|
Investidores estrangeiros estão preocupados. muitos grupos internacionais de energia se arrependem de terem investido pesadamente no Brasil, no final dos anos 90 (...) A conclusão é a de que as luzes podem começar a se apagar em breve".
O jornal britânico Financial Times traz em sua edição desta
segunda-feira reportagem afirmando que há uma crescente preocupação
dos investidores de que a "decrépita
infra-estrutura" brasileira possa não suportar o ritmo
do crescimento da economia.
Com isso, alerta o diário, o sistema de abastecimento de
energia poderá "entrar em colapso, como em 2001"
e causar outro apagão no país.
Segundo cálculos da consultoria Tendências, observados pelo diário,
o setor de eletricidade necessita investimentos de R$ 20 bilhões
anuais ao longo dos próximos dez anos para manter ritmo conforme
a demanda.
O governo, no entanto, deverá prover um terço apenas desse
valor. Junto a investidores estrangeiros "dificilmente"
será possível o restante, já que, segundo o jornal inglês, muitos
grupos internacionais de energia se arrependem de terem investido
pesadamente no Brasil no final dos anos 90 (...) A conclusão
poderia ser que as luzes comecem a se apagar em breve".
O FT lembra ainda que o setor de transportes também precisa de
investimento privado. Uma fonte potencial de recursos é o novo
fundo que será lançado em breve pelo Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), chamado Fundo de Investimento em
Infra-Estrutura Brasil, que pretende captar R$ 1,5 bilhão.
Além disso, o governo espera levantar dinheiro com a aprovação
das Parcerias Público Privadas. "Mas o potencial para
as PPPs continua incerto", observa o FT.
"Um problema é o ambiente regulatório. Investidores
entraram no setor de eletricidade do Brasil nos anos 90 antes das
regulamentações estarem completamente implementadas. Embora
muito tenha sido feito, ainda há grandes zonas obscuras,
incluindo a maneira que as tarifas serão reajustadas".
Intenções do governo preocupam
As "intenções" do governo federal também
preocupam, alerta o diário britânico.
Embora "tecnocratas com mentes liberais no Banco
Central e Ministério da Fazenda venham promovendo reformas pró-mercado,
alguns investidores temem que ideólogos próximos ao presidente
Lula, oriundos da ala mais radical do Partido dos Trabalhadores,
continuem desconfiados da iniciativa privada.
Esses investidores afirmam que o governo tem falhado no uso de
seus poderes para abrir mais serviços públicos, incluindo
transporte, para as concessões privadas.
Apesar da preocupação, há razões para otimismo, e uma delas,
justifica o diário, é o interesse que vem sendo mostrado pelos
fundos de pensão.
"Eles são justamente o tipo de instituição, com
seus compromissos e necessidade de ativos também de longo prazo,
que deveriam ser previstos como investidores nesse setor,
afirma.
"Tradicionalmente, no entanto, eles têm ficado
felizes com a dívida governamental de curto prazo, e que oferece
elevados retornos.
Governo nega
A ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, disse que não há
possibilidades de novos racionamentos de energia.
"Estamos numa retomada sustentável do crescimento do
setor elétrico. Mantendo o atual ritmo, o risco de racionamento
é zero, até porque hoje está sobrando energia",
declarou a ministra à rádio CBN.
Brasil despenca no ranking de competitividade do Fórum
Econômico Mundial
O Brasil teve a quarta queda consecutiva no ranking de
competitividade elaborado anualmente pela organização não-governamental
Fórum Econômico Mundial.
A entidade, que presta consultoria para a ONU e organiza o
encontro anual em Davos, posicionou o país no 57º lugar, três
postos abaixo em relação à listagem divulgada em 2003.
O Brasil vem caindo no ranking desde 2001, quando estava em
44º. Em 2002, passou para 45º.
Mas a queda mais drástica foi no primeiro ano do governo
Lula, quando o país despencou nove posições.
Agora, países como Marrocos, Índia, Uruguai, El Salvador
e Namíbia são apontados pelo Fórum como mais competitivos
que o Brasil.
O primeiro colocado no ranking é a Finlândia, seguida por
Estados Unidos, Suécia, Taiwan, Dinamarca e Noruega.
A listagem é feita através de entrevistas 8,7 mil empresários
de 104 países. Os critérios são a qualidade do ambiente
macroeconômico, a situação das instituições públicas e
a disponibilidade tecnológica.
parlata/diegocasagrande
|