prudente, matou apenas 20 milhões.
Os comunistas ou companheiros de caminhada que hoje detém o poder no Brasil sempre me lembram um dos mais belos filmes de Kubrick, Dr. Strangelove.
Cientista alemão reciclado pelos americanos para a construção da bomba atômica, mesmo em uma cadeira de rodas, não perde os reflexos nazistas.
Volta e meia tem de usar a mão esquerda para controlar o braço direito, que insiste em erguer-se em saudação ao Führer. Não passa mês neste infortunado país sem que Lula e seus ministros ergam um braço hipotético em saudação a tiranias do século passado.
Ora, dirá algum leitor menos arguto, se vivemos em um regime democrático pouco importa que nossos dirigentes, por um lapso qualquer, evoquem heróis de suas juventudes. O problema não é esse.
Ocorre que tais heróis, por mais desmoralizados que estejam, constituem ainda a base da imensa mentira que embasa o PT e demais partidos de esquerda.
Mao, Stalin, Castro, Prestes, Olga, Marighela, Lamarca e tantos outros são os santos tutelares que garantem as obscenas aposentadorias que hoje garantem o conforto e a tranqüilidade espiritual de seus sequazes.
A santidade e o heroísmo destes magnos crápulas precisa a todo tempo ser lembrada, caso contrário a nação pode esquecer que seus seguidores são heróis e não vulgares terroristas.
As milionárias aposentadorias de um José Dirceu ou Carlos Heitor Cony só se sustentam enquanto a mentira vige. No dia em que a nação tiver consciência de que os ídolos cultivados pelas esquerdas nunca passaram de grandes assassinos, as prebendas dos milhares de comunistas que tentaram um dia destruir o país seriam vistas como um prêmio à ignomínia.
É bom então, de quando em vez, evocar as divindades que garantem o scotch nosso de cada dia.
O imortal Carlos Heitor Cony, por exemplo, passou a ganhar a bagatela de 19 mil reais mensais pelos desserviços prestados ao país. É quantia para estimular a auto-estima não só de imortais, mas de qualquer mísero mortal.
Os pedidos de indenização dos militantes, por terem sido impedidos de levar o país à tirania e à miséria, já são 43 mil.
Estima-se que essas indenizações possam chegar a quatro bilhões de reais. Mais ainda: os contemplados pela generosidade estatal estão isentos do imposto de renda. Imposto de renda é para quem trabalha e sustenta estes marajás.
Como de algum lugar há de sair esta recompensa aos criminosos, o governo avançou célere no bolso dos aposentados.
Começou tungando 30 % do salário dos pensionistas. Insaciável, quer mais 11% de contribuição dos inativos. E prevê ainda, para os próximos meses, mais um aumentozinho no IR, até a faixa de 35%. Os heróis que esta espécie de pátria venera não podem privar-se de um mínimo de auto-estima.
Quinze reais a mais no salário mínimo? De jeito nenhum. Assim, a Previdência quebra.
Em país algum do mundo, nem mesmo na finada URSS, ser comunista foi tão lucrativo. A bem da verdade, este investimento na auto-estima da nomenklatura tupiniquim foi inaugurado por Fernando Henrique Cardoso.
Curiosamente, ao falar em herança maldita, o governo Lula jamais inclui neste conceito esse formidável encargo, que esvazia o bolso de inativos indefesos para mimar os celerados a mando de Moscou, Pequim e Havana.
O melhor do Brasil não é exatamente o brasileiro. O melhor do Brasil é ser comunista no Brasil.
Cristaldo é jornalista, escritor e tradutor. Vive em São Paulo. E-mail:
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Agora pergunto: Quem é Janer Cristaldo? Pobrezito! Respeite os homens de valor que sempre lutaram pela defesa da nossa Pátria!