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Se você quiser ganhar dinheiro fácil, funde uma ONG de
esquerda
Pobre Karl.Marx! Jamais passaria por sua cabeça que suas idéias
dariam um bom marquetingue para muita gente ganhar muita grana às
custas de espíritos tão generosos quanto ingênuos.
Se há coisa que conta com todo meu aplauso é esta idéia da
sociedade civil organizada. DONT ASK WHAT YOUR COUNTRY CAN
DO FOR YOU, ASK WHAT YOU CAN DO FOR YOURSELF (Não pergunte o que
seu país pode fazer para você, pergunte o que você pode fazer
para ele).
Sou individualista, não nego, mas não sou egoísta nem
adepto da misantropia radical. Prefiro uma misantropia light, mas
não estou aqui para tecer considerações sobre as diferenças
entre ambas.
No momento, importa dizer que quando os indivíduos são
dotados de autodeterminação, sabem o que querem e são capazes
de pensar com suas próprias cabeças, nada mais compreensível e
assaz oportuno que se associem para um fim comum, não importando
se é o caso de uma vaquinha para fazer um bom churrasco ou da
criação de uma associação para fazer justas reivindicações
ou promover idéias edificantes (ou ambas as coisas).
Mas é necessário entediar um pouco meus leitores com certas
distinções conceituais, para que eu não corra o risco de ser
muito mal compreendido.
Não se pode negar a vetusta idéia de que A UNIÃO FAZ A FORÇA
e que toda reunião de desejos e esforços voltados para um mesmo
fim pode resultar em algo extremamente louvável. Mas, atenção
eu não disse que resulta, porém que pode
resultar, pois tudo depende do fim que se tem em
mente.
Quem poderia negar que a máfia é extremamente bem organizada
e coesa e todos os seus associados estão obstinadamente voltados
para a consecução de um fim comum?
E além disso, todo mundo sabe que a Máfia não é uma grande
quadrilha pública, porém privada. Nada tem a ver com os
vampiros do SUS.
Há sem dúvida organizações não-governamentais que geram
resultados muito mais elogiáveis do que os produzidos por certas
organizações governamentais.
Estas quase sempre estas são marcadas pela incompetência,
pelo desperdício e pelo empreguismo, mas isto não significa
dizer que aquelas sejam prestadoras daquilo que se poderia chamar
de serviços de utilidade pública ou
marcadas pela desinteressada prática de verdadeira filantropia.
O Nelson Lehmann também é um fervoroso liberal e ardoroso
defensor da idéia de sociedade civil organizada, mas ele também
considera que tudo depende dos fins que se tem em vista. Vejam só:
Se você quiser ganhar dinheiro fácil, funde uma ONG de
esquerda. Chove dinheiro. Por isso elas estão se propagando como
ratos.
Invente um título bem genérico e apelativo, como "Instituto
de Combate à Desigualdade Social", ou, mais amplo
ainda, "Instituto Latino Americano", Instituto
de Estudos Socio-Econômicos.
Alugue uma ou duas salas bem situadas, equipando-as com o que
houver de mais moderno. Abra um site na internet. Registre-a como
entida-de não lucrativa, claro. Nomeie uma diretoria, da qual
você é o presidente. E basta.
Os objetivos declarados serão tão abstratos e imprecisos
quanto inatacáveis: combater a desigualdade
social, lutar contra a discriminação
racial", ou de gênero, "assessorar
projetos sociais", etc. etc.
Generosas contribuições virão de todo o mundo.
Desde poderosas fundações capitalistas, até ministérios
go-vernamentais, igrejas, rotaris, leões, maçonarias.
Aquele casal de velhinhos aposentados, lá na Holanda ou
Dinamarca, se compadece ao ver as usuais fotos artísticas de
crianças famintas, feitas um tanto indistintamente na Somália
ou no Nordeste. (obs.: se forem fotos de Sebastião Camargo, que
se especializou em retratar expressivamente as mazelas do
Terceiro Mundo, aí os velhinhos serão levados a derramar
copiosas lágrimas, pois se trata de um verdadeiro tear-jerker /
inglês: arranca-lágrimas).
Eles farão sua contribuição cegamente, confiando naqueles
jovens idealistas das ONGS e seus slogans.
Aquela senhora de uma comunidade evangélica canadense, que não
tem a quem deixar economias de uma vida inteira, não fará
perguntas quando sua igreja apelar para sua generosidade. São
milhares de pequenas doações, que acabam resultando em respeitável
volume.
Tais recursos correm para organismos internacionais, que por
sua vez os transferem para ONGS locais, na suposição de
chegarem a seu destino intencionado.
A esta altura, qualquer espírito perspicaz já deve estar
fazendo uma singela perguntinha:
Mas como comprovar os serviços prestados, se na
realidade, foram muito poucos ou mesmo nenhum ?"
E o Nelson responde ao indagante: Simples.
Para isso existem os convênios, ou cooperação complexa
entre as ONGS, que se subcontratam indefinidamente. Cursos,
projetos, seminários, são "terceirizados"
entre elas.
Um órgão da CNBB, por exemplo, pode assumir "cursos
de cidadania" para inúmeras outras congêneres.
Receberá para tanto uma porcentagem dos recursos daquelas, suas
intermediárias. A maior parte dos recursos, porém, será
apropriada pela própria "nomenklatura" das
organizações.
Os proventos destes burocratas "idealistas" são
de fazer inveja. Assim funcionam milhares de ONGS de esquerda.
Perguntado à diretora de uma dessas Organizações - Juíza de
Direito - de onde vinham seus recursos financeiros, respondeu não
saber, pois que tal assunto não era de sua esfera.
Resposta típica da maioria de seus integrantes, manipulados
que são por eminências pardas pouco visíveis.
Brasília hoje abriga cada vez mais ONGS deste formato, e é o
melhor emprego que um jovem universitário pode encontrar.
Esporadicamente se apresentam em eventos festivos, onde fazem
seu discursinho oco, clamando contra o eterno
"neoliberalismo", enquanto forram seus bolsos com
os melhores salários da cidade. (Nelson Lehmann em
MidiaSemMascara.org).
E esta é uma das causas do espantoso fato de que a renda per
capita de Brasília, que pouco ou nada produz, é maior do que a
de São Paulo, a locomotiva do Brasil. Arre égua!
* Mario Guerreiro, é doutor em Filosofia pela UFRJ.
Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ.
Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica,
Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC. Membro Fundador da
Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da
Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal
do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e
Interdisciplinares da UniverCidade. Autor de obras como Problemas
de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O
Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens
Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema
da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina,
1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999).
Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL,
Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade (Porto Alegre, EDIOUCRS,
2002). Já apresentou 69 comunicações em encontros acadêmicos
e publicou 37 artigos
parlata
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