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Amazônia em Chamas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Da Redação   
Sunday, 31 October 2004

Incêndios em áreas agrícolas, protegidas e indígenas do Brasil aumentaram 16,7% neste ano. Foram registrados até 21 de outubro 162.289 focos de calor. Mato Grosso lidera o ranking, seguido pelo Pará, Rondônia e Tocantins.

Os incêndios provocados em áreas de produção agrícola e pecuária, terras indígenas e áreas protegidas aumentaram 16,7% em todo o país neste ano.

Com base nas imagens do satélite americano NOAA-12, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), registrou, até o último dia 21.out.2004: 162.289 focos de calor. No mesmo período de 2003, os focos de calor atingiram a marca de 143.440.

Segundo informou à Agência Brasil (ABr) o coordenador do monitoramento de queimadas do Inpe, Alberto Setzer, o aumento verificado evidencia não só o crescimento da expansão agrícola e o uso cada vez mais freqüente do fogo como forma de preparar o solo, mas principalmente a pressão por áreas protegidas na forma de unidades de conservação, sejam federais ou estaduais.

Os focos de calor nas áreas protegidas, até 10 de outubro, alcançavam a cifra de 13.002, número 21% maior que o de 2003.

"Para defender as queimadas, o setor agropecuário alega que há um retorno benéfico para a sociedade, com mais alimentos, mais produção", conta o pesquisador. Setzer usa o índice das queimadas nas unidades de conservação para mostrar que a agricultura não pode ser justificativa para a destruição de florestas.

"Se nem nas áreas protegidas se consegue controlar queimadas, e se esse número só aumenta, então há algo errado nesse discurso", avalia.

Técnicos do Cptec comprovaram que os incêndios em coberturas vegetais quase sempre são provocados. A ocorrência natural de queimadas em florestas é muito menos freqüente, conforme explica Setzer.

O fogo pode ser provocado por raios que, numa área como o cerrado, com uma estação seca bem definida e outra chuvosa, chegam a resultar em queimadas no máximo três vezes a cada década.

Já os incêndios nas áreas protegidas ocorrem devido a invasões. O fogo sai do controle de caçadores e pescadores que entram nas unidades de conservação e preparam fogueiras para se aquecer ou para o preparo de alimentos.

E há casos de unidades de uso misto (proteção ambiental e uso econômico), áreas de litígio e invasões por parte de agricultores totalmente ilegais.

Desmatamento - O aumento do número de focos de incêndio na região amazônica já era esperado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

De acordo com o diretor de Proteção Ambiental do órgão, Flávio Montiel, no ano passado foram desmatados mais de 25 mil quilômetros quadrados de floresta e "toda vez que isso ocorre há um aumento proporcional de focos, decorrente do acúmulo de matéria orgânica seca", disse.

Além disso, também aumentou o número de focos em áreas de produção agrícola, já desmatadas anteriormente.

Do total de 25 mil quilômetros quadrados de floresta desmatada, o Estado de Mato Grosso responde pela maior parte, seguido pelo Pará e pela região sul do Amazonas (leia ao lado esquerdo).

Segundo o Ibama, esse índice de desmatamento é o maior registrado nos últimos anos e ocorre principalmente por causa das frentes de expansão de áreas agrícolas, com o estímulo dos governos estaduais.

Mas o problema não está na falta de fiscalização, e sim no não cumprimento da legislação ambiental por parte dos Estados. Pela legislação brasileira, cabe ao Ibama garantir a preservação das áreas de proteção ambiental e da União, restando aos Estados a tarefa de fiscalizar outras áreas.

De acordo com Flávio Montiel, o governo está ampliando o plano de combate ao desmatamento e intensificando a fiscalização. Uma ação inédita no país integra diversos órgãos de governo no processo de fiscalização, ao mesmo tempo que mapeia a situação da área.

Só neste ano foram aplicados mais de R$ 250 mil em multas (a Lei de Crimes Ambientais, número 9.605, fixa penas de três a seis anos de prisão e multas que podem variar de R$ 50,00 a R$ 50 milhões).

A área desmatada já foi reduzida em quatro quintos na comparação com o ano anterior. Essa ação, no entanto, não está sendo eficaz para o controle das chamas.

Incêndios devem superar recorde

A cada dia fica mais provável que 2004 baterá o recorde de incêndios dos últimos cinco anos, período em que o monitoramento dos focos se intensificou através de satélites. A liderança do ranking das chamas, por enquanto, é de 2002, com 234.373 registros.

Neste ano, até o dia 20 de outubro, os satélites haviam detectado 179.710 focos. Se o aumento verificado até agora for mantido em novembro e dezembro, o ano deve encerrar com mais de 240 mil incêndios.

Mas esse número pode ser até cinco vezes maior, conforme estimativas de técnicos do Inpe. Para dar uma dimensão do descontrole, em 2000 foram captados 102.841, menos de a metade deste ano.

No campeonato estadual da fumaça, Mato Grosso está à frente com grande vantagem. Neste ano, foram registrados naquele Estado mais de 70 mil focos (40% do total e 40% a mais do que em 2003). Só em setembro foram mais de 24 mil - Rio Grande do Sul e Santa Catarina, juntos, não tiveram 200.

Em seguida aparecem Pará (quase 30 mil focos até dia 21), Rondônia (cerca de 20 mil) e Tocantins (mais de 15 mil). Mato Grosso e Pará integram a área denominada Amazônia Legal, onde o fogo é mais intenso.

O acompanhamento permanente feito pelo Cptec-Inpe permite não apenas observar os focos como também prever situações de risco.

Esse serviço indicava, na quinta, 21, à tarde, que naquele momento havia no Brasil 1.367 incêndios. No Rio Grande do Sul, uma pequena área tinha alto risco.

As projeções para o dia seguinte indicavam que as chamas tomariam boa parte do território de Mato Grosso, conforme mostram os mapas abaixo.

Atividade ilegal pode elevar focos a 1 milhão

A Amazônia não tem apenas o maior número de incêndios do país. A região registra neste ano também o mais elevado índice de crescimento da atividade ilegal, em comparação com 2003.

Dados do Programa de Prevenção e Controle de Queimadas e Incêndios Florestais na Amazônia Legal (Proarco), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mostram que o satélite NOAA-12 captou 116.574 focos de calor até setembro na região.

Houve um crescimento de 19% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados do Inpe para todo o Brasil explicam o fenômeno que ocorre na Amazônia. Mato Grosso e Pará, campeão e vice, respectivamente, em número de focos de calor, estão no perímetro que define a Amazônia Legal e foram incluídos no que o governo batizou de Arco do Desflorestamento, área onde a pressão pelo uso da terra é mais intensa e, portanto, onde é maior o nível de desmatamento e o índice de focos de calor.

O coordenador de monitoramento de queimadas, Alberto Setzer, enfatiza que os dados podem ser ainda mais impressionantes se forem somadas as imagens coletadas por outros satélites que cobrem o território brasileiro, o NOAA-16, o Terra, o Acqua e o GOES-12.

"Quando somamos todas elas, que perfazem horários diferenciados ao longo do dia, temos quase 1 milhão de focos de calor até outubro no país", revela.

O coordenador conta que o uso do fogo é indiscriminado em todo o Brasil.

"Até no Vale do Paraíba, onde o nível industrial é grande, os agricultores ateiam fogo na vegetação. A situação é genérica e sem controle", observa.

Para o pesquisador, os dados mostram uma realidade contraditória. O Brasil tem um nível de monitoramento sem igual no mundo, com informações atualizadas diariamente e oferecidas por meio eletrônico para qualquer usuário, de qualquer parte do mundo. Mas o país colabora em nível muito alto nas emissões de gás carbônico por não conseguir controlar as queimadas.

"A fumaça preta é prejudicial de qualquer forma. Se um carro está soltando fumaça, os departamentos de Trânsito de cada Estado ou secretarias estaduais de Meio Ambiente vão multar.

Mas o que fazer no caso da fumaça emitida pelas queimadas, que fazem mal à saúde, à camada de ozônio e ao meio ambiente tanto quanto à fumaça que sai dos carros?", questiona Setzer.

Homem abusa da capacidade da Terra

Apesar de sua dimensão continental e de comprovadas riquezas, o Brasil utiliza mais recursos naturais do que tem.

Em média, são usados 2,2 hectares de terra por pessoa, quando o ideal seria 1,8 hectare per cápita. A conclusão está no relatório divulgado na semana passada pelo grupo ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

O brasileiro segue a tendência mundial, mas com o diferencial gerado pela expansão exagerada do cultivo de soja, que aumentou até 60 vezes de 1961 a 2001.

A ONG diz que o avanço da cultura da soja contribuiu para a destruição florestal, principalmente no Cerrado.

Em 1961, 240 mil hectares eram usados para a produção de soja. Em 2001, esse número chegava a 14 milhões de hectares.

O estudo da WWF visa elaborar o que a organização chama de Ecological Footprint ou Pegada Ecológica.

Esse método estima a quantidade de terra necessária para prover a cada pessoa recursos como comida, energia, transporte ou roupas, assim como a capacidade de o ambiente absorver o lixo e a poluição que cada pessoa produz.

O volume de terras disponíveis na Terra é calculado ao dividir os 11,3 bilhões de hectares de terra produtiva e espaço marítimo entre os 6,1 bilhões de habitantes do planeta.

A WWF (ONG), concluiu que a humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que a Terra tem capacidade de oferecer.

O impacto da humanidade sobre a Terra, ou "Pegada Ecológica", aumentou 160% desde 1961. O efeito desse quadro é a criação de um déficit ecológico que só poderá ser pago se for restaurado o equilíbrio entre recursos naturais consumidos e capacidade da Terra de renová-los.

O Brasil ocupa a 60ª posição no ranking de 149 países avaliados.

A posição piora quando o uso de recursos naturais relacionados à produção de alimentos, fibras e madeira é avaliado, com o Brasil ficando com a 27ª posição.

Apesar de estar acima do nível desejável, a "Pegada Ecológica" do Brasil está abaixo da registrada em outros países.

Os norte-americanos são os maiores consumidores de recursos naturais do planeta, com o equivalente a 9,2 hectares por pessoa, o dobro do consumido pelos europeus e sete vezes mais do que a média registrada na Ásia e na África.

O estudo apurou ainda que o maior crescimento se dá no uso de combustíveis fósseis (gás, carvão e petróleo). A "Pegada Ecológica" nesse setor aumentou 700% entre 1961 e 2001.

Outra conclusão preocupante: de 1970 a 2000 as populações de espécies terrestres diminuíram 30% e as de espécies que vivem na água, 50%.

 

por Helena Palmquist

Técnicos já identificam quem iniciou o fogo

Todos os dias, desde 1994, entre o final da tarde e o início da noite, o satélite NOAA-12 passa em sua órbita por sobre o Brasil, registrando os focos de calor em todo o País.

Cerca de 20 minutos depois da passagem, as informações já estão sendo repassadas pela internet para todas as entidades e instituições que atuam no combate às queimadas. Com a organização de bancos de dados cada vez mais detalhados, o Ibama já consegue identificar com precisão até a propriedade rural onde se originou o incêndio florestal.

Segundo o Inpe, não existe queimada espontânea em período de seca. O fogo na mata só começa espontaneamente com um raio, o que nunca acontece no verão.

"Se pegar fogo na época chuvosa, a própria natureza controla. Na época seca, são as pessoas que queimam. E aí fica muito difícil controlar", explica Alberto Setzer.

É onde entra o Ibama, cruzando as informações do satélite com dados do Incra e colocando a fiscalização em campo para autuar e multar os pequenos e grandes proprietários que insistem em usar o fogo.

"É possível localizar até a propriedade. Geralmente quem desmatou no ano passado, e temos como saber se já foi autuado por isso, esse ano está queimando.

Se não conseguimos pegar o infrator antes, conseguimos pegar durante a queimada. Assim, vamos inibindo o fogo", explica Edson Cruz, da fiscalização do Ibama.

O cientista do Inpe aponta outros fatores, além do clima, para o aumento das queimadas. "

Até 17 anos atrás, a sociedade brasileira menosprezava o problema. De dez anos para cá, todo mundo já sabe o que é queimada. Virou uma preocupação nacional e podemos até dizer que existe unanimidade contra as queimadas. Apesar disso, e da legislação contrária, não estamos conseguindo minimizar o problema", lamenta Setzer.

Segundo ele, fatores econômicos e políticos também contribuem para o aumento das queimadas. Ele avalia que a polêmica em torno do novo Código Florestal, que pode aumentar a reserva legal obrigatória nas propriedades rurais, pode ter causado um aumento do uso do fogo.

"Os proprietários podem pensar em queimar mais, antes que o Código seja aprovado. E os problemas econômicos também pioram a situação, porque com menos dinheiro, os agricultores recorrem com mais intensidade ao fogo para fazer a lavoura, o que é bem mais barato", explica.

O certo é que, a longo prazo, além do risco de incêndios florestais, as queimadas acabam provocando prejuízos à imagem do Brasil no exterior, porque o fogo na floresta é responsável pela maior parte das emissões de carbono do País.

E a agricultura também sai perdendo, com o solo ficando cada vez mais empobrecido pela ação das chamas.

 

 

est edições/amazonpress

Comentarios (11)Add Comment
Amaznia em chamas
escrito por Visitante, 2004-11-05 20:41:38
O presidente da SBPC Ênio Candotti, disse que se houvesse um tribunal internacional para crimes ambientais, nós, brasileiros, seríamos condenados sem que tivéssemos riscado nenhum fósforo, apenas com os crimes na Amazônia.
Reginaldo Marinho
...
escrito por Guest, 2006-02-17 15:43:53
Olha esse site est muito fixe!!!
site muito bom
escrito por Tiago, 2006-08-03 00:57:09
eu gostei do site, smilies/smiley.gifmais naum encontrei o q queria smilies/sad.gif :'(

mesmo assim o site eh mto bom! smilies/grin.gif
...
escrito por punheta, 2007-04-09 23:38:41
sexo é otimo
...
escrito por Alexandre, 2007-04-10 00:55:53
tem gente q nao tem uq faze
graficos
escrito por lucas, 2007-10-16 16:09:10
faltou graficos!!

naum achei o q eu keria achar smilies/angry.gif
Não gostei...
escrito por Witta, 2007-11-21 20:49:45
Procuro uma coisa e acho outra totalmente diferente!!! smilies/angry.gif
CADASTRO DO BOLSA FAMILIA
escrito por fERNANDA B.DE OLIVEIRA, 2008-05-02 04:44:21
QUERIA SABER COMO FAÇO PARA CADASTRA MINHA SOGRA NO BOLSA FAMILIA,POS ELA ESTÁ SEM DESEMPREGADA E TEM DUAS FILHAS DE 10 ANOS E O MARIDO DELA TAMBÉM ESTÁ DESEMPREGADO ELA ESTÁ EM UMA SITUAÇÃO MUITO DIFICIL,ESTÁ PRECISANDO MUITO DA AJUDA DE VCS .
MANDA PRA MIM POR FAVOR COMO FAZER PRA INSCREVER ELA NO BOLSA FAMILIA
DESDE JÁ AGRADEÇO A COMPREENÇÃO
que des piii
escrito por mamae, 2008-07-02 21:24:47
essa coisa de menor de 12 anos de novela é um terror
que saco!!
escrito por Miwako, 2008-08-27 00:27:25
naum gostei procurei uma coisa e achei outra smilies/angry.gif
mas pode ser q uma hora eu ache algo que eu queira nele smilies/smiley.gif
...
escrito por Débora, 2008-11-02 14:40:48
Falta gráficos, hein.

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