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Juiz Jorge Vieira, Fica Fora do Programa do Jô PDF Imprimir E-mail
Escrito por Verena Glass   
Sunday, 31 October 2004

Juiz que desapropriou Fazenda Cabaceiras, por manter trabalho escravo, fica fora de Programa da Rede Globo - Jô Soares.

Um convite da produção do programa do apresentador Jô Soares (TV Globo) ao juiz do trabalho em Marabá (PA), Jorge Vieira, "revogado" pouco antes da gravação da entrevista, causou confusão e constrangimentos na tarde de quarta-feira (27).

Vieira, conhecido nacionalmente por suas condenações de fazendeiros acusados de manter trabalhadores em condições análogas à escravidão, foi trazido a São Paulo pela emissora para participar de uma entrevista sobre trabalho escravo, juntamente com o coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Frei Xavier, um dos maiores especialistas no assunto do país.

As ameaças de morte sofridas pelo juiz, responsável pela primeira indenização milionária contra a prática escravista no país, "Campeã no trabalho escravo, família Mutran perde terra no Pará", motivou o convite para a entrevista.

A produção do Programa do Jô pagou passagens e hotel para Vieira, e ainda na noite de terça-feira, véspera da gravação do programa, com ele já em São Paulo, confirmou sua participação.

"No dia marcado para a entrevista, fui surpreendido por uma ligação da produção dizendo que eu não ia mais falar porque haveria a possibilidade de uma ação ou pedido de direito de resposta por parte de alguma entidade ligada ao setor ruralista. Pelo que conheço da legislação, não há possibilidade de direito de resposta em relação ao que terceiros falam num programa de entrevistas. Acho que houve algo estranho, mal-explicado", afirma o juiz.

Segundo a produtora do Programa do Jô, Anne Porlan, o que houve foi um mal-entendido. "O produtor que fez contato com o juiz é novo na emissora, e talvez tenha havido uma confusão. Queríamos dois religiosos para falar da questão, e a CPT acabou indicando o magistrado. Na verdade, ele deveria apenas subsidiar o debate, não participar dele. Acho que ele ficou melindrado com isso", disse Porlan.

"Até onde entendo, as pessoas vêm, pagas pela TV, quando vão dar entrevistas. E até ontem essa entrevista – eu tenho os e-mails da produção do programa, confirmando – estava de pé. Quando a produtora do programa me ligou desmarcando, se desculpou, dizendo inclusive que o apresentador é uma pessoa muito gentil e educada, e que estava constrangido com a situação. Mas se houve constrangimento, ele foi causado pela própria produção, porque, sinceramente, não haveria necessidade de eu estar aqui em São Paulo", rebate Vieira, que desmarcou um compromisso em Natal (RN) para atender ao convite da Globo.

A carta

Mas o que teria motivado o "desconvite" repentino ao juiz?

Em um primeiro momento, tanto Vieira quanto Frei Xavier desconfiaram de uma possível pressão por parte de uma importante organização ruralista, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), cujo vice-presidente enviou uma carta a Jô Soares reclamando da "parcialidade" com que a temática vem sendo tratada em seu programa.

Questionada sobre esta carta pela reportagem da Agência Carta Maior, a primeira reação de Porlan foi de surpresa: "Como vocês sabem disso?".

Ao pedido da reportagem para que confirmasse ou negasse que uma organização ruralista havia escrito ao programa, a produtora respondeu que havia sim "uma carta", mas negou saber quem era o remetente.

Logo após a conversa com Porlan, a reportagem resolveu tirar a questão a limpo com o próprio missivista, o vice-presidente da CNA, Rodolfo Tavares.

Confirmando de imediato ter escrito ao Programa do Jô, Tavares disse que os ruralistas se sentiram incomodados com a "parcialidade" com que a questão do trabalho escravo estaria sendo tratada pelo apresentador, que, semanas antes, entrevistou outro representante da CPT sobre o tema.

Segundo ele, a sociedade deveria ouvir outros setores da economia para poder formar uma opinião.

"Entendemos que a visão sobre o assunto deve ser plural, e que outros setores da sociedade têm que participar do debate. Veja bem, o avanço da agricultura está incorporando grandes áreas (na Amazônia), onde há problemas, onde a população não é fixa, como nos centros urbanos, o que complica as relações de trabalho. Começando pelo fato de que estas relações se iniciam muitas vezes em outros Estados. O empregador, nestes casos, não tem que apenas pagar uma passagem de ônibus, tem que construir alojamentos, cozinha. E aí a atuação do Ministério do Trabalho gera imensas dificuldades para o empregador. Não que qualquer coisa justifique o trabalho forçado, mas o Governo esteve ausente destas áreas por 500 anos, e ainda falta muita informação", argumenta Tavares.

Esta posição acabou indignando o próprio Jô Soares, que, no programa da quarta, abriu a entrevista de Frei Xavier com a leitura da carta de Tavares.

"O Sr. Rodolfo Tavares fala de unilateralidade na abordagem do tema. Não entendi o que quis dizer, ‘de forma unilateral‘. Que outro lado existe aqui? Do outro lado teria que ter um feitor, então? Esse aqui é um fórum aberto à discussão, mas nesse caso não há o que discutir. Infelizmente, não posso trazer ninguém contra [à condenação do trabalho escravo]", afirmou Jô.

Sobre a confusão referente à entrevista com Vieira, Frei Xavier disse à Agência Carta Maior, logo após a gravação do programa, no final da tarde, que também estranhou a sua exclusão.

Acrescentou que foi avisado pela produção do programa que trechos de sua entrevista que citavam nomes de fazendeiros seriam cortados.

"Não entendi porque. Afinal, são informações de domínio público. Mas, a bem da verdade, acho que todas as decisões do programa sobre esta entrevista foram tomadas pela produção. Não senti nenhuma pressão externa", diz Xavier.

O juiz Jorge Vieira vê o incidente com alguma preocupação, principalmente porque, para ele, a questão do trabalho escravo é um tema abrangente, objeto de muito preconceito.

"A coisa não começa e termina naquelas fazendas no Pará (autuadas por trabalho escravo). Há uma infinidade de interesses envolvidos.

Mas agora não acredito que a Rede Globo cancelou a minha entrevista por causa dessa cartinha que chegou lá.

Deve ter havido outra fonte de maior influência. Um programa com essa credibilidade, se não me queria, não deveria ter me convidado. Só posso citar Camões: quando um poder mais alto se alevanta, alguém tem que encolher".

mst.org (fonte: ag. carta maior)

 

Massacre dos fiscais

Fiscais do trabalho que denunciavam trabalho escravo são assassinados em Unaí

“Eles são verdadeiros heróis.” A frase é da coordenadora da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, Patrícia Audi, sobre os funcionários de grupos móveis de fiscalização de trabalho, que desde 1995 já libertaram 40 mil pessoas da escravidão nos rincões brasileiros.

“Eles passam 15, 20 dias na mata, em lugares longínquos, hostis, sempre sujeitos à violência. Tudo para resgatar trabalhadores”, explica.

O País perdeu três desses heróis, num crime que descortinou a gravidade do problema e surpreendeu até os ativistas ligados à questão do trabalho escravo.

Este é o primeiro caso de assassinato de fiscais do trabalho no País: “Não imaginava que isso pudesse acontecer em Minas Gerais”, espanta-se Frei Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ameaçado de morte por militar contra as condições subumanas de trabalho no Tocantins.

Assim como ele, o fiscal da Delegacia Regional do Trabalho de Minas, Nelson José da Silva, 53 anos, também havia recebido ameaças, mas não se intimidou.

Em sua última operação, no noroeste mineiro, ele e os colegas Eratóstenes de Almeida, 42 anos, João Batista Lage, 51, e o motorista Aílton Pereira de Oliveira, 52, morreram assassinados numa emboscada, com tiros na cabeça, num trevo da MG-188 entre as cidades de Paracatu e Unaí.

Aílton foi socorrido, mas morreu no Hospital da Base Aérea, em Brasília. O caso levou o novo ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, e o secretário nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, a desembarcarem no local do crime pouco tempo depois.

O governo está tratando o assassinato da equipe de fiscalização trabalhista como um atentado contra o Estado.

“Foi um crime contra o estado de direito”, protestou Nilmário, convencido de que o crime foi planejado.

Berzoini seguiu na mesma linha e avisou: “Haverá reação à altura. Vamos descobrir os responsáveis.”

O presidente Lula, que estava em Genebra, advertiu que não recuará da fiscalização. “Estamos no século XXI e não é possível que se mate alguém por coibir o trabalho escravo”, disparou.

A maioria das denúncias de trabalho escravo, recebidas pela CPT, trata de fazendas no Pará, em Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, enquanto Minas é conhecida por exportar esse tipo de mão-de-obra.

Ou seja, por lá os chamados “gatos”, intermediários dos fazendeiros, aliciam miseráveis e os transportam para seus futuros locais de trabalho.

No ano passado, 229 denúncias envolviam, juntas, 7.795 trabalhadores.

Em 149 fazendas, foram libertadas 4.970 pessoas – 36% delas no Pará. Em Minas, a força-tarefa, criada por José Alencar para apurar o crime – integrada pela Polícia Federal, Rodoviária, Civil e Militar de Minas e pelo Ministério Público do Trabalho – encontrou suspeitos: fazendeiros e “gatos” que vinham sendo investigados por Nelson, da Sub-Delegacia Regional do Trabalho em Paracatu.

Frei Xavier também lembra que em novembro de 2002 o prefeito de Unaí, Josebraz da Silva, esteve envolvido em denúncias de trabalho escravo na Fazenda Boa Esperança, em Canaã dos Carajás (PA), da qual seria proprietário. “Ele teve R$ 280 mil bloqueados pela Justiça”, conta.

O Brasil é um dos poucos países que reconhecem a existência de
trabalho escravo em seu território. Estima-se que cerca de 25 mil pessoas trabalhem neste regime, segundo a CPT.

A definição de “escravo” não quer dizer apenas ausência de remuneração ou devínculos legais.

Significa ter a liberdade cerceada, trabalhar sob ameaça de violência física e psicológica, receber punições severas.

A forma mais comum de recrutamento é a tal que se conhece há 30
anos, quando se descobriu o primeiro caso.

Os “gatos” oferecem um salário, mas o trabalhador nunca vê a cor do dinheiro porque passa a “dever” ao patrão mais do que teria a receber: transporte, alimentação, roupas.

Além disso, está sempre vigiado, muitas vezes por homens armados, e é impedido de deixar o lugar enquanto o serviço não terminar. “Isso é inaceitável!”, esbraveja Frei Xavier.

Mas sua indignação tem recebido pinceladas de otimismo nos últimos anos. Ele acredita que as demonstrações de poder por parte dos fazendeiros são um sinal de que o governo vem apertando o cerco.

“As fiscalizações aumentaram e a visibilidade dos casos está maior do que nunca. Isso está suscitando a resistência dos criminosos”, afirma Frei Xavier. Só em 2003, as indenizações somaram mais de R$ 4 milhões.

Outras iniciativas do governo têm animado os ativistas. Em maio/2003 , o presidente Lula lançou o Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo e, em novembro/2003, divulgou uma “lista suja” com 52 empresas e empregadores condenados por essa prática, proibidos de receber financiamento público.

Mesmo assim, os ativistas são unânimes em dizer que o trabalho escravo só acabará quando esses homens e mulheres tiverem outra perspectiva que não apenas a de se sujeitarem à escravização em troca de comida.


CEDEFES (fonte:terra.com.br)

Comentarios (5)Add Comment
Alzira Nogueira da Silva
escrito por Visitante, 2005-05-18 15:03:37
O meu comentário é simples ,triste,e verdadeiro,,.Até quando vamos esperar pela justiça? Nós perdemos os fiscais,e motorista,os culpados sem exeção tem que ser condenadfo,ninguém imagina o nosso sofrimento pela falta de nosso Nelson,que era uma pessoa religiosa,de bom coraçao,é triste e revoltante,esta cidade cheira sangue,e este sangue clama justiça,o povo de Unaí com exeção,foi covarde ,até os pobres nao deram crédito ao assassinato,Sou temente a Deus mais,estou tão revoltada.e olha que ja tem um ano e quase 04 meses, a minha dor é como se tudo tivesse acontecido hoje.Eu odeio minha cidade.cidade sanguinária.Eu quero justiça....
Esperamos justia clere
escrito por Visitante, 2005-05-23 20:16:44
É realmente triste que mais de ano após a chacina de Unaí não tenha havido o julgamento dos acusados de crime tão bárbaro contra o Estado, contra os direitos humanos (não só dos funcionários públicos que faleceram, mas de todos os trabalhadores que os irmãos milionários mantinham em condições de trabalho indignas, mesmo dispondo de tanta riqueza). O exercício do mandato até a presente data pelo prefeito Antério Mânica é um acinte a toda a população brasileira. É realmente triste que uma cidade tão promissora quanto Unaí fique marcada por chancelar, através de sua representação política, crime tão hediondo contra a humanidade.
Onde est a justia
escrito por Visitante, 2005-08-17 14:19:54
Estou aqui somente para deixar meu pequeno comentrio sobre esse terrivel massacre dos fiscais... Minha gente... onde est a justiᡧa do nosso pas?? realmente muito triste o que aconteceu e o que anda acontecendo...
Trabalho escravo
escrito por Visitante, 2005-08-17 14:44:08
O que fica como lição dessa tragédia com os fiscais do trabalho é
que o governo Lula deve prestar mais atenção nos conflitos sociais
no campo. A inércia dos governos estaduais e federal, no que tange
ao melhor aparelhamento estatal para coibir essa prática odiosa que
é a escravidão em pleno século XXI, só corrobora a tese de que
somos cercados de políticos que são ótimos de retórica, mas pobres
de ações concretas para as verdadeiras mazelas sociais. “O massacre dos fiscais”
BBB 9
escrito por Márcia Helena, 2008-01-17 16:54:49
Olá pessoal de televisão e produção do BBB, infelizmente não fui selecionada p/ participar desta maravilha de casa.Já enviei 4 formulários e não vou desistir. Por que meu lema e querer, poder e conseguir com garra e determinação e sem passar por cima de ninguém. Bom! realmente só queria uma oportunidade já que nunca ganhei em jogo nenhum, gostaria de tentar jogar este jogo e mostrar p/ algumas pessoas quem eu sou, como sou e o que vou mostrar dentro da casa. O que não falta em mim e criatividade. Adoro brincar, fazer surpresas inesperadas, não sou inteligente mais o meu modo de pensar vai mudar muitas opiniões ao meu respeito. Sou mãe e quero entrar na casa com um único objetivo; ganhando este dinheiro para manter meu filho em uma ótima escola, educação escolar e tudo, não tenho um estudo legal por que sou uma mulher sonhadora e gosto de fazer o que me der na telha, mais com moderação e respeitando o espaço dos outros. Não tenho um corpo nossa!!! que maravilha de mulher mais sou bonita. Mais não e isso que conta né? e sim a simplicidade, carisma, alto astral enfim ... uma pessoa positiva e alegre p/ alegrar e agitar esta casa mais vigiada do que nunca vimos igual. Bom!! querem provas do que estou falando? Bom!! só tentar me escolher p/ uma entrevista comigo ou com amigos próximos ou não muito próximos e vcs vão saber como sou . Trabalho em um Sindicato de Editores de Livros , muitos me chamam de Helena Naja ... mais meu nome verdadeiro e Márcia Helena... gosto que me chamem de Helena ou pelo meu apelido ( NAJA ) Naja ? por que Naja? Rsrsr... Bom!! me apelidaram por que amo meus olhos e adoro pintar-los, e fico com um olhar de cobra rsrsr... olhos puxados e penetrantes rsrsr... e o que falam... Bom! tenho 29 anos, trabalho como Recepcionista há 4 anos no (SNEL) Rio de Janeiro. Amo o que faço. Tenho um filho de 11 anos, namoro 1 ano e 4 meses. Moro cozinha com meu filho no bairro de Brás de pina Rio de Janeiro , Minha família e pequena mais e tudo que tenho, gostaria de comprar um terreno enorme p/ que eu sinta minha família bem próxima de mim, este dinheiro vai abrir muitas portas ... sei que dinheiro tb não e tudo, mais adianta muito quando estamos em dificuldades né?
Bom! falei muito de mim, mais não o bastante p/ me conhecer melhor... quer me conhecer só mais um pouquinho? Ok!! meu e-mail : Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso ou pode me encontrar e falar comigo no MSN : Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso ou me encontrar no Orkut : só procurar por Helena naja .... vc vai encontrar uma palavra escrito =-) NAJA bem grande =-)

Bom!! tenho que trabalhar um pouquinho se não o trabalho não rende né? bjks e tenho muita fé e esperança que tudo tem sua hora... quem sabe a Red Globo me chame p/ o próximo BBB 9 né? 1.0000 bjks p/ todos e muita luz no coração de cada um de vcs... fuiiiiiiii

Ass: Helena Naja =-)

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