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Decrépita Infra-Estrutura do Brasil, Preocupa PDF Imprimir E-mail
Escrito por Da Redação   
Tuesday, 26 October 2004

Investidores estrangeiros estão preocupados. “muitos grupos internacionais de energia se arrependem de terem investido pesadamente no Brasil, no final dos anos 90 (...) A conclusão é a de que as luzes podem começar a se apagar em breve".

O jornal britânico Financial Times traz em sua edição desta segunda-feira reportagem afirmando que há uma crescente preocupação dos investidores de que a "decrépita infra-estrutura" brasileira possa não suportar o ritmo do crescimento da economia.

Com isso, alerta o diário, o sistema de abastecimento de energia poderá "entrar em colapso, como em 2001" e causar outro apagão no país.

Segundo cálculos da consultoria Tendências, observados pelo diário, o setor de eletricidade necessita investimentos de R$ 20 bilhões anuais ao longo dos próximos dez anos para manter ritmo conforme a demanda.

O governo, no entanto, deverá prover um terço apenas desse valor. Junto a investidores estrangeiros "dificilmente" será possível o restante, já que, segundo o jornal inglês, “muitos grupos internacionais de energia se arrependem de terem investido pesadamente no Brasil no final dos anos 90 (...) A conclusão poderia ser que as luzes comecem a se apagar em breve".

O FT lembra ainda que o setor de transportes também precisa de investimento privado. Uma fonte potencial de recursos é o novo fundo que será lançado em breve pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), chamado Fundo de Investimento em Infra-Estrutura Brasil, que pretende captar R$ 1,5 bilhão.

Além disso, o governo espera levantar dinheiro com a aprovação das Parcerias Público Privadas. "Mas o potencial para as PPPs continua incerto", observa o FT.

"Um problema é o ambiente regulatório. Investidores entraram no setor de eletricidade do Brasil nos anos 90 antes das regulamentações estarem completamente implementadas. Embora muito tenha sido feito, ainda há grandes zonas obscuras, incluindo a maneira que as tarifas serão reajustadas".

Intenções do governo preocupam

As "intenções" do governo federal também preocupam, alerta o diário britânico.

Embora "tecnocratas com mentes liberais no Banco Central e Ministério da Fazenda venham promovendo reformas pró-mercado, alguns investidores temem que ideólogos próximos ao presidente Lula, oriundos da ala mais radical do Partido dos Trabalhadores, continuem desconfiados da iniciativa privada”.

Esses investidores afirmam que o governo tem falhado no uso de seus poderes para abrir mais serviços públicos, incluindo transporte, para as concessões privadas.

Apesar da preocupação, há razões para otimismo, e uma delas, justifica o diário, é o interesse que vem sendo mostrado pelos fundos de pensão.

"Eles são justamente o tipo de instituição, com seus compromissos e necessidade de ativos também de longo prazo, que deveriam ser previstos como investidores nesse setor”, afirma.

"Tradicionalmente, no entanto, eles têm ficado felizes com a dívida governamental de curto prazo, e que oferece elevados retornos”.

Governo nega

A ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, disse que não há possibilidades de novos racionamentos de energia.

"Estamos numa retomada sustentável do crescimento do setor elétrico. Mantendo o atual ritmo, o risco de racionamento é zero, até porque hoje está sobrando energia", declarou a ministra à rádio CBN.

 

Brasil despenca no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial

O Brasil teve a quarta queda consecutiva no ranking de competitividade elaborado anualmente pela organização não-governamental Fórum Econômico Mundial.

A entidade, que presta consultoria para a ONU e organiza o encontro anual em Davos, posicionou o país no 57º lugar, três postos abaixo em relação à listagem divulgada em 2003.

O Brasil vem caindo no ranking desde 2001, quando estava em 44º. Em 2002, passou para 45º.

Mas a queda mais drástica foi no primeiro ano do governo Lula, quando o país despencou nove posições.

Agora, países como Marrocos, Índia, Uruguai, El Salvador e Namíbia são apontados pelo Fórum como mais competitivos que o Brasil.

O primeiro colocado no ranking é a Finlândia, seguida por Estados Unidos, Suécia, Taiwan, Dinamarca e Noruega.

A listagem é feita através de entrevistas 8,7 mil empresários de 104 países. Os critérios são a qualidade do ambiente macroeconômico, a situação das instituições públicas e a disponibilidade tecnológica.

 

parlata/diegocasagrande

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