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A história de uma nação não se constrói com campanhas
publicitárias.
Os marqueteiros acostumados a tratar políticos com a mesma
indiferença com que tratam sabonetes ou garrafas de cerveja,
quando o que lhes interessa é o lucro; agora, pretensiosamente
usam a força da publicidade para convencer a sociedade de que
somos um povo feliz e bem sucedido.
O presidente da República ao falar sobre o tema, meses atrás,
afirmou que ninguém deveria começar o dia, nem ir para a cama
com mau humor.
Dei-lhe razão, ninguém pode produzir bons resultados se não
está satisfeito consigo mesmo e com os seus direitos garantidos.
Graves doenças são decorrentes do desequilíbrio emocional,
gerando uma cadeia interminável de danos à estima nacional.
No Brasil, ... os serviços públicos são privados.
As operadoras de telefonia são soberanas, a agência que as
controla está sempre em defesa delas.
O governo defende a manutenção de contratos lesivos à
população. Elas conseguem aumentar as suas tarifas muito acima
da inflação, os serviços são precários, a ponto do programa
humorístico de maior audiência da TV criar um quadro para
debochar dos brasileiros que têm que suportar esse tratamento
que recebem das empresas.
As companhias que operam no Brasil agem de forma respeitosa
nos países de origem, em função da competitividade, enquanto
que no Brasil elas operam como poderosos cartéis.
Postos de trabalho foram eliminados em prejuízo do
atendimento.
Os transportes urbanos são deficientes.
Um trabalhador perde longos períodos de seu tempo a espera de um
ônibus que o leve para o seu serviço. Ninguém controla isso.
Nas cidades do Nordeste, os motoristas conduzem os veículos
como se transportassem cargas inanimadas.
Na maioria das cidades, as crianças com idade inferior a sete
anos, para terem direito à gratuidade garantida por lei, têm
que rastejar como serpentes porque os empresários fazem o que
querem para impedir que os direitos das crianças sejam cumpridos
e colocam extensões nas catracas de controle próximas do piso.
Qual criança pode crescer com orgulho se todos os dias para
ir à escola tem que arrastar o peito no chão de um ônibus, por
causa da voracidade empresarial e da falta de consciência dos
governantes?
O leite em pó consumido pela população infantil contém doses
excessivas de conservantes.
Os fabricantes de biscoitos de marcas populares também
carregam no uso de conservantes, pondo em risco a saúde de toda
a população, particularmente os mais pobres.
Por outro lado, as cervejas fabricadas no Brasil, produzidas
artificialmente, precisam de elevadas quantidades de conservantes
para garantir o consumo de um produto quimicamente instável, por
longos períodos.
Esses conservantes, quando registrados nas respectivas
embalagens, se apresentam na forma de códigos que ninguém
entende. Estamos consumindo química.
Por muito tempo os brasileiros de baixo poder aquisitivo, os mais
vulneráveis, consumiram um conhaque cujo
rótulo trazia uma descrição com letras invisíveis a olho nu destilado
de cana-de-açúcar com gengibre.
Essa fraude só apareceu porque os franceses proibiram,
através da Justiça brasileira, a venda daquele produto.
Nenhum órgão brasileiro defendeu o consumidor nacional.
O pão dispensa qualquer comentário. É tão visível o excesso
de química usada em sua fabricação.
E a manteiga? Quanto é difícil encontrar uma marca de
qualidade. Aquele creme que compramos parece com manteiga. Não
tem sabor nem aroma de manteiga, apenas o nome. Até a cor
amarela é artificial, na maioria das marcas.
Depois que a população passou a confundir margarina com
manteiga; os fabricantes se consideram descomprometidos em
oferecer um produto original.
Em todos os casos quem sai perdendo é a saúde do povo
brasileiro.
Estamos submetidos a toda sorte de fraudes. Ninguém nos
defende. O cidadão foi substituído pelo contribuinte. Isso é o
que interessa ao Estado arrecadador.
E a auto-estima se degrada. No faroeste havia mais regras do
que no Brasil de nossos dias.
Creio que chegou a hora de ampliar o debate a respeito da
necessidade do Brasil implantar um programa conseqüente de
valorização de tecnologias nacionais. Num país em que as suas
elites políticas confundem diariamente, na televisão,
desenvolvimento sustentado com desenvolvimento sustentável.
É preciso criar a massa crítica necessária para entendermos
que tecnologia com educação foram os principais vetores usados
pelos países que adotaram o caminho do desenvolvimento. Nesse
cenário, vemos a China, Coréia do Sul e a Índia.
Reginaldo Marinho, é pesquisador da UFPB; Pesquisador
premiado com medalhas de ouro em exposições tecnológicas com
projetos na área de Engenharia Civil, Prêmios conferidos em
Genebra e Londres; Membro da Associação Brasileira de
Jornalismo Científico, tem coluna semanal na web.
Farol Eletrônico
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