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Baixa Auto-Estima: A Saída é Usar Marqueteiros? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Reginaldo Marinho*   
Saturday, 30 October 2004

A história de uma nação não se constrói com campanhas publicitárias.

Os marqueteiros acostumados a tratar políticos com a mesma indiferença com que tratam sabonetes ou garrafas de cerveja, quando o que lhes interessa é o lucro; agora, pretensiosamente usam a força da publicidade para convencer a sociedade de que somos um povo feliz e bem sucedido.

O presidente da República ao falar sobre o tema, meses atrás, afirmou que ninguém deveria começar o dia, nem ir para a cama com mau humor.

Dei-lhe razão, ninguém pode produzir bons resultados se não está satisfeito consigo mesmo e com os seus direitos garantidos.

Graves doenças são decorrentes do desequilíbrio emocional, gerando uma cadeia interminável de danos à estima nacional.

No Brasil, ... os serviços públicos são privados.

As operadoras de telefonia são soberanas, a agência que as controla está sempre em defesa delas.

O governo defende a manutenção de contratos lesivos à população. Elas conseguem aumentar as suas tarifas muito acima da inflação, os serviços são precários, a ponto do programa humorístico de maior audiência da TV criar um quadro para debochar dos brasileiros que têm que suportar esse tratamento que recebem das empresas.

As companhias que operam no Brasil agem de forma respeitosa nos países de origem, em função da competitividade, enquanto que no Brasil elas operam como poderosos cartéis.

Postos de trabalho foram eliminados em prejuízo do atendimento.

Os transportes urbanos são deficientes. Um trabalhador perde longos períodos de seu tempo a espera de um ônibus que o leve para o seu serviço. Ninguém controla isso.

Nas cidades do Nordeste, os motoristas conduzem os veículos como se transportassem cargas inanimadas.

Na maioria das cidades, as crianças com idade inferior a sete anos, para terem direito à gratuidade garantida por lei, têm que rastejar como serpentes porque os empresários fazem o que querem para impedir que os direitos das crianças sejam cumpridos e colocam extensões nas catracas de controle próximas do piso.

Qual criança pode crescer com orgulho se todos os dias para ir à escola tem que arrastar o peito no chão de um ônibus, por causa da voracidade empresarial e da falta de consciência dos governantes?

O leite em pó consumido pela população infantil contém doses excessivas de conservantes.

Os fabricantes de biscoitos de marcas populares também carregam no uso de conservantes, pondo em risco a saúde de toda a população, particularmente os mais pobres.

Por outro lado, as cervejas fabricadas no Brasil, produzidas artificialmente, precisam de elevadas quantidades de conservantes para garantir o consumo de um produto quimicamente instável, por longos períodos.

Esses conservantes, quando registrados nas respectivas embalagens, se apresentam na forma de códigos que ninguém entende. Estamos consumindo química.

Por muito tempo os brasileiros de baixo poder aquisitivo, os mais vulneráveis, consumiram um ‘conhaque’ cujo rótulo trazia uma descrição com letras invisíveis a olho nu ‘destilado de cana-de-açúcar com gengibre’.

Essa fraude só apareceu porque os franceses proibiram, através da Justiça brasileira, a venda daquele produto.

Nenhum órgão brasileiro defendeu o consumidor nacional.

O pão dispensa qualquer comentário. É tão visível o excesso de química usada em sua fabricação.

E a manteiga? Quanto é difícil encontrar uma marca de qualidade. Aquele creme que compramos parece com manteiga. Não tem sabor nem aroma de manteiga, apenas o nome. Até a cor amarela é artificial, na maioria das marcas.

Depois que a população passou a confundir margarina com manteiga; os fabricantes se consideram descomprometidos em oferecer um produto original.

Em todos os casos quem sai perdendo é a saúde do povo brasileiro.

Estamos submetidos a toda sorte de fraudes. Ninguém nos defende. O cidadão foi substituído pelo contribuinte. Isso é o que interessa ao Estado arrecadador.

E a auto-estima se degrada. No faroeste havia mais regras do que no Brasil de nossos dias.

Creio que chegou a hora de ampliar o debate a respeito da necessidade do Brasil implantar um programa conseqüente de valorização de tecnologias nacionais. Num país em que as suas elites políticas confundem diariamente, na televisão, desenvolvimento sustentado com desenvolvimento sustentável.

É preciso criar a massa crítica necessária para entendermos que tecnologia com educação foram os principais vetores usados pelos países que adotaram o caminho do desenvolvimento. Nesse cenário, vemos a China, Coréia do Sul e a Índia.

Reginaldo Marinho, é pesquisador da UFPB; Pesquisador premiado com medalhas de ouro em exposições tecnológicas com projetos na área de Engenharia Civil, Prêmios conferidos em Genebra e Londres; Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, tem coluna semanal na web.

 

Farol Eletrônico

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