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A
caminhada do Brasil para se aproximar dos países com os mais
elevados IDH - índices de desenvolvimento humano do mundo ainda
é muito longa e cheia de percalços. Projeção revela que
indicadores só serão iguais aos de países ricos em 2050.
Esta é a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), feita a partir, principalmente, do resultado
do Censo 2000 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio de
2003.
A menos que o país modifique suas tendências demográficas
nas próximas décadas, somente em 2050 a expectativa de vida do
brasileiro será de 81,2 anos, muito próxima da realidade do Japão,
que tem a maior esperança de vida do mundo, 81,6 anos, segundo a
Organização das Nações Unidas (ONU).
Uma pergunta é inevitável: mas e o Japão também continuará
melhorando seu índice? Sim, porém, em ritmo menor: a
expectativa de vida japonesa estimada para 2050 é de 88 anos. A
diferença permanecerá, mas será bem menor.
O mesmo vale para os outros países que estão nas principais
posições do ranking mundial desse indicador, como: Suécia,
Hong Kong, Islândia e Canadá.
Hoje o Brasil ocupa a 89ª colocação nesse mesmo ranking,
com a expectativa de vida de 70,4 anos, dado de 2000.
Os últimos três lugares são da Zâmbia (195º), com 32,4
anos; Zimbabwe (194º), com 33,1 anos; e Serra Leoa (193º), com
34,2 anos de esperança de vida.
Pelas projeções do IBGE, dentro de 46 anos a expectativa de
vida das mulheres brasileiras será de 84,54 anos e a dos homens,
de 78,16 .
O país só vai ultrapassar a barreira dos 80 anos nesse
indicador em 2041.
Mortalidade
O quadro praticamente se repete quando se avalia a mortalidade
infantil. De acordo com o IBGE, sem ações efetivas e com
continuidade a mortalidade infantil no Brasil, que em 2000 era de
30,1 mortos com menos de um ano de idade por grupo de 1.000
nascidos vivos, e hoje está em 29,7, só cairá para 6,4 por
1.000 em 2050.
Essa taxa, para dar uma idéia de como é delicada e
preocupante a situação brasileira atual, e apesar da
significativa queda, ainda será o dobro daquela dos países que
hoje apresentam os melhores índices - Cingapura, Japão, Islândia
e Suécia.
Ficará um pouco abaixo da média atual dos países
desenvolvidos, que segundo estudos feitos tendo como base dados
da ONU, é 7 por 1.000.
Em 2050, os países hoje melhor posicionados também terão
diminuído suas taxas. Mas, seguindo o mesmo que deve ocorrer com
a esperança de vida, o ritmo será menor.
O Japão, por exemplo, terá 2,6 mortos com menos de um ano
por 1.000 nascidos vivos. Isso não quer dizer que o Brasil avançará
mais que as nações ricas. É que países como o Japão e outros
com elevadíssimos índices de desenvolvimento humano estão
muito próximos do limite.
A redução de 3,2 mortos por 1.000 para 2,6 exige um custo
altíssimo em pesquisas, porque as causas dessa mortalidade não
são tão evitáveis como as que são constatadas em países
pobres ou em desenvolvimento.
O Brasil, por exemplo, pode diminuir a mortalidade infantil
investindo em serviços básicos, como esgoto, abastecimento de
água, destinação adequada do lixo, educação, moradia, deficiências
que são muito fortes por aqui mas que praticamente inexistem na
Suécia, Finlândia, Suíça e outras nações classificadas como
de 1º Mundo.
É em obras que resolvam os problemas da infra-estrutura à
disposição da população que o Brasil precisa investir para
melhorar, com menor espaço de tempo, seus indicadores sociais.
via-rs
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