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Taj Burrow é o campeão do Nova Schin WCT Brasil 2004. Mesmo
para quem não gosta e não entende de surf foi difícil escapar
da ampla cobertura que a mídia fez da etapa brasileira do WCT, o
tour mundial.
Nunca antes a imprensa imediatista nacional (TVs, jornais,
sites) havia dado tanta importância ao evento, que é mesmo o
mais importante do ano e desta vez também serviu para definir o
campeão da temporada.
Emissoras abertas e fechadas e cadernos de esporte dos
principais jornais do Brasil estavam in loco e muitas
vezes ao vivo para reportar o que se passava nas areias e
nas ondas de Santa Catarina.
Um bacanal midiático que, para pessoas como eu, surfista
desde a metade da década de 70, se trata de algo memorável.
Para se ter uma idéia, amantes das ondas de alguns anos atrás
(e não é preciso retroceder aos anos 70 porque há cerca de uma
década a condição ainda era a mesma) se queriam ficar sabendo
sobre algum campeonato de surfe deveriam estar na praia em que
ele se realizava ou se contentar em ler a respeito um mês depois
em revistas especializadas.
Esperar pelo dia em que o esporte que amamos ganharia status
de popular e seria merecedor de uma cobertura digna de boleiros
era esperar pela chegada do messias dos mares.
É claro que nada acontece de graça e que tanta cobertura só
rola se há retorno financeiro. O mercado ligado ao surfe, assim
como os surfistas dos anos 70, cresceu e amadureceu. Éramos
apenas garotos sonhadores, hoje somos empresários, muitos do
setor.
Os campeonatos
se multiplicaram, a grana envolvida também, o número de
praticantes aumentou consideravelmente e, nessa roda do
progresso, era inevitável que televisão e jornais de grande
circulação fossem, alguma hora, querer entrar no giro.
A chegada deles fecha esse ciclo e promete fazer desse esporte
um dos mais populares do Brasil. Condições geográficas e
humanas sempre tivemos, e a financeira vamos lentamente
conquistando.
* * *
E mais uma vez o título mundial foi decidido no Brasil. Com a
precoce eliminação do australiano Joel Parkinson, Andy Irons pôde
comemorar o tricampeonato sem nem mesmo precisar entrar na água.
Com o resultado, Irons já faz sombra ao tetra de Mark
Richards (1979, 80, 81, 82 que à época parecia insuperável)
e ganha motivação para se aproximar do recordista Kelly Slater,
seis títulos mundiais.
Para quem acompanha Irons desde o começo de sua carreira é
curioso vê-lo ser tão imbatível. Nascido e criado na pequena
ilha de Kauai, arquipélago havaiano, ele tinha o mar como
quintal e nada mais natural que se entregasse às ondas.
Mas quando, em meados dos anos 90, entrou na divisão de
acesso ao WCT, o WQS, não conseguia manter a regularidade,
alternando momentos espetaculares com outros ordinários. Se
tratava apenas de um surfista talentoso, como muitos do tour, mas
sem nenhum método.
Em 98, após a conquista do Mundial Júnior, ele finalmente
chegou ao WCT, mas não se manteve na elite e voltou à divisão
de acesso.
Foi em 2002, mais maduro e menos arrogante (ele era conhecido
como um dos mais antipáticos do tour), que ele alcançou seu
primeiro título mundial. Desde então, a regularidade tem sido
seu forte.
Mais humilde, sociável e simpático, Irons acena para outros
mundiais e pode, se mantiver a cabeça no lugar, se tornar um dos
maiores surfistas da história.
* Carlos Sarli, tem 41 anos, é diretor
superintendente e sócio fundador da TRIP Editora.
NOTAS
MAIS WCT
O australiano Taj Burrow ficou com o título do Nova Schin
Festival ao vencer o conterrâneo Tom Whitaker. Os brasileiros
Renan Rocha e Tânio Barreto, ambos participando como convidados,
completaram o pódio.
FOI MAL
Os brasileiros não souberam aproveitar a perna nacional do tour.
Faltando só a fase havaiana, temos apenas seis atletas
classificados para 2005, nesta temporada são oito.
PÁRA-QUEDISMO
Criado em 1978, o Brasileiro de Formação em Queda Livre, começa
neste sábado, 13/11, em Campinas (SP) nas categorias 4, 8,
16-way, e vale como seletiva para as provas internacionais de
2005.
revistatrip (fsp)
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