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O Brasil respondeu por 1% do comércio global nos
nove primeiros meses deste ano. É a primeira vez, nos últimos
19 anos, que o país chega a esse percentual. O ritmo acelerado
das exportações está impulsionando o desempenho. Desde o início
de 2003 até setembro de 2004, o Brasil aumentou suas vendas em
25,5%, acima da média mundial de 17,4%.
A participação brasileira no comércio mundial ultrapassou a
marca de 1% nos nove primeiros meses deste ano em função do
ritmo acelerado das vendas internacionais do país.
Desde o início de 2003 até o mês de setembro de 2004, as
exportações do país cresceram 25,5%, oito pontos percentuais
acima da média mundial, que ficou em 17,4%. É a primeira vez,
desde 1985, que o Brasil responde por 1% das vendas globais.
Os números
constam numa publicação da Fundação Centro de Estudos em Comércio
Exterior (Funcex), do Rio de Janeiro. O boletim mostra também
que as vendas dos países em desenvolvimento estão crescendo
mais do que as de nações consideradas ricas.
Enquanto os países desenvolvidos tiveram crescimento de
vendas de 15,5% desde o ano passado até setembro de 2004, os
menos desenvolvidos exportaram 22,1% a mais.
"Com a crise, vários países desenvolvidos desvalorizaram
seu câmbio, o que deu mais competitividade aos seus
produtos", diz o coordenador do curso de Diplomacia Econômica
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Mário Presser,
referindo-se à recessão internacional ocorrida entre os anos de
1999 e 2002.
Argentina e Brasil foram alguns dos países que mexeram nas
suas moedas no período.
De acordo com Presser, também o crescimento da China colaborou
para a evolução das exportações de países em
desenvolvimento.
"A China tem uma grande demanda por matérias-primas",
explica. Segundo o professor da Unicamp, insumos são justamente
os produtos que as nações em desenvolvimento mais têm a
oferecer.
O Brasil, por exemplo, vende muita soja e madeira para o país
asiático. O presidente da China, Hu Jintao, inclusive, está no
Brasil para assinar uma série de protocolos da área sanitária
que vão favorecer as exportações nacionais de carne, frutas,
soja e óleo de soja.
O relatório publicado pela Funcex aponta o crescimento da
demanda externa como uma das causas para o aumento das exportações
brasileiras.
De acordo com a publicação, porém, a evolução das vendas
não está ligada apenas a esse fator, já que as exportações
brasileiras estão crescendo numa velocidade maior do que as
importações mundiais.
Enquanto as compras mundiais evoluíram 18,2% em 2003, as
vendas do Brasil cresceram 21,8%. Neste ano de 2004, as importações
globais devem crescer 19,65% e as exportações do país já
aumentaram 33,1% até setembro.
"O bom desempenho das exportações brasileiras nos anos de
2003 e 2004 também incorpora aspectos estruturais", diz o
relatório.
Entre eles estão os esforços do Brasil por ganhar participação
em alguns mercados e a importância que as indústrias nacionais
passaram dar à exportação.
De acordo com cálculos da Funcex, a comercialização externa
deve responder, este ano, por 18% do faturamento das indústrias
brasileiras contra 16% no ano passado e 11% em 1998.
O professor da Unicamp cita, entre os fatores que levaram as fábricas
a buscar o mercado internacional, o desaquecimento da economia
doméstica.
"Estávamos em recessão, só havia o mercado externo.
Agora, com a melhora do mercado interno, é que vamos ver se elas
vão dar continuidade às exportações", explica.
Independentemente disso, o fato é que o Brasil ganhou mercado em
diversos países e blocos econômicos desde 1998.
A participação brasileira nas importações dos Estados
Unidos, por exemplo, passou de 1,08% há seis anos para 1,35%
este ano.
Na Argentina saltou de 21,49% para 33,32%, na China de 0,64%
para 1,06% e no Chile de 5,57% para 11,14%.
O relatório destaca ainda o crescimento das vendas brasileiras
para alguns mercados nos quais o país tem menor participação,
como o México, para onde as exportações aumentaram 72% entre
2002 e 2004, para o Oriente Médio, que importou 83,7% a mais do
Brasil no período, e para a Venezuela, com crescimento de 63%
nas compras de produtos brasileiros.
O estudo da Funcex tem como base dados do Fundo Monetário
Internacional (FMI).
anba
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