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Um país tem pobreza quando existe escassez de
recursos ou quando, apesar de haver um volume aceitável de
riquezas, elas estão mal distribuídas. O Brasil não é um país
pobre, e sim um país desigual.
A pobreza existe quando um segmento da população é incapaz de gerar renda suficiente para ter acesso sustentável aos recursos básicos que garantam uma qualidade de vida digna.
Estes recursos são água, saúde, educação, alimentação, moradia, renda e cidadania.
Dentre os países em desenvolvimento, o Brasil ocupa o 9º lugar em renda per capita. Mas cai para o 25º lugar quando se fala em proporção de pobres.
Isso coloca o Brasil entre os países de alta renda e alta pobreza. Ao mesmo tempo em que está entre os 10% mais ricos, integra a metade mais pobre dos países em desenvolvimento.
Nosso país é um dos primeiros do mundo em desigualdade social. Aqui, 1% dos mais ricos se apropria do mesmo valor que os 50% mais pobres. A renda de uma pessoa rica é 25 a 30 vezes maior que a de uma pessoa pobre.
Na Suécia, a diferença de renda entre ricos e pobres é de no máximo seis vezes. Nos Estados Unidos e no Uruguai, de dez vezes.
Acabar com a pobreza em país rico com grande proporção de pobres requer recursos financeiros irrisórios. Há no País 56,9 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza e 24,7 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza.
Para se erradicar a extrema pobreza brasileira seria necessário não mais que 1% da renda do País.
Para se erradicar a pobreza seriam precisos 5%.
A renda média brasileira é seis vezes maior que o valor definido como linha de indigência. Ou seja, se a renda brasileira fosse igualmente distribuída, estaria garantido a cada pessoa seis vezes aquilo de que necessita para se alimentar.
Além da distribuição da renda, outro fator de desigualdade é a educação. Uma pessoa com mais anos de estudo ganha cerca de 15 vezes o que ganha uma pessoa sem nenhuma educação.
As crianças vêm de famílias em que os pais apresentam enorme diferença educacional, e esta diferença é transmitida desde o berço.
Parte-se de uma acentuada desigualdade, reproduzida pelo sistema educacional e ampliada por um mercado de trabalho altamente tecnológico.
Por ser tão escassa, a educação é super valorizada no mercado de trabalho. Pequenas diferenças educacionais são transformadas em enormes diferenças de renda.
Quantos pobres tem o Brasil? Conheça os dados que revelam a má distribução de riqueza no Brasil.

Brasil - Indicadores da desigualdade econômica
• São 56,9 milhões de pobres no Brasil, sendo 24,7 milhões de pessoas na extrema pobreza.
Quem são essas pessoas? a) Crianças (mais de 50% das crianças com até 2 anos de idade são pobres); b) Afrodescendentes (representam 45% da população total, mas 63% dos pobres e 70% dos indigentes); c) Nordestinos ou moradores das regiões metropolitanas do Sudeste; d) Membros de famílias chefiadas por adultos de baixa escolaridade; e e) Membros de famílias chefiadas por trabalhadores autônomos ou por empregados sem carteira assinada.
• Aqueles que compõem o 1% mais rico da população brasileira controlam aproximadamente 10% do PIB nacional, a mesma proporção que é controlada pelo 50% mais pobres da população.
• A renda per capita mensal necessária para que um indivíduo faça parte dos 10% mais ricos do país é de R$ 571, ou seja, uma família com 4 pessoas que tenha renda familiar de R$ 2.284 pertence ao grupo dos 10% da população mais rica.
• 60% dos indigentes (extrema pobreza) no Brasil tem um nível de escolaridade entre 0 e 4 anos e 30% tem escolaridade entre 5 e 8 anos. 90% dos indigentes tem escolaridade abaixo de 8 anos.
• 83% dos chefes de famílias que se encontram em situação de extrema pobreza no país trabalham por conta própria ou são trabalhadores sem carteira.
• 54% dos chefes de famílias que se encontram em situação de pobreza trabalham por conta própria ou são trabalhadores.
• Aproximadamente 45% dos pobres no Brasil tem um nível de escolaridade entre 0 e 4 ano, enquanto 33% dos pobres tem escolaridade entre 5 e 8 anos. 77% dos pobres no país tem escolaridade abaixo de 8 anos.
• Além da distribuição de renda, outro fator de desigualdade é a educação. Uma pessoa com muita educação ganha cerca de 15 vezes o que ganha uma pessoa sem nenhuma educação.
• A educação tem o impacto de perpetuação do ciclo de pobreza, uma vez que pais com baixa escolaridade têm dificuldade em garantir um maior nível de escolaridade para seus filhos de tal forma gerando um ciclo vicioso de perpetuação da pobreza entre gerações.
• A renda de uma pessoa rica é 25 a 30 vezes maior do que a de uma pessoa pobre. Nos Estados Unidos e no Uruguai, essa diferença é de dez vezes.
• A região nordeste abriga cerca de 50% dos pobres brasileiros. No Recife, um dos centros urbanos mais pobres do Brasil, as favelas cobrem mais de 50% da área da cidade e acolhem 30% da sua população.
• Mais de 50% das crianças brasileiras com até dois anos encontram-se na linha da pobreza; negros e pardos representam 63% dos pobres do País.
• Nos últimos 25 anos, cerca de 150 mil jovens deixam anualmente o Brasil em busca de uma oportunidade no exterior.
• A cada dois desempregados no Brasil, um tem menos de 25 anos de idade, 4 milhões de jovens declaram não estudar, não trabalhar e não procurar emprego.
(fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA)
O que é o IDH e o ICV? O IDH é o resumo de três dimensões do conceito de desenvolvimento humano: viver uma vida longa e saudável, ser instruído e ter um padrão de vida digno, combinando, assim, indicadores de esperança de vida, escolarização e rendimento. Deixa, portanto, de medir apenas o rendimento como padrão de bem-estar. O ICV é, de certa forma, o IDH ampliado; não só utiliza um número maior de indicadores para estimar as dimensões mencionadas acima, como incorpora componentes adicionais: condições habitacionais, acesso ao trabalho e oportunidades para o desenvolvimento infantil.
O quadro seguinte apresenta a composição dos indicadores componentes do IDH e do ICV. INDICADORES ¹IDH - ²ICV - ³Outros:
Porcentagem de pobres¹ Insuficiência média de renda¹ Índice de desigualdade de renda (Theil-L)¹ Índice de Pobreza¹ Índice da porcentagem de indigentes³
Taxa de analfabetismo (%) (pessoas c/ 15 anos ou mais de idade)¹² Número médio de anos de estudo (pessoas c/ 25 anos ou mais de idade)¹² Porcentagem da população adulta com até 4 anos de estudo¹ Porcentagem da população adulta com até 8 anos de estudo¹ Porcentagem da população adulta com mais de 11 anos de estudo¹ Porcentagem de crianças de 7 a 14 anos que freqüentam escola³ Porcentagem de crianças entre 10 e 14 anos de idade com mais de 2 anos de atraso escolar³ Mercado de trabalho e renda¹ Taxa de participação (%)¹ Taxa de desemprego (%)¹ Pessoas que trabalham menos de 30 horas por semana (%)¹ Empregados formais e empregadores (%)¹ Trabalhadores na indústria ou nos serviços produtivos (%)¹ Salário inferior a dois salários mínimos atuais (%)¹ Salário mediano¹ Renda domiciliar per capita¹²
Densidade Superior a 2 pessoas por dormitório¹ Domicílios com materiais de construção duráveis¹ Porcentagem de domicílios c/ acesso adequado a esgotamento sanitário¹ Porcentagem de domicílios com acesso adequado à água canalizada¹
Esperança de vida ao nascer (em anos)¹² Taxa de Mortalidade Infantil (por mil nascidos vivos)¹
Coeficiente de Gini³
Índice de Gini – medida de desigualdade. Varia de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, pior a distribuição de renda. O índice de Gini é obtido através da curva de Lorenz.
Curva de Lorenz - É uma representação gráfica construída a partir da ordenação da população pela renda. No eixo horizontal fica a porcentagem acumulada da população enquanto, no vertical, a porcentagem acumulada da renda, permitindo identificar qual a parcela da renda total acumulada pelas diversas camadas da população. Quando todos os indivíduos ganham a mesma parte da renda total, ou seja, no caso de perfeita igualdade, o gráfico seria representado pela reta de 45 graus. Quanto mais distante a curva dessa reta maior a desigualdade.
Índice de Theil-T – mede o grau de desigualdade da distribuição de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita, quanto maior for este índice, maior será a desigualdade.
(Fonte: Desigualdade Social: a visão empresarial - Firjan)
Pirâmide de Distribuição de Renda

Você sabe o quanto recebe uma pessoa que está entre os 10% mais ricos da população?
Para fazer parte dos 10% mais ricos é preciso ter uma renda familiar mensal per capta de R$571,00.

Ou seja, os que se acham de classe média pertencem, na verdade, às camadas mais ricas da população. A verdadeira classe média são os que são vistos como pobres e os verdadeiros pobres são invisíveis aos olhos da opinião pública, e das políticas públicas!
Veja como está a distribuição da riqueza:

Para vencermos a pobreza é preciso conhecê-la.
(Estas informações foram produzidas pelo IETS com base em dados da PNAD - IBGE/1999)
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