Fala, Brasil! - Nelson Motta em Entrevista
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Nelson Motta em Entrevista PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rodrigo Brancatell   
Wednesday, 17 November 2004

- Nelson Motta, você atravessou a Bossa Nova, a Jovem Guarda, o Tropicalismo, a Disco, o BRock sempre como ator principal. Escreveu ‘Noites Tropicais’, que vendeu quase 100 mil cópias. Esteve nos braços Elis Regina, Marisa Monte e Marília Pêra, para ficarmos em apenas três de suas mulheres. O que falta Nelson Motta fazer que ainda não tenha feito?

Nelson Motta – Quem sabe um filme. Escrever um roteiro, isso eu não fiz ainda. Na verdade, o meu livro “O Canto da Sereia” está sendo adaptado para o cinema pela Conspiração Filmes. Acho que vou trabalhar neste roteiro, vai ser uma experiência diferente.

Eu até tenho uma pequena experiência neste ramo, porque escrevi os quatro primeiros episódios do seriado “Armação Ilimitada”. Foi maravilhoso, e depois disso nunca mais escrevi nada.

– Já tem diretor e elenco para ‘O Canto da Sereia’?

N.M.
– Já, é a Mini Kerti, uma diretora de comerciais. O produtor é o Andrucha [Waddington], da Conspiração Filmes. Mas não tem atores definidos ainda. Eu gostaria que o detetive Augustão fosse interpretado pelo Roberto Bomfim ou o Otávio Miller.

– Então o cinema é a sua nova paixão...

N.M.
– Mais ou menos... Acabei de escrever mais um livro, um romance policial, chamado “Bandidos e Mocinhos”. Deve sair lá para setembro. É sobre crime, mistério, passado num ambiente teatral no Rio de Janeiro. Tem muitos momentos na favela, no meio do tráfico carioca.

É bem interessante, conta a história de uma delegada de polícia sensacional. E tenho outro livro saindo agora no meio do ano sobre o time do Fluminense, para a coleção Camisa 13.

– O sr. está guardando histórias para mais um livro de memórias, no estilo de “Noites Tropicais”?

N.M.
– Tenho umas idéias. A primeira é uma coleção de mais ou menos cinqüenta crônicas sobre música, que andei escrevendo para jornais e revistas ao longo da minha carreira. Elas estavam muito dispersas, estou pensando em fazer uma edição bonita com as que eu tenho mais carinho.

Outra vontade que tenho é a biografia do Tim Maia, que todo mundo me pede. Infelizmente esse assunto é espinhoso, juridicamente. Os herdeiros do Tim estão brigando muito, e não tem quem autorize a publicação. Mas vontade não falta.

– O que está lendo no momento?

N.M.
– Olha, eu acabei de ler uma obra chamada “Carne Crua”, da paulistana Ana Ferreira. Adorei, achei ótimo. Um livro moderno, ágil, sexy. E li também algumas obras do Marçal Aquino, adorei também. Muito bom, é o meu novo ídolo. Você já leu?

– Ainda não...

N.M.
– Vai atrás, é sensacional. O Marçal escreve tão bem que eu perdi momentaneamente a vontade de escrever. É o grande talento surgido na última década na literatura brasileira. Só fico aborrecido de não ter lido outros livros bons, pois o programa de rádio está me dando uma trabalheira enorme.

– O sr. estreou no começo do mês na rádio Eldorado, de São Paulo, com o programa “Sintonia Fina”. Como é a volta ao rádio?

N.M.
– Ah, estou adorando. É uma coisa diferente, meu foco principal são os artistas novos. Novos em folha, inéditos. É uma oportunidade de dar oportunidades para muita gente boa. E o público está louco por isso, sente falta dessa janela.

O que faço no programa é instruir o público, dar referências, dizer porque aquele artista é bom, porque a música dele é boa.

Quando você toca a música, todo mundo entende. Vejo o meu trabalho como um serviço de utilidade pública... (risos) E apesar da minha idade, tenho uma cabeça muito aberta – toco música nacional e gringa, rap, funk, soul, bossa nova, samba.

– Em depoimento há alguns anos, o sr. disse que o rádio andava muito careta. A opinião continua?

N.M.
– De uma maneira geral, sim. As rádios têm uma programação de massa, muito parecidas e sem nenhuma graça. E tem aquelas rádios segmentadas para o povão, só com pagode e outros gêneros que me atraem muito. Esse formato pré-determinado para fazer sucesso estraga a rádio.

– As emissoras de rádio ficam mais presas neste mesmo formato porque estão presas à troca de favores, os chamados jabás?

N.M.
– É uma parte do problema. As rádios não conseguem fugir disso. Existem emissoras que vivem exclusivamente do jabá, algumas até extinguiram seus departamentos comerciais. Mas isso envolve tantas coisas, não gosto nem de tocar no assunto...

- Como é possível então ir na contramão disso, não tocando “música de trabalho”, por exemplo?

N.M.
– Não vou querer dizer como alguém tem que fazer, mas o formato didático do meu programa é o diferencial. Já ouvi artistas que lancei no meu programa, como Limusine Negra, Funk You, Cibelle, Luciana Alves, Rica Amabis e Thalma de Freitas tocando em outras rádios. E assim começa.

Não tem jabá, não tem faixa de trabalho, não tem conversa de gravadora. Meu compromisso é apenas com os meus critérios pessoais.

– Qual foi a fase mais gratificante de sua carreira?

N.M.
– Foram fases tão diferentes... Tive sorte de poder envelhecer vendo coisas tão diferentes. Quando era adolescente, pirava ouvindo os compactos do João Gilberto.

Depois, aos 40 anos, era aquela história de noites cariocas, Morro da Urca, clubbers. Agora que estou na casa dos 60, minha atividade principal é escrever em casa, mais tranqüilo. Cada coisa teve a sua época.

Mas se é para escolher um momento especial, acho que foi o iniciozinho da Bossa Nova, quando era um garoto querendo ser músico ao lado de Chico Buarque, Edu Lobo, Dori Caymmi, os irmãos Valle [Marcos e Paulo Sérgio]. Foi uma época maravilhosa, eu estava acordando para a vida.

– Sua carreira é marcada por suas mudanças de papel na história da música brasileira. Em algum momento estas mudanças lhe causaram conflito?

N.M.
– Sempre. Estive dos dois lados do balcão, fui pedra e fui vidraça. Mesmo sendo jornalista, ouvi e vi muitas coisas que não pude publicar. Mas em cada uma das funções que desempenhei, aprendi muito e isso me ajudou a trabalhar e compreender melhor outras. Acho que administrei bem essa situação, tanto que nunca briguei com nenhum artista.

– Qual Nelson Motta é o melhor? O letrista, o escritor ou o produtor?

N.M.
– Não sei... Não sou eu que posso avaliar isso. Tive sucessos e fracassos em toda a minha vida. Como letrista, por exemplo, criei coisas boas como “O Cantador” [com Dori Caymmi] e “Como uma onda” [ao lado de Lulu Santos], mas também fiz muitas besteiras.

A versão que fiz para uma música do “Fantasma da Ópera” é constrangedora. Como escritor, os meus primeiros livros são discutíveis. Durante minha carreira como produtor, muitos espetáculos que poderiam ser sucessos foram feitos na hora errada.

– Como o quê?

N.M
. – Logo que o Raul Seixas estourou com seu primeiro disco, nos anos 70, tive a idéia de fazer um compacto só de clássicos do rock’n’roll. Elvis Presley, que ele adorava, Jovem Guarda, Celly Campello... Gravamos o disco, ficou legal, mas a gravadora não teve coragem de colocar o nome do Raul na capa.

O disco foi lançado então sob o nome de “Rock Machine” como intérprete. Uma palhaçada. É mole? Só no ano passado foi relançado com o nome “Raul Seixas – 28 Anos de Rock”, um álbum seminal do rock brasileiro.

– Mas o sr. tem alguma frustração na carreira? O que você gostaria de ter feito, se pudesse ter controle total?

N.M.
– Olha, minha carreira nasceu de uma grande frustração... (risos). Eu queria ser músico, instrumentista. Tinha até um grupo lá pelos 19 anos. Mas naquele momento, eu rapidamente percebi que os meus amigos Chico Buarque, Caetano Veloso, Gil eram muito melhores do que eu. Não dava para competir.

Tive essa frustração, mas olhando para trás dá para ver que foi o caminha certo a ser tomado. Se tivesse insistido na carreira de músico, hoje seria um artista medíocre tocando num barzinho sem-vergonha. Virei letrista, comecei então a brincar com a poesia, produzir, fazer programas de rádio. Tive esperteza e humildade para perceber que não tinha “bala na agulha” para aquilo.

Aliás, é um conselho que eu dou para todas as pessoas – não tenha medo de reconhecer os seus defeitos.

– E se arrepende de alguma coisa?

N.M.
– Não me arrependo do que eu fiz, mas do que deixei de fazer. Queria ter tido o prazer de lançar os dois volumes do “Racional”, do Tim Maia [mítico disco-duplo gravado nos anos 70 para a seita Universo em Desencanto, que virou objeto de culto no Brasil e na Inglaterra. As poucas cópias que ainda existem no mercado não saem por menos de R$ 350.] Outro álbum inédito dele é o “Nuvens”, que tenho uma cópia em casa. Quem sabe um dia...

– Se fosse para escolher, qual seria sua maior musa? Marisa Monte ou Elis Regina?

N.M.
– Ah, Elis... Elis era única, foi a maior diva do Brasil. A Marisa Monte não existiria sem a Elis. Até musicalmente, acho que a Marisa está entre Gal Costa e a Elis, um meio-termo onde também pode ser colocada a Cássia Eller. Mas a Elis é muito maior.

– O fato de o sr. estar 100% envolvido com a música atrapalhou o relacionamento pessoal com Elis Regina?

N.M.
– É uma faca de dois gumes, né! Quando funciona é uma maravilha. Mas quando tem alguma coisinha errada, é um horror.

comunidadenews

Comentarios (17)Add Comment
e-mail do Nelson Motta
escrito por Visitante, 2005-03-17 11:33:36
Gostaria de obter o e-mail do nelson Motta
pois queria lhe falar sobre Breno Poubel cuja msica toca no programa Sintonia Fina e
tentei entrar no site mas est em construꡧo.
adorei a entrevista...
abs
Aline Moreira
e-mail Nelson Motta
escrito por Visitante, 2005-03-17 11:35:28
mandei um comentário mas não tenho certeza de ter enviado meu e-mail para resposta,lá vai...
aline.moreira @tvglobo.com.br
pesquiso a cultura racional-ufsc
escrito por Visitante, 2005-03-30 13:35:56
legal
Gostaria de saber...
escrito por Tássia Mara, 2006-12-05 14:39:00
Eu gostaria de saber como posso entrar na carreira artistica de cantora.. o que devo fazer... a quem devo procurar...
Compositor
escrito por José Luiz Pizzol, 2006-12-05 16:37:28
Gostaria de entrar em contato com o Nelson Mota para apresentar um pouco do meu trabalho musical. Tenho mais de 500 composições, a maioria MPB, além de umas 50 em inglês, todas gravadas em estúdio caseiro, arranjadas e registradas. Sou médico dermatologista em Vitória e tenho tido pouco tempo para mostrar minhas músicas aos cantores e cantoras. Estou precisando de uma ajuda.
...
escrito por Tássia Mara, 2006-12-10 22:02:13
Eu gostaria de saber como posso entrar na carreira artistica de cantora.. o que devo fazer... a quem devo procurar... eu canto em Inglês, Espanhol e Portuguêse... sem ter feito cursos... fui alfabetizada na Africa (Inglês), estudei 3 anos na Agentina Buenos Aires e hoje eu moro em Minas Gerais, Perdões... e isso nao me ajuda, pois nao há recursos necesarios.... por favor me ajuda.... meu email é Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso . Obrigado!
Contato Nelson Motta
escrito por Ana Carolina, 2007-03-13 01:19:53
Senhores,

Estamos precisando urgente do e-mail de Nelson Motta. Vocês podem me enviar por favor.
Agradeço muito.
Carol
E-mail
escrito por Pamela Lima Corrêa, 2007-04-03 13:19:38
Olá!Estou precisando urgentemento do e-mail do Nelson Motta.Sou estudante de Comunicação Social(Habilitação:Jornalismo) na Facha e meu professor de Cultura Brasileira Contemporânea quer que que faça uma entrevista com ele.
Agradeço muito se vocês conseguirem para mim.
Pamela.
Ivinho(festival de Montreaux) e Gilmar Serra(CD "Caboclo Dorian") buscam contato...
escrito por Gilmar Serra, 2007-04-20 05:28:04
Pois é,avisem ao Nelson Motta que Ivinho (o do festival de Montreaux) está com um novo trabalho,,junto com o tecladista,cantor e compositor Gilmar Serra...
Como fazer chegar até ele uma cópia do som dessa nova/inusitada dupla?
A guitarra do monstro continua forte !
Soubemos recentemente aqui em Recife do interesse do Nelson por Ivinho
Avisem a ele que estamos com ouro nas mãos,e que buscamos as dele com confiança (de quem tem tino e faro...)
Abraços, Gilmar Serra / Ivinho
fones/contatosmilies/sad.gif081)32212463 / 96094387
E-mail
escrito por João Arthur, 2007-04-27 19:16:38
Por favor gostaria do e-mail do Nelson Motta, pois tenho um trabalho com o Luiz Melodia e gostaria de saber a opinião dele sobre o mesmo. Obrigado e Boa tarde. João
cache para audiovisual
escrito por Alice, 2007-05-21 14:18:38
preciso entrar em contato com o Nelson Motta para cotar o valor de um cachê de locução. meu e-mail é Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso e o telefone é (51) 33812326/92162037. Obrigada!
Contato
escrito por Roma Lemos, 2008-02-04 22:25:06
Gostaria de obter o contato do Nelson Motta. Obrigada
Solicitação
escrito por Talita Lima, 2008-04-25 12:23:53
Eu também gostaria do e-mail do Nelson Mota e se possível telefone també, estou fazendo trabalho acadêmico e gostaria de tê-lo como fonte

Obrigada

Talita
CONTATO NELSON MOTTA
escrito por FERNANDO OYO FRANÇA, 2008-05-03 02:32:04
BOA NOITE,
SOU PUBLICITÁRIO E ATUALMENTE ESTOU FAZENDO PÓS NA ESPANHA E BOM, NA VERDADE EU AMO MÚSICA E COMPONHO HÁ ALGUM TEMPO E O QUE GOSTARIA MESMO É DE TER UM CONTATO COM NELSON E PROMETO QUE ENVIAREI APENAS UMA MOSTRA DO MEU TRABALHO .. SÓ ESCREVEREI NOVAMENTE SE HOUVER RESPOSTA. REALMENTE GOSTARIA DE TER ESSA OPORTUNIDADE. MEU EMAIL É Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso MUITO OBRIGADA DESDE JA. ABRAÇOS!
Preciso do e-mail do NELSON MOTTA.
escrito por Hipólito de Paula, 2008-06-01 10:47:20
Meus amigos, estou precisando urgentemente do e-mail do NELSON MOTTA.
Tenho uma galera excelente que forma uma grande banda de pop rock com o nome de NULLA.
O material da banda é de excelente qualidade. Basta alguem do meio pegar essa garotada e logo estara na midia o melhor do pop rock nacional com certeza.
Para terem uma pequena mostra do que é essa banda, acessem o site www.nulla.palcomp3.com.br e poderão ver videos, inclusive na tv, e ouvir musicas de composição própria, onde um dedo mágico do Nelson Motta fará com que os meninos alcem voos mais altos.
Atenciosamente,
Hipólito de Paula, amigo e incentivador da banda.
...
escrito por Isabella, 2008-06-25 21:56:48
Gostaria de obter o contato do Nelson Motta.
Desde já,Obrigada
Contatos "imediatos" com Nelson Motta
escrito por Nina Delfim, 2008-06-29 16:54:53
Acessem a página dele:
"SINTONIA FINA"
sintoniafina.uol.com.br

Abraços

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