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Nada Melhor como Ser Membro de uma ONG de Esquerda PDF Imprimir E-mail
Escrito por Mario Guerreiro*   
Friday, 29 October 2004

Se você quiser ganhar dinheiro fácil, funde uma ONG de esquerda

Pobre Karl.Marx! Jamais passaria por sua cabeça que suas idéias dariam um bom marquetingue para muita gente ganhar muita grana às custas de espíritos tão generosos quanto ingênuos.

Se há coisa que conta com todo meu aplauso é esta idéia da sociedade civil organizada. DON’T ASK WHAT YOUR COUNTRY CAN DO FOR YOU, ASK WHAT YOU CAN DO FOR YOURSELF (Não pergunte o que seu país pode fazer para você, pergunte o que você pode fazer para ele).

Sou individualista, não nego, mas não sou egoísta nem adepto da misantropia radical. Prefiro uma misantropia light, mas não estou aqui para tecer considerações sobre as diferenças entre ambas.

No momento, importa dizer que quando os indivíduos são dotados de autodeterminação, sabem o que querem e são capazes de pensar com suas próprias cabeças, nada mais compreensível e assaz oportuno que se associem para um fim comum, não importando se é o caso de uma vaquinha para fazer um bom churrasco ou da criação de uma associação para fazer justas reivindicações ou promover idéias edificantes (ou ambas as coisas).

Mas é necessário entediar um pouco meus leitores com certas distinções conceituais, para que eu não corra o risco de ser muito mal compreendido.

Não se pode negar a vetusta idéia de que A UNIÃO FAZ A FORÇA e que toda reunião de desejos e esforços voltados para um mesmo fim pode resultar em algo extremamente louvável. Mas, atenção eu não disse que “resulta”, porém que “pode resultar”, pois tudo depende do fim que se tem em mente.

Quem poderia negar que a máfia é extremamente bem organizada e coesa e todos os seus associados estão obstinadamente voltados para a consecução de um fim comum?

E além disso, todo mundo sabe que a Máfia não é uma grande quadrilha pública, porém privada. Nada tem a ver com os vampiros do SUS.

Há sem dúvida organizações não-governamentais que geram resultados muito mais elogiáveis do que os produzidos por certas organizações governamentais.

Estas quase sempre estas são marcadas pela incompetência, pelo desperdício e pelo empreguismo, mas isto não significa dizer que aquelas sejam prestadoras daquilo que se poderia chamar de “serviços de utilidade pública” ou marcadas pela desinteressada prática de verdadeira filantropia.

O Nelson Lehmann também é um fervoroso liberal e ardoroso defensor da idéia de sociedade civil organizada, mas ele também considera que tudo depende dos fins que se tem em vista. Vejam só:

Se você quiser ganhar dinheiro fácil, funde uma ONG de esquerda. Chove dinheiro. Por isso elas estão se propagando como ratos.

Invente um título bem genérico e apelativo, como "Instituto de Combate à Desigualdade Social", ou, mais amplo ainda, "Instituto Latino Americano", “Instituto de Estudos Socio-Econômicos“.

Alugue uma ou duas salas bem situadas, equipando-as com o que houver de mais moderno. Abra um site na internet. Registre-a como entida-de não lucrativa, claro. Nomeie uma diretoria, da qual você é o presidente. E basta.

Os objetivos declarados serão tão abstratos e imprecisos quanto “inatacáveis”: combater a “desigualdade social”, “lutar contra a discriminação racial", ou de “gênero”, "assessorar projetos sociais", etc. etc.

Generosas contribuições virão de todo o mundo.

Desde poderosas fundações capitalistas, até ministérios go-vernamentais, igrejas, rotaris, leões, maçonarias.

Aquele casal de velhinhos aposentados, lá na Holanda ou Dinamarca, se compadece ao ver as usuais fotos artísticas de crianças famintas, feitas um tanto indistintamente na Somália ou no Nordeste. (obs.: se forem fotos de Sebastião Camargo, que se especializou em retratar expressivamente as mazelas do Terceiro Mundo, aí os velhinhos serão levados a derramar copiosas lágrimas, pois se trata de um verdadeiro tear-jerker / inglês: “arranca-lágrimas”).

Eles farão sua contribuição cegamente, confiando naqueles jovens idealistas das ONGS e seus slogans.

Aquela senhora de uma comunidade evangélica canadense, que não tem a quem deixar economias de uma vida inteira, não fará perguntas quando sua igreja apelar para sua generosidade. São milhares de pequenas doações, que acabam resultando em respeitável volume.

Tais recursos correm para organismos internacionais, que por sua vez os transferem para ONGS locais, na suposição de chegarem a seu destino intencionado.

A esta altura, qualquer espírito perspicaz já deve estar fazendo uma singela perguntinha:

“Mas como comprovar os serviços prestados, se na realidade, foram muito poucos ou mesmo nenhum ?"

E o Nelson responde ao indagante: Simples.

Para isso existem os convênios, ou cooperação complexa entre as ONGS, que se subcontratam indefinidamente. Cursos, projetos, seminários, são "terceirizados" entre elas.

Um órgão da CNBB, por exemplo, pode assumir "cursos de cidadania" para inúmeras outras congêneres. Receberá para tanto uma porcentagem dos recursos daquelas, suas intermediárias. A maior parte dos recursos, porém, será apropriada pela própria "nomenklatura" das organizações.

Os proventos destes burocratas "idealistas" são de fazer inveja. Assim funcionam milhares de ONGS de esquerda.

Perguntado à diretora de uma dessas Organizações - Juíza de Direito - de onde vinham seus recursos financeiros, respondeu não saber, pois que tal assunto não era de sua esfera.

Resposta típica da maioria de seus integrantes, manipulados que são por eminências pardas pouco visíveis.

Brasília hoje abriga cada vez mais ONGS deste formato, e é o melhor emprego que um jovem universitário pode encontrar.

Esporadicamente se apresentam em eventos festivos, onde fazem seu discursinho oco, clamando contra o eterno "neoliberalismo", enquanto forram seus bolsos com os melhores salários da cidade. (Nelson Lehmann em MidiaSemMascara.org).

E esta é uma das causas do espantoso fato de que a renda per capita de Brasília, que pouco ou nada produz, é maior do que a de São Paulo, a locomotiva do Brasil. Arre égua!


* Mario Guerreiro, é doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC. Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da UniverCidade. Autor de obras como Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade (Porto Alegre, EDIOUCRS, 2002). Já apresentou 69 comunicações em encontros acadêmicos e publicou 37 artigos

 

parlata

Comentarios (7)Add Comment
Lcia
escrito por Visitante, 2004-10-29 21:43:52
Bem já dizia um bom padre: só dê esmola se puder acompanhar de perto o que é feito com o seu dinheiro.
maus, sem filosofia
escrito por Visitante, 2005-02-27 09:43:39
que pensamento estranho! nao cola vei! vc maus
Concordo !
escrito por Visitante, 2005-03-21 06:58:11
Perfeito!

Concordo plenamente, professor.

Mrio Srgio
Doutor??
escrito por Visitante, 2005-05-12 15:41:55
Caro professor,

Inglês zero. As duas tentativas de tradução são lastimáveis.

Cultura geral zero. O grande fotógrafo ao qual o senhor se refere é Sebastião Salgado (e não Camargo!).

Filosofia...melhor nem comentar o seu texto anti-filantrópico, em um momento de tanta desigualdade social e ainda em um país em que esta desigualdade é uma das maiores do mundo.

Lastimável.



Vinicius
escrito por Visitante, 2005-07-27 20:56:13
Em parte ate concordo, mas um homem com tanta instrucao nao poderia retalhar desta forma o terceiro setor. O sr. nunca trabalho em uma Ong e portanto acredito eu queo sr nao tenha uma causa especifica e nao saiba o que e se dedicar a uma instituicao seja la qual for sua bandeira.....Falar e criticar e facil quero ver e fazer....e fazer bem feito...
A Maonaria
escrito por Visitante, 2005-08-04 20:01:16
Bom dia,

A algumas semanas atrás recebi um spam de uma maçonaria convidando-me a visitar o site da referida maçonaria. Tendo eu uma idéia do que é uma e por conseguinte, uma admiração, não exitei em visitar o site. Lá, vislumbrei uma vasta literatura sobre sabedoria em que entre outras, algumas coisas se destacaram em meus sentimentos e lembranças por ter uma profunda compatibilidade com os meus valores, e são elas:
Honra, verdade, justiça, responsabilidade, dignidade e honestidade.

Durante o tempo que eu lia os textos do referido site, não pude deixar de pensar em uma situação que muito me incomodava.
A situação referia-se ao fato de uma maçonaria na rua das oficinas no bairro do engenho de dentro – Rio de Janeiro/RJ e, durante as suas reuniões das quintas-feiras a noite, os participantes/visitantes destas reuniões estacionavam seus veículos parcialmente em cima da calçada deixando muito pouco espaço para os pedestres passarem.
Muitas vezes vi pessoas tendo que passar pela rua porque as sacolas de compras ou carrinhos de babes não conseguiam passar pelas brechas deixadas pelos veículos lá estacionados. Assim sendo, não exitei em enviar um e-mail para a maçonaria que eu estava visitando pela internet certo de que providências seriam tomadas, sabendo eu o que todos sabem, que calçadas são para pedestres e não para veículos, muito menos quando veículos dificultam a passagem dos pedestres.

Por coincidência, os dias que se seguiram após o envio do meu e-mail, não vi mais veículos estacionados na maçonaria da referida rua. Observei por dias seguidos quando eu passava por esta rua e nada de veículos estacionados. Minha alegria foi tanta que não tardei em enviar um e-mail para algumas maçonarias expressando os meus mais profundos elogios e reconhecimentos, pois vi na prática as longas linhas da sabedoria e disciplina maçônica, até o dia de hoje (04/08/2005) quando voltei a ver os veículos novamente estacionados na mesma calçada, tudo igual como antes. Minha frustração foi apogeu, me senti um garoto ingênuo e foi automático em minha mente questionar se os maçons realmente são aquilo que pregam ou não, respeitosamente.
Uma frase da sabedoria/doutrina maçônica me leva muito a pensar sobre o que vejo na referida rua:
“O homem é responsável por suas atitudes”.

Em nenhum dos e-mails que enviei as referidas maçonarias, nunca fui respondido. Isso quer dizer alguma coisa.

Gostaria de que uma solução seja dada, pois estacionar automóveis em cima da calçada é algo que está muito longe de um comportamento civilizado, social, correto, justo, educado e respeitador. Alegar não ter onde estacionar, não dá direito a nenhuma “pessoa” a agir desta forma, até porque, do lado oposto da referida calçada é permitido estacionar, sem ter que colocar os veículos na calçada.

Sobre nenhuma hipótese tenho o objetivo de ser agressivo ou deselegante para com qualquer pessoa, por isso, antecipo minhas desculpas por minhas palavras, com tudo, elas não são mais agressivas que a citada situação na Rua acima citada.

Cordialmente
Victor
resposta ao Sr. Vítor - comentário acima sobre a Maçonaria e os carros estacionados rua das Oficinas
escrito por Edson Feio - Venervel Mestre, 2006-08-04 12:43:42
Infelizmente o Sr. Vítor autor do comentário não se identificou e nem colocou e-mail para contato. Li seu comentário e observei que suas informações a respeito da maçonaria estão equivocadas e terei prazer em explicar melhor em outra oportunidade. Quanto aos carros estacionados ocupando metade das calçadas eu pergunto : Qual a solução o sr. apresentaria ? pois uma crítica deve vir acompanhada de idéias e soluções. Iremos todos de ônibus para a reunião ? colocamos os carros em outra rua mudando apenas o local do problema ? Não existe estacionamento próximo sr. Vítor e nossas reuniões terminam por volta das 23 horas onde após segue-se um jantar de confraternização e os irmãos acabam saindo meia noite e trinta ..as vezes até mais tarde. Se o sr. quiser, me procure na próxima quinta feira às 19:00 horas e terei prazer em recebe-lo e tirar suas dúvidas. Meu nome é Edson Feio Oliveria e sou o atual Venerável ( presidente ) da referida loja maçônica que funciona na rua das Oficinas, 224 . Muito Grato.

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