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No Brasil fala-se um idioma que só se fala no Brasil
e em nenhum lugar mais. Aliás, somos a única ex-colônia
portuguesa que não fala com sotaque português. E isto deve-se
à influência da língua tupi ou seja, o nheengatú - ou, como
quer alguns, ao "nhen, nhen, nhen".
No Brasil dos paradoxos, acontecem coisas que a mais fértil
imaginação não teria condição de acreditar.
O "retrato da identidade nacional" é composto por
um branco, um índio e um negro e, obviamente, falamos um idioma
formado por palavras oriundas destas três fontes lingüísticas.
No entanto, temos a coragem de dizer que "no Brasil,
fala-se o português". Ledo engano.
No Brasil fala-se um idioma que só se fala no Brasil e em
nenhum lugar mais. Aliás, somos a única ex-colônia portuguesa
que não fala com sotaque português. E isto deve-se à influência
da língua tupi ou seja, o nheengatú - ou, como quer o
presidente, ao "nhen, nhen, nhen".
Esta espinha dorsal lingüística brasileira está um tanto
desbotada diante de tantas "lavagens culturais" à que
foi submetida ultimamente pelos estrangeirismos que empesteiam o
nosso idioma.
A língua portuguesa original trazida para o Brasil continha 140
mil verbetes ou palavras.
O português, esta "língua de marinheiro", contém
hoje 260 mil verbetes, fato que o torna a mais rica língua em
sinonímica do mundo.
Os 120 mil verbetes excedentes em nosso idioma falado, ficam
por conta das culturas africanas e tupi-guarani.
Portanto, a tão alardeada "unificação ortográfica e
gramatical" torna-se impossível a partir da própria conseqüência
lingüística que este idioma adquiriu no Brasil.
Isto porque, o significado de milhares de palavras oriundas da
língua tupi e falados diariamente, são completamente
desconhecidos por todos indistintamente. Isto sem mencionarmos
obviamente, a contribuição lingüística africana.
As três línguas que formam o idioma brasílico têm um sentido
e uma objetividade declaradamente importante:
"O africano nos deu verbetes com os quais nos expressamos
na forma espiritual, culinária, lazer, gíria e glotologias
Ex: Bunda, Xodó, Bizú, Gogó, Tijolo, Zureta, Muvuca,
Mumunha, Maluco, Garfo e por aí vai aos milhares também."
O Tupi nos deu verbetes que nos permitem ir e vir no real
sentido locativo e toponímico. O Português nos deu verbetes que
nos fornecem condições jurídicas, políticas e didáticas.
Tornar-se-ia impossível a um brasileiro fazer tudo que faz
diariamente usando apenas o recurso da língua portuguesa. Daí
que....
É IMPOSSÍVEL UMA UNIFICAÇÃO ORTOGRÁFICA COM OS DEMAIS PAÍSES
DE "LÍNGUA PORTUGUESA"!
Corrigir a injustiça histórica secular para com a cultura ameríndia
brasílica, origem da formação nacional e espírito latente de
insubmissão à dominação estrangeira, deve ser o objetivo de
todos aqueles que lidam com a Educação e Cultura deste país e
que tenham um pouco de amor ao verde e amarelo.
Devemos propiciar aos milhões de brasileiros que diariamente
expressam-se na língua tupi, a oportunidade de saberem o
significado dessas palavras e, sabendo-o, terem condições de
conhecer a história da grande nação Tupi, fato que gerará o
inevitável espírito nacionalista e a responsabilidade em sua
preservação.
A conseqüência imediata desta providência será a expansão
para além das nossas fronteiras da verdadeira epopéia da
estruturação brasileira, permitindo ainda que as demais nações,
por intermédio dos milhares de turistas que pisam o território
nacional, saibam, em seu próprio idioma, o significado dos nomes
e palavras tão comuns nos logradouros públicos, locais e
cidades mundialmente famosas, e, cujos nomes em língua Tupi, até
a presente data, não têm tradução literal e significação,
uma vez que os próprios brasileiros não o sabem.
E apenas para informação, longe de ser alguma língua morta
e sem origem, o tupi ou nhengatú possui uma gramática
expositiva dividida em quatro partes exatamente como a língua
portuguesa: Fonologia Morfologia Taxinomia e
Sintaxe.
Estamos diante, portanto, de uma prova que os milhares de nomes
toponímicos que descrevem e definem lugares, cidades, praças,
ruas, produtos, objetos ou fenômenos da terra, não foram
jogados ao vento "por um caboclo brejeiro qualquer"
como quer a explicação até hoje passada nas escolas do país,
mas sim, fazem parte do aspecto topográfico local, traduzido
pelo idioma brasílico, genuíno irmão lingüístico do português.
Se observarmos apenas algumas das palavras que falamos
diariamente, já teremos uma pequena idéia da nossa ignorância
e a conseqüente responsabilidade para com o futuro:
Jacarepaguá, é Lago do Jacaré Andaraí, é Água
do morcego Aracaju, é Tempo de Caju Tijuca, é
barro mola - Pará, é mar Paraná, é rio afluente
Paraguai, é rio do papagaio Paraíba, é rio
ruivo ou encachoeirado - Pirapora, é peixe que salta
Pindorama, é país das palmeiras Sergipe, é rio dos
siris Goiás, é gente da mesma raça
Piratininga, é seca peixe Curitiba, é barro branco
Mogi-Mirim, é riacho das cobras Carioca, é
casa de branco Anhangabaú, é buraco do diabo e
Ipanema, é água suja.
Estas são apenas algumas das milhares de palavras do idioma
tupi faladas e escritas diariamente e que, identificando locais e
cidades nacional e internacionalmente conhecidas, fazem parte do
nosso vocabulário diário, porém as suas traduções ou
significados são desconhecidos por todos.
Os padres jesuítas José de Anchieta e Nóbrega dedicaram
suas vidas aos estudos e codificação da língua tupi-guarani,
seus usos, costumes, história e origem antropológica desta
grande nação cujo sangue corre em nossas veias, direta ou
indiretamente.
Centenas de outros jesuítas sucederam aos pioneiros na
continuidade deste trabalho, legando-nos verdadeiros tratados
acerca de tal assunto, vez que, já àquela época, previam a
necessidade das futuras gerações acerca do conhecimento da língua
brasílica que faria parte da nossa existência como nação.
Mas a leviandade, o preconceito e o racismo de alguns
"intelectualóides de beira de jardim" que se revezaram
durante anos no controle da educação e cultura, desprezaria por
completo o trabalho destes jesuítas, preferindo dar cunho
oficial aos anglicanismos, galicismos e estrangeirismos que
corroem o nosso idioma e alteram o nosso comportamento.
De tal maneira desafiaram o conceito de nação que hoje, nas
faculdades, ninguém sabe gramática portuguesa e muito menos
gramática tupi-guarani. E só para exemplificar aí vai um texto
que prova a importância da cultura indígena na nossa vida:
"Aí, o presidente FHC saiu do palácio às margens do
Lago do Paranoá, observou uma Siriema que ciscava no palácio do
Jaburu, chegou ao seu gabinete sendo recebido pelo mordomo Peri,
lembrou a um assessor sobre as comemorações da Batalha do
Humaitá, convocou o ministro do Itamaraty e o governador do Goiás,
que visitava seu colega no palácio do Buriti, e, uma vez juntos,
tomaram um suco de Maracujá, comentaram sobre as reformas do estádio
do Maracanã e as recentes obras no vale do Anhangabaú, riram de
um antigo comentário do Barão de Itararé sobre obras públicas,
e, abrindo uma agenda de pele de Jacaré, passaram, a decidir
sobre o carvão de Criciúma, os suínos de Chapecó e a safra de
arroz de Unaí."
Viram, falaram, beberam e escreveram em tupi e não se
aperceberam disto. O embaraço maior, seria se tivessem que
traduzir todas estas palavras para o chanceler francês que
visitava o Brasil.
E já que é assim, por que não inserir em todas as placas de
ruas, praças, avenidas, estradas, rodovias, monumentos e locais
cujos nomes sejam originalmente em língua tupi, o significado em
português, o qual, via de regra, poderá ser traduzido para
qualquer idioma estrangeiro ?
- E por que não explicar nas escolas primárias e secundárias
esta fusão da língua portuguesa com a língua tupi-guarani e
seus fenômenos toponímicos e gramaticais usados no cotidiano
desde a tenra idade ?
Achamos esta saída ideal para um problema que tem
gerado situações embaraçosas para brasileiros no exterior,
quando alguém pergunta o significado da palavra Ipanema ou,
dentro do seu próprio país, quando um filho ou uma filha
pergunta:
"... papai, o que quer dizer Carioca ?"
Diante do desconhecimento total por parte dos
brasileiros acerca desta cultura e herança, corremos os risco de
permitir que as gerações futuras pensem que tais palavras, hábitos
e costumes, fazem parte da cultura e língua portuguesa, porém,
sem significado e explicação. É o máximo !
E, caso algum especialista em educação e cultura ache que é
possível viver sem esta influência lingüística, poderá começar
por retirar todas as palavras da língua tupi do nosso vocabulário.
Inicialmente:
Terá que trocar o nome de dez estados e sete capitais
brasileiras, cujos nomes são em tupi.
Depois trocar os nomes de centenas de municípios, milhões
de ruas, praças, avenidas, estradas, rodovias e localidades
topográficas cujos nomes também são originários da língua
tupi.
E finalmente, terá que mudar milhares de nomes próprios
e palavras comuns do nosso dia-a-dia, as quais são verbetes
da língua tupi.
Aí verá que a comunicação e a locomoção tornar-se-ão
impossíveis.
E já que esta terra era propriedade de uma raça tão
importante que mesmo dizimada nos legou um tratado lingüístico
e antropológico de beleza impar, nada melhor do que repetir a célebre
frase de Aimberê, o cacique-comandante da Confederação dos
Tamoios no Rio de Janeiro:
"Nhandê Coive Ore Retama!" Esta terra, é
nossa !
- E é, por esta razão que me considero um legítimo Tupinambá...porque
no Brasil, TODO DIA, É DIA DE ÍNDIO !
* Eduardo Fonseca Jornalista e Escritor
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IDIOMA
O português é o idioma nacional, mas o português falado no
Brasil é bastante diferente, no sotaque e entonação, do
falado em Portugal e outras antigas colônias portuguesas.
Algumas pessoas afirmam que os brasileiros, atualmente, falam
o "brasileiro", da mesma forma que os americanos
podem dizer que falam "americano" e não inglês.
Muitos brasileiros falam o alemão e o italiano,
especialmente nas cidades do sul do país, por influência da
colonização.
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agora meo persoa fala monto bene portugues
meo coreo os menlieac