Os italianos: trouxeram, além da força de trabalho para a lavoura de café e para a indústria, idéias anarquista e socialistas - Os imigrantes da Itália se concentraram na indústria paulista e ocasionaram, com sua forma de pensar, muitas greves, crises políticas e formação de sindicatos.
Italianos deixaram muitas marcas na vida de São Paulo
Dos quase 5 milhões de estrangeiros que entraram no Brasil entre 1870 e 1949, mais de 50 por cento vieram para o Estado de São Paulo.
Os italianos formavam o grupo mais numeroso - aproximadamente 950 mil pessoas. Entre o início de 1890 e a Primeira Guerra Mundial, os italianos chegaram a compor um quarto da população do Estado.
Os que vinham com passagens pagas pelo governo dirigiam-se às colônias das fazendas de café e os que vinham por conta própria escolhiam ficar na Capital.
Os municípios onde mais se fez sentir a presença dos italianos foram aqueles localizados ao longo das ferrovias do oeste do Estado, para onde se dirigiram 90 por cento dos imigrantes que deixaram a Hospedaria da capital, entre os anos de 1893 e 1910.
São José do Rio Pardo chegou a ser considerada, em 1902, uma cidade vêneta.
A partir de 1908, muitos imigrantes começaram a preferir as zonas urbanas, fosse na capital ou no interior. Eram aqueles que já tinham profissões como ferreiros, marceneiros, fabricantes de massas, jornaleiros, tecelões.
Os primeiros tempos em São Paulo
O trabalho nas fazendas não era fácil. A família imigrante era responsável por uma gleba do cafezal, que exigia, além da colheita, cinco ou seis limpezas anuais.
Eles recebiam salários e faziam suas compras na venda do patrão, o que quase sempre gerava uma relação de dependência.
Muitos, desencantados, retornavam para a Itália. Outros seguiam de fazenda em fazenda na esperança de um futuro melhor, que alguns alcançavam comprando pequenas propriedades.
Outros ainda, ex-operários e artesãos na Itália, se estabeleciam na cidade. Porém, perpetuando a mentalidade de donos de escravos, alguns patrões chamavam seus colonos de "escravos brancos".
Derrotados, marcados pelo desencanto, 40 por cento dos imigrantes italianos retornaram à Europa.
Os que ficaram criaram raízes. Na cidade, alguns se tornaram grandes comerciantes e industriais, e outros foram ser operários da nascente indústria paulista.
O Brasil de 1910 possuia 24 milhões de habitantes, dos quais dez por cento eram imigrantes. A indústria paulista contava com o empenho de produtores rurais e imigrantes italianos.
Famílias como os Prado e Penteado nela investiram os lucros do café. Italianos, como os Crepi e Matarazzo, chegaram com algum dinheiro e corajosamente instalaram suas fábricas.
A contribuição italiana em São Paulo
A relação do imigrante com a cidade se intensificava. Não tinha mais jeito, eles precisavam se integrar ao novo mundo. Tornaram-se os artistas, sapateiros, jornaleiros, tintureiros, alfaiates...
Agruparam-se em bairros e vilas operárias e reproduziam manifestações culturais de seu povo para matar a saudade e preservar as tradições.
Nos bondes, ruas, comércio e indústrias, dialetos italianos eram tão ouvidos quanto o próprio português. São Paulo era Zan Paolo. Queijo tornou-se formaggio. E trabalho era lavoro.
O Brás foi o bairro da preferência dos italianos que se fixaram na cidade, mas eles também tiveram presença expressiva na Mooca, Bom Retiro, Belenzinho, Canindé, Bexiga, Pari, Vila Carrão e Santana.

Agrupavam-se conforme sua região de origem - napolitanos no Brás, calabreses no Bexiga e venezianos no Bom Retiro - mas sua influência se fez sentir em outros pontos da cidade na arquitetura de edifícios públicos ou residências particulares nos Campos Elíseos, Higienópolis, Vila Buarque, Consolação.
Nos Campos Elíseos, por volta de 1887, eram muito requisitados os capomastri - mestres-de-obra italianos - que introduziram na cidade novas técnicas de construção e que, ao contrário dos pedreiros portugueses, utilizavam tijolos de barro cozido em suas obras.
O Teatro Municipal, o Palácio das Indústrias (atual sede da Prefeitura), o Mercado Municipal e o Liceu de Artes e Ofícios (hoje a Pinacoteca do Estado), que foram edificados pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, tiveram a participação desses capomastri.
Mooca: um resumo da história de São Paulo
O bairro da Mooca resume a história da formação da cidade de São Paulo e da participação da imigração italiana no seu desenvolvimento. Este bairro tradicional reúne quatro pilares da cidade: a indústria, a imigração, o futebol e a gastronomia.
Um nome intimamente ligado ao bairro é o do italiano Rodolfo Crespi, dono da que chegou a ser a maior tecelagem de São Paulo, o Cotonifício Crespi, fundado em 1896. Instalado na Mooca, o Cotonifício cresceu rapidamente e Crespi não só ampliava a fábrica como construía moradias para seus funcionários. Assim como a família Crespi, boa parte dos operários era de origem italiana.
O Clube Atlético Juventus, o “moleque travesso” do futebol paulista, teve sua origem como um clube dos funcionários do cotonifício. E o nome de seu estádio lembra esse fato até hoje: Estádio Conde Rodolfo Crespi.
A imigração italiana está presente também nas tradições gastronômicas do bairro que, entre muitas cantinas, pizzarias e doceiras, conta com alguns importantes nomes, como a doceira Di Cunto, a pizzaria São Pedro e o restaurante Don Carlini.
Bexiga: o pedaço mais italiano de São Paulo
No ano de 1878, os imigrantes italianos que desejavam se instalar na capital aproveitaram a oferta de terrenos baratos na área onde hoje é o bairro do Bexiga e se mudaram para lá.
A região tinha ruas estreitas e aclives que lembravam aldeias italianas. Os primeiros italianos a se mudarem eram sapateiros, artesãos, padeiros e quitandeiros, na sua maioria calabreses.
A partir de 1890, o bairro começou a receber novos imigrantes: portugueses, espanhóis e outros italianos.
O nome do bairro se origina, muito provavelmente, de um antigo proprietário daquelas terras que, ao que tudo indica, fora vítima da varíola, doença popularmente conhecida como “bexiga”. A transição de Bexiga para “Bixiga” se deu pela fala popular.
Oficialmente, desde 1910 o bairro se chama Bela Vista, mas os paulistanos não deixam de chamá-lo “Bixiga”.
O Bexiga cresceu lentamente e sempre foi um bairro bilíngüe. Em algumas épocas, o italiano era até mais falado que o português. Muito do sotaque paulistano nasceu nas ruas do Bexiga.
Em 1948, o bairro encontrou sua vocação boêmia e se tornaria, definitivamente, o mais paulistanos dos bairros da capital. Foi nesse ano que Franco Zampari inaugurou na rua Major Diogo o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).
Depois dele vieram o Teatro Imprensa, o Oficina, o Sérgio Cardoso, o Ruth Escobar, o Paramount e todas aquelas cantinas que fazem a alegria do bairro.
Vila Itororó: no Bexiga, uma das construções mais extravagantes de São Paulo
Um dos símbolos do Bexiga é a Vila Itororó, na rua Martiniano de Carvalho, que já foi uma das mais cobiçadas e extravagantes construções da cidade, hoje, infelizmente, deteriorada.
Além do valor arquitetônico, sua história também merece registro. A vila foi construída pelo tecelão português Francisco de Castro, em 1922.
Castro era proprietário de uma confecção em Piracicaba e resolveu vir para São Paulo construir a primeira vila da cidade. Apesar de trabalhar com tecidos, o português possuía conhecimentos técnicos sobre engenharia e arquitetura. Ele acabou causando polêmica.
As obras foram consideradas grandiosas e exóticas para a época, por causa de suas formas inéditas. A vila ficou conhecida como Casa Surrealista.
A área de 4,5 mil metros quadrados agrupava um casarão de quatro andares e 37 casas menores ao seu redor.
Outro detalhe que tornou a Vila Itororó famosa na cidade é que ela foi a primeira residência particular de São Paulo a ter uma piscina, aproveitando a nascente do Vale do Itororó, que dá nome ao local.
Mais tarde, o tecelão se endividou e acabou perdendo a casa, que foi leiloada. Arrematada pela Santa Casa de Indaiatuba, a Vila Itororó acabou sendo alugada a outras pessoas.
A herança de hábitos e costumes da Itália
Sobretudo a sua cozinha, marcou a vida de São Paulo: as inúmeras cantinas e pizzarias existentes na cidade são prova disso.
Vale lembrar que a pizza - originalmente um pão cortado ao meio e recheado com rodelas de tomate, presunto e queijo - era alimento obrigatório das refeições dos imigrantes, junto com o vinho.
Foram os italianos também que introduziram no Brasil o cultivo de legumes até então desconhecidos, como berinjela, pimentão e brócolis.
A presença de artistas italianos foi essencial para sua formação e no desenvolvimento das artes plásticas brasileiras.
Basta lembrar de nomes como Cândido Portinari, Victor Brecheret, Alfredo Volpi e Pietro Maria Bardi, que teve importante participação no processo de criação do Masp, atuando como um consultor na aquisição do acervo do museu.
Paschoal Segreto rodou o primeiro filme no país; e o diretor teatral Franco Zampari deu uma importante contribuição para as nossas artes cênicas.
Foram os italianos que introduziram no Brasil a bocha e a malha, jogos praticados em sua terra natal.
Amantes do futebol como nós, imigrantes italianos e seus descendentes fundaram na cidade, em 1914, o clube de futebol Palestra Itália - atual Sociedade Esportiva Palmeiras - e o Clube Atlético Juventus, em 1924.
Também merece destaque a influência italiana no modo de falar do paulistano e na própria formação do vocabulário brasileiro.
Segundo Pacheco Júnior em sua "Gramática histórica da língua portuguesa", cerca de 300 vocábulos têm origem italiana: cantina, caricatura, cascata, fiasco, bravata, poltrona, alegro, aquarela, bandolim, camarim, concerto, maestro, piano, serenata, alarme, boletim, carnaval, confete, macarrão, mortadela, palhaço, salsicha são alguns deles.
O mais popular deles é o "ciao", transformado em "tchau".
Os italianos que fizeram história em São Paulo
A partir do início do século XX, os italianos foram uma presença marcante nas cidades paulistas, entre elas a capital. A mão-de-obra imigrante foi uma das forças que impulsionaram a industrialização da cidade de São Paulo.
Trabalhadores vindos de várias regiões da Itália tiveram uma participação ativa na formação do movimento operário brasileiro. Eles estiveram presentes, por exemplo, nas greves que aconteceram na cidade em 1910 e 1917.
Para alcançar um padrão de vida melhor, muitos italianos organizaram alguns tipos de associações. Eram sociedades de socorro mútuo, que procuravam ajudar seus sócios e famílias em caso de doença ou morte, grupos políticos, sindicatos e ligas.
Mas os imigrantes italianos não eram todos operários ou camponeses. Muitos eram artesãos ou comerciantes, a indústria paulista absorveu a mão-de-obra de mecânicos, artífices modeladores, funileiros, sapateiros, fundidores, etc.
Os italianos participaram ativamente do processo de industrialização de São Paulo, como operários, nas fábricas, onde ajudavam na organização dos movimentos sindicais e também como empresários, criando inúmeras indústrias.
Alguns tinham recursos para iniciar um negócio e acabaram se tornando também capitães da indústria paulista.
A primeira fábrica de tecidos da Capital foi fundada por italianos.
Alguns imigrantes construíram verdadeiros impérios: Francesco Matarazzo, que começou importando gêneros alimentícios; Rodolfo Crespi, agente comercial de uma companhia de Milão; Egidio Gamba e os irmãos Pugliese Carbone, que importam farinha; Scarpa, com uma fábrica de descaroçamento de algodão e manufatura de tecidos, e Siciliano, com uma fundição.
O conde Francesco Matarazzo, fundador das Indústrias Reunidas Francesco Matarazzo, começou a vida no Brasil negociando banha de porco e, em pouco mais de trinta anos, comandava um império de 365 fábricas.
Ele é considerado um dos maiores empresários do Brasil de todos os tempos. Seu sobrinho Cicillo também marcou a história da cidade ao fundar o Teatro Brasileiro de Comédia – TBC – a companhia cinematográfica Vera Cruz e a Bienal.
Na Capital e no interior os italianos criam associações de vários tipos: musicais, esportivas e recreativas, educacionais, líricas.
Em 1897 eram 98, chegaram a 170 em 1908. A Societá Italiana di Beneficienza foi a primeira a ser criada, em 1878, e dirigiu por muitos anos o Hospital Humberto I.
Também foram fundados vários colégios populares para alfabetizar crianças da comunidade. Em 1919, esses colégios chegaram a abrigar 9 mil alunos. Em 1911, os italianos fundam o Colégio Dante Alighieri.
São Paulo é considerada, hoje, a terceira maior cidade italiana fora da Itália, perdendo apenas para Buenos Aires e Nova York.
Estima-se hoje um contingente de cerca de 6 milhões de italianos e descendentes só na cidade de São Paulo.
No Estado de São Paulo, 13 milhões, e em todo o Brasil, cerca de 22 milhões.
Italianos Brasil (italianos e descendentes) = 22.753.000 Fonte: Jornal Ítalo Brasileiro, ano 1, n. 1, 1996, p.8, citando quadro divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores Italiano Brasil (italianos e descendentes) = 25.000.000 Fonte: Presenza italiana in Brasile. Embaixada da Itália, 2000 São Paulo (Estado): italianos e descendentes = 6.000.000 Fonte: Estimativa do Consulado Italiano
História da Comunidade Italiana
Desde o descobrimento, italianos procuravam o Brasil em busca de novas oportunidades. Até o final do século XVII, a vinda deles em termos numéricos era insignificante. O Brasil vivia o período da colonização e não se podia falar, ainda, em imigração.
Mas data desse período a chegada das primeiras famílias italianas: os Dória, os Cavancanti, os Accioli e os irmãos Adorno que, saídos da Itália por motivos políticos, dedicaram-se à produção de açúcar.
Ao longo do século XVIII, apesar das leis coloniais que restringiam a entrada de estrangeiros nas colônias portuguesas, o Brasil assiste à chegada de marinheiros, viajantes, políticos, membros da Igreja, mercadores, cientistas e artistas procedentes dos países europeus, entre os quais a Itália.
Eram homens que, por motivos políticos ou de trabalho, ou até mesmo pelo espírito de aventura, deixavam seus países e se dirigiam para cá na tentativa de iniciar uma nova vida, numa movimentação isolada e ocasional.
O deslocamento organizado de italianos para o Brasil só começou no século XIX. A partir de 1870, a corrente imigratória para o país se intensifica, transformando-se num fenômeno de massa.
Entre 1887 e 1920, chega um enorme contingente de estrangeiros e mais da metade era de italianos que se fixaram no Estado e na cidade de São Paulo, assegurando, num primeiro momento, a produção do café e, posteriormente, ajudando a viabilizar a implantação da indústria.
As condições na Itália
As principais razões que levaram um grande número de italianos a emigrar foram o crescimento populacional e o processo de unificação da Itália, associadas à pequena área territorial e a uma topografia muito acidentada que impedia a expansão da agricultura.
Por volta de 1860, o país era constituído por um grupo de províncias habitadas por vários grupos étnicos.
Entre 1860 e 1870, após várias guerras, as províncias foram unificadas, formando o reino da Itália, tendo Roma como capital.
Os primeiros tempos do reino foram de adaptação às novas condições e fatores sócio-econômicos geraram uma grave crise, que atingiu todo o território. A população italiana, essencialmente rural, vivia em péssimas condições.
A concentração das terras cultiváveis nas mãos de poucos proprietários, a introdução de modernas máquinas no campo e de novos métodos de produção nas cidades reduziram o número de empregos.
Após a unificação, em 1870, pagavam-se impostos sobre quase tudo, até sobre os produtos que os agricultores cultivavam para seu próprio consumo e sobre os animais domésticos. A terra, pesadamente tributada, endividou os pequenos produtores, que perderam suas propriedades.
A ganância do governo era tão grande que, em certas regiões, chegava-se a pagar até 31 por cento sobre tudo o que era produzido.
Com impostos elevados, os grandes agricultores ofereciam os produtos a preços inferiores aos de mercado.
Empobrecidos, endividados e sem alternativa, os pequenos proprietários abandonavam suas terras e seguiam para as cidades, passando a conviver com novos problemas: desemprego, marginalidade, fome.
A emigração passou a representar a única possibilidade de sobrevivência para essas pessoas e a válvula de escape para resolver seus problemas.
O próprio governo italiano começou a incentivá-la: uma parte do povo precisava partir para que a outra parte pudesse sobreviver.
As condições no Brasil
A proibição do tráfico de escravos (1850), a Lei do Ventre Livre (1871), a Lei dos Sexagenários (1885) e o crescimento da campanha pela abolição da escravatura que aconteceu em 1888, foram os principais fatores que desencadearam o estabelecimento de uma política voltada para a criação de alternativas para o trabalho escravo.
Em 1840, o café começa a substituir o açúcar como principal produto de exportação e a necessidade de mão-de-obra para a lavoura do café aumenta, sobretudo no Estado de São Paulo, onde era constituída quase que somente por escravos.
Várias medidas são adotadas pelo governo brasileiro para atrair europeus, entre elas o direito de trazer imigrantes que, antes sob controle do governo imperial, é concedido aos estados.
São Paulo estabelece então sua própria política de imigração. Os fazendeiros se unem e fundam, em 1886, a Sociedade Promotora de Imigração.
Criam-se cartazes, folhetos, livros e fotografias apresentando o Brasil, para serem distribuídos na Europa por agências contratadas pelo Comissariado do governo brasileiro.
O governo paulista assume os custos da vinda dos imigrantes, financiando as passagens. A propaganda intensa feita pelos agentes e pelas companhias de navegação, as promessas de moradia, alimentação, salário e possibilidade de compra de terras, mais a passagem paga, influenciam a emigração voluntária de europeus, principalmente italianos, gerando um êxodo em massa de certas regiões da Itália.
De onde partiram os italianos
Grande parte dos italianos que imigraram para o Brasil eram do norte e do sul da Itália. Do norte veio o maior contingente no período de 1876 a 1920 (os vênetos eram um terço do total).
De 1876 a 1886 a primazia pertenceu ao Vêneto, ao Piemonte e à Lombardia – essas três regiões do norte forneceram, sozinhas, 65 por cento do total de emigrantes nesse período.
Entre 1887 a 1890, os vênetos continuam em primeiro lugar, mas são acompanhados agora por italianos do sul: Campania, Basilicarta, Calabria e Sicília.
Em menor número vieram os habitantes da Itália central: Abruzzo, Molise, Lazio e Umbria.
O desembarque
No final do século XIX, os principais pontos de desembarque no Brasil eram os portos do Rio de Janeiro e de Santos, em São Paulo. Os que entravam no país pelo Rio de Janeiro eram recolhidos na Hospedaria da Ilha das Flores.
Os que tinham São Paulo por destino seguiam viagem por trem até a Capital.
A maioria dos imigrantes, porém, chegava a São Paulo pelo porto de Santos e subia a serra de trem, desembarcando na estação rodoviária ao lado da Hospedaria dos Imigrantes, no Brás.
Os que procediam do Rio de Janeiro viajavam pela Estrada de Ferro Central do Brasil e o desembarque era feito na Estação do Norte, atual estação do Brás, onde eram aguardados por funcionários da hospedaria.
Antes da construção da estrada de ferro, os imigrantes que desembarcavam no porto de Santos, iam a pé ou em lombo de mula, por estradas de terra, até seu destino.
Com a inauguração da estrada de ferro São Paulo Railway, em 1867, ligando Santos a Jundiaí, o transporte passou a ser feito por trem até a Capital.
Pessoas que vieram da Itália e escolheram São Paulo para viver.
O primeiro amor nunca se esquece e foi assim com o casal de venezianos Stanislao Vecchiato e Amábile Artuso.
Depois de quase 10 anos de namoro, nem mesmo a imigração de Stanislao, em 1951, para o Brasil separou os apaixonados.
Ele viera em busca de um futuro promissor. Porém, a distância não foi capaz de pôr fim à relação. Os corações continuavam batendo no mesmo compasso.
O casal se conheceu quando os dois tinham apenas 15 anos e foi paixão à primeira vista. Eles moravam em bairros próximos na província de Venezia, na região do Vêneto.
O pai de Amábile não concordava com o namoro por acreditar que os dois eram muitos jovens, no entanto, o severo sogro não conseguiu separá-los.
“Ele me botava para correr. Mas nós acabávamos nos encontrando nas quermesses”, lembra o apaixonado Stanislao.
O amor de adolescência se tornou um sério compromisso quando os dois completaram 20 anos. Cinco anos depois, Stanislao embarcou em um navio para o Brasil, junto com dezoito amigos.
No ano seguinte, depois de trocarem inúmeras cartas e juras de amor, os dois resolveram se casar. Amábile entrou em uma igreja, em Venezia, de braços dados com o pai de Stanislao, que o representava. No Brasil o noivo assinava os papéis do casamento no consulado italiano.
Sete meses depois da cerimônia, Amábile desembarcou no porto de Santos para o tão esperado reencontro com o marido. Stanislao lembra de cada detalhe do pequeno apartamento alugado, apenas com quarto e cozinha, em que passaram a lua-de-mel e viveram os primeiros meses de casados.
“Tinha duas cadeiras, um fogão, dois pratos, dois garfos, duas colheres e uma cama com colchão de capim”, conta. O guarda-roupa foi improvisado por ele mesmo. “Eram dois sarrafos em pé e um atravessado em cima, nele eu bati pregos onde pendurávamos nossas roupas”.
O progresso veio rápido, alguns meses depois conseguiram comprar um terreno no bairro do Mandaqui, zona norte da capital, onde construíram a casa em que vivem até hoje.
Deste primeiro amor nasceram dois filhos e dois netos brasileiros. Em junho de 2002, a família toda se reuniu para comemorar uma data muito especial: os 50 anos da união feliz dos dois eternos apaixonados.
Stanislao Vecchiato
Chegou ao Brasil em 1951 e depois de alguns anos de trabalho conseguiu fundar em 1964 a "Metalúrgica Laguna" da qual é diretor-presidente.
Sempre presente no âmbito da coletividade italiana e veneta visando unir os compatriotas e manter vivo o senso de italianidade, inserindo-o na sociedade brasileira e resultando no respeito e o orgulho dos valores e tradições italianas e venetas.
- Em 1954 fundou a Associação "San Marco Veneto".
- Em 1982 foi presidente da Associação "Trevisani nel Mondo".
- Em 1983 é eleito membro do Conselho do Bairro de Santana, São Paulo.
- Em 1984 é nomeado membro do Conselho Pastoral da Igreja dos Italianos, Madonna della Pace.
- Em 1986 é eleito membro do CO.EM.IT.(Comitato Emigrazione Italiana).
- Em 1988 recebe a condecoração de Cavaliere al Merito da Republica Italiana.
- Em 1989 é eleito membro do Conselho Diretivo do Circolo Italiano em São Paulo.
- Em 1991 recebe a Medalha de Ouro Cristoforo Colombo pela sua ação dedicada a manter vivo o senso de italianidade e os valores e as tradições dos nossos imigrantes.
- Em 1992 é um dos fundadores da Federação das Associações Venetas do Estado de São Paulo.
- Em 1993 é eleito membro da FECIBESP(Federação das Entidades Culturais Ítalo-Brasileiras do Estado de São Paulo) da qual participa até hoje.
Fonte: "Imigração Italiana no Estado de São Paulo", da série Resumos, editada pelo Memorial do Imigrante/Museu da Imigração (Rua Visconde de Parnaíba 1316, Brás, São Paulo, SP, Cep 03164-300, tel. 6692.1866/7804. Pesquisa e texto: Ondina Antonio Rodrigues, Nelson Di Francesco.
prefeitura.sp
Confira alguns sites sobre a Itália. Acesse:
* http://www.circoloitalianodiamparo.uli.com.br
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Gracia Maria Brunetto Oliveira
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