Fala, Brasil! - Elza Soares: Embaixatriz do Samba
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Elza Soares: Embaixatriz do Samba PDF Imprimir E-mail
Escrito por Da Redação   
Thursday, 18 November 2004

Aos 65 anos de idade, 44 de carreira, ela é uma artista atual e inquieta que figura entre as maiores cantoras contemporâneas em atividade no País.

Engana-se quem pensa que Elza Gomes Soares é apenas uma sambista ou um capítulo a ser resgatado na história da música popular brasileira.

Elza “blues”, sofrida e calejada, é também uma guerreira alegre, bem-humorada, especialista em dar a volta por cima e transformar sentimentos, dores e paixões em música de alta qualidade, capaz de levar o ouvinte das gargalhadas às lágrimas com a mesma facilidade que vai dos graves aos agudos com sua voz rascante e inconfundível.

“Para Elza, cantar é um parto em cada sílaba”, define José Miguel Wisnik, compositor e ensaísta.

Não é para menos: o currículo que ela traz consigo faria muito roqueiro parecer uma freira. Filha de lavadeira, teve uma infância miserável, passou fome, casou-se e foi mãe aos 13 anos, sofreu violência doméstica, teve oito filhos (sem contar os adotados) - perdeu quatro deles e conheceu o céu e o inferno em um casamento com o jogador Garrincha, com quem se exilou em Roma no início da década de 70 *.

Lançou quase 30 discos de carreira, foi chamada de “minha filha” por Louis Armstrong e, no ano 2000, foi eleita “cantora do milênio” pela BBC de Londres.

Não é à toa que o diretor Milton Alencar gravou um filme biográfico sobre Elza, tendo a atriz Thaís Araújo no papel principal e a cineasta Kátia Lund (co-diretora de Cidade de Deus) que produziu um documentário sobre a vida da diva.

Discografia

  • Link O Meu Guri (Chico Buarque), com Elza Soares

Em mais de quatro décadas, Elza Soares lançou 28 discos - número que não inclui compactos, coletâneas e participações em gravações de outros músicos. A estréia fonográfica ocorreu em 1959, com Se Acaso Você Chegasse, disco cujo carro-chefe é a famosa composição do gaúcho Lupicínio Rodrigues.

A discografia, combinando pedras brutas e lapidadas (quase todas preciosas) da música popular brasileira, permanece como um tesouro ainda por ser redescoberto. São LPs cada vez mais raros, fora de catálogo e muito valorizados no exterior, dos quais apenas cinco lançados em CD.

No ano passado, dois deles foram resgatados para o formato digital, graças ao projeto Odeon 100 Anos, supervisionado pelo baterista e produtor Charles Gavin (Titãs). Os essenciais Elza Soares - Baterista: Wilson das Neves (1968) e Elza Pede Passagem (1972) ressurgiram em edições com capa e encarte originais, faixas remasterizadas e tiragem limitada (2 mil unidades, em média).

O Do Cóccix Até O Pescoço (Maianga/Net Records, 2002), Produzido por Alê Siqueira, com direção artística de José Miguel Wisnik e projeto gráfico de Gringo Cardia, foi aclamado por críticos de São Paulo e Rio como um dos melhores lançamentos fonográficos de 2002.

Elza definiu o disco como “um sonho alto que se realizou” para ela. “Na fase de produção, o CD tinha o título provisório de Foda-se”, revela a cantora. “Se dependesse de mim, esse seria o nome definitivo, repleto de duplos sentidos, mas acabamos descartando a idéia por questões de mercado.”

(*) Biografia - Elza Soares nasceu em 23 de Junho de 1937 no Rio de Janeiro. Filha de uma lavadeira e de um operário, foi criada na favela de Água Santa, subúrbio de Engenho de Dentro.

Cantava, desde criança, com a voz rouca e o ritmo sincopado dos sambistas de morro. Aos 12 anos, já era mãe e aos 18, viúva.

Foi lavadeira e operária numa fabrica de sabão e, com 20 anos aproximadamente, fez seu primeiro teste como cantora, na academia do professor Joaquim Negli, sendo contratada para cantar na Orquestra de Bailes Garan e a seguir no Teatro João Caetano.

Em 1958, foi a Argentina com Mercedes Batista, para uma temporada de oito meses, cantando na peça Jou-jou frou-frou.

Quando voltou, fez um teste para a Rádio Mauá, passando a se apresentar de graça no programa de Hélio Ricardo. Por intermédio de Moreira da Silva, que a ouviu nesse programa, foi para a Rádio Tupi e depois começou a trabalhar como crooner da boate carioca Texas, no bairro de Copacabana, onde conheceu Silvia Teles e Aluísio de Oliveira, que a convidou para gravar.

No seu primeiro disco, gravado em 1960, pela Odeon, cantou Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins), alcançando logo grande sucesso. Esse samba fez parte de seu primeiro LP, com o mesmo titulo da música.

A seguir, foi para São Paulo SP, para trabalhar no show Primeiro festival nacional de bossa nova, no Teatro Record e na boate Oásis, gravando depois seu segundo LP, A bossa negra.

Em 1962, como artista representante do Brasil na Copa do Mundo, que se realizava em Santiago, Chile, cantou ao lado do representante norte-americano, Louis Armstrong.

Nessa época ficou conhecendo o futebolista Garrincha, com quem casaria mais tarde. No ano seguinte, gravou pela Odeon o LP Sambossa, tendo como destaque as músicas Rosa morena (Dorival Caymmi) e Só danço samba (Tom Jobim e Vinícius de Moraes); e, em 1964, lançou pela Odeon Na roda do samba (Orlandivo e Helton Meneses), faixa-título do LP.

Realizando inúmeras apresentações pelo Brasil e nas emissoras de televisão, os LPs se sucederam: em 1965, foi a vez de Um show de beleza, pela Odeon, com, entre outras, Sambou, sambou (João Melo e João Donato), e Mulata assanhada (Ataulfo Alves); em 1966, saiu pela mesma gravadora o LP Com a bola branca, onde cantou Estatuto de gafieira (Billy Blanco) e Deixa a nega gingar (Luís Cláudio).

Apresentou-se, em 1967, no Teatro Santa Rosa, no show Elza de todos os sambas, e, novamente pela Odeon, gravou em 1969, o LP Elza, Carnaval & Samba, cantando sambas-enredo, como Bahia de todos os deuses (João Nicolau Carneiro Firmo, o Bala, e Manuel Rosa) e Heróis da liberdade (Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manuel Ferreira).

Em 1970 foi para a Itália, apresentando-se no Teatro Sistina, em Roma, e gravando Que maravilha (Jorge Ben e Toquinho) e Mascara negra (Zé Kéti).

Nesse mesmo ano, gravou o LP Sambas e mais sambas, pela Odeon, interpretando músicas como Maior é Deus (Fernando Martins e Felisberto Martins) e Tributo a Martin Luther King (Wilson Simonal e Ronaldo Bôscoli). De volta ao Brasil, em 1972, lançou, pela mesma etiqueta, o LP Elza pede passagem, onde interpretou Saltei de banda (Zé Rodrix e Luís Carlos Sá) e Maria-vai-com-as-outras (Toquinho e Vinícius de Morais), e apresentou-se no teatro carioca Opinião, no show Elza em dia de graça.

Ainda nesse ano, passou uma temporada realizando um show no navio italiano Eugênio C, fez um espetáculo de duas semanas na boate carioca Number One, cantou no Brasil Export Show, realizado na cervejaria Canecão, do Rio de Janeiro, e recebeu o diploma de Embaixatriz do Samba, do conselho de música popular do Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro.

Em 1973, gravou o LP Elza Soares, pela Odeon, cantando Aquarela brasileira (Silas de Oliveira) e Pranto de poeta (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito); e apresentou-se no show Viva Elza, que estreou no T.B.C., na capital paulista, e que depois foi levado em vários Estados.

Nos dois anos seguintes, lançou pela Tapecar mais dois LPs, Elza Soares, com Bom-dia, Portela (Davi Correia e Bebeto de São João) e Chamego da crioula (Zé Di); e Nos braços do samba, com faixa-título de Neoci Dias e Dida. Gravou ainda Pilão+Raça=Elza (1977), Somos todos iguais (1986) e Voltei (1988).

A partir de 1986, com a morte de Garrinchinha, seu filho com o jogador de futebol Garrincha (1933 – 1983), passou nove anos na Europa e nos EUA.

De volta ao Brasil, gravou em 1997 o CD Trajetória, só de sambas, com músicas de Zeca Pagodinho, Guinga e Aldir Blanc, Chico Buarque, Noca da Portela, Nei Lopes e outros.

Nesse mesmo ano, saiu o livro Cantando para não enlouquecer, biografia escrita por José Louzeiro (Editora Globo).

mbpnet

Comentarios (2)Add Comment
...
escrito por Jonathan, 2007-02-03 02:44:55
Recentemente estive no show dela em Brasília, moro nessa cidade. No escuro, cortina fechada, nenhum sinal nem de Elza nem de deus, e então se ouve a grande/pequena/forte/ delicadamente estrondosa voz de Elza Soares. A música? Meu Guri. Choro, arrepio? Toda a platéia consternada e hipnotizada por ela. Exagero? A epifania é um exagero, de certo, porque eis que surge ela, logo em seguida, coberta da mais excessiva e contagiante energia! A Elza consegue a mistura harmônica de duas forças de infinitas grandezas: a explosão e a implosão.
Ela é tempestade, é mar revolto, é calmaria...

Elza consegue aquilo que como artista procuro e não acho em muitos outros: delicadeza na força!

Axé Elza!
elza soares
escrito por lavigne brookyster, 2008-01-03 16:41:21
eu tinha l3 anos guando ouvia nao peça bis pelo telefone/Rádio Mayring Veiga rio a musica Boato e me apaixonei por ela desde então sou sua fa e compro todos os cds de elza pq ela é estupenda. Tenho tambem o último gravado ao vico vila mariana-sp.

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