A cultura brasileira é violenta. Chocam-nos as cenas de violência policial mostradas diariamente pela televisão, no Rio de Janeiro e São Paulo.
Chocados, a tendência é repetirmos o lugar comum:
declararmos o quanto ficamos revoltados, o quanto nos indignou o
que vimos.
Mas quanto tempo durou essa indignação?
Duas semanas, três talvez, um mês?
Já assistimos outras barbaridades, hoje perdidas remotamente
na memória pátria... Foi francamente difícil crer em mais essa
comoção. A cultura brasileira é violenta.
Este é um país deslumbrantemente rico com um povo
tragicamente pobre. Alguém quer melhor gênese para a violência?
A polícia é um espelho da sociedade que a nutre. Não
deveria ser, poderia assumir um papel pedagógico, poderia
recusar-se à manipulação, mas não consegue, talvez até
porque não perceba a possibilidade.
A diferença, desta vez, é que chocamo-nos com um episódio que
fez-nos vítimas potenciais. Deus!
E se fossemos nós os indefesos atacados na rua? Em outros
casos, muitos dos que hoje derramam suas lágrimas diante das
telinhas estariam aprovando, clamando por mais violência,
pedindo a pena de morte, babando com os linchamentos, saboreando
a perversidade e a baixaria explícita de programas radiofônicos
e televisivos ditos policiais. Hipocrisia pura!
Para que não compactuemos é preciso ir além da válvula de
escape do simplismo emocional. Primeiro, perguntando-nos:
Para que polícia?
Quem precisa de polícia?
E respondendo: Precisamos todos nós! Não é possível
conceber-se uma sociedade urbana complexa sem o serviço de polícia,
protegendo a cidadania das condutas sociopáticas. A atividade
policial em si é nobre, digna, imprescindível.
A questão central, melhor colocada, seria:
Que tipo de polícia?
A que herdamos da ditadura com suas óbvias seqüelas de
corrupção e truculência?
A resposta é evidente. Precisamos de uma polícia
administrada pelo Estado, de quem o chefe é o cidadão comum. Não
há outra forma admissível em governos democráticos. O patrão
não é o governador, mas o transeunte. Sabemos, no entanto, que
não é fácil chegar a isso.
Os paradigmas policiais só agora, timidamente, começam a
mudar, nesses frágeis treze anos incompletos de democracia.
Se não estivermos metidos na mudança ela não ocorrerá, ou será
parcializada. A sociedade precisa tirar o salto alto
e arriscar parcerias bem criteriosas com a polícia, no campo
educacional.
Cobrar, denunciar, será sempre imperativo à manutenção da
democracia. Contudo, anunciar o novo, criar alternativa, estender
a mão nas ações positivas, é dever irrecusável de
responsabilidade.
O novo Plano Nacional de Direitos Humanos teve um bom
discernimento quando contemplou um convênio da Anistia
Internacional com o Ministério da Justiça para a expansão dos
Programas Educativos voltados a policiais.
Estamos trabalhando muito, ampliando participações em projetos, o Axé na Bahia, com o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos no Paraná, com o UNICEF e com diversos governos estaduais.
As mudanças já se fazem sentir no cotidiano dos beneficiários
e no ingresso de novos policiais como militantes em ONGs de
direitos humanos.
Há, por exemplo, policiais atuando como educadores de meninos
de rua no Projeto Axé e muitos trabalhando como voluntários na
Anistia Internacional.
Uma pequena surpreendente revolução, em um país que ainda
tem muito a fazer para construir democraticamente as suas
policias.
dhnet.org.br
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“Não existe tropa Fraca, existem líderes Fracos”.
O que entendemos por tropa, resume-se na definição de tratar-se de um grupo de militares, pessoas que receberam um treinamento especial, a fim de seguirem seu Comandante. Todos saúdam-se com um sinal conhecido por continência, que nada mais é que uma apresentação das armas disponíveis apresentadas ao seu Superior ou par, uma forma discreta de dizer: “estas mãos, armas, bandeiras, estandartes, são levantados em seu favor, estou disposto a usá-los em sua defesa, mesmo que isso ponha risco minha vida”.
Tanta rigorosidade nas tradições, às vezes não superam o egoísmo humano. Tropas preparadas para defender a sociedade, estão sucumbindo sem uma estratégia; comandados que não mais estão dispostos a morrer por seus superiores ou pares, mentes decepcionadas dentro da tropa que se refletem nos objetivos desta, em fim, refletem de forma veemente uma fraqueza, que não advem dela. No xadrez, a peça de mais força é sem dúvida a rainha; esta representa o povo em sua força. Não adianta preservá-la, se não sei como usá-la. Logo, recai sobre o jogador, a estratégia perfeita, não está no povo, está no líder! Sun Tzu, General Chinês do século III Antes de Cristo, em seu livro A Arte da Guerra diz que “O Soldado, deve ser tratado como uma criança, que sempre está a esperar orientação de seu pai”. Logo, uma tropa que não é respeitada como tropa, antes como meio de satisfação pessoal, não refletirá sua essência, não prestará sua força, não apresentará suas armas, não dará a sua vida pelos seus Líderes.
Analisando estas afirmações, chegamos a compreender de modo mais humano sobre o que se passa dentro de nossa atual aparelhagem de segurança. Baseada em um sistema considerado falido, arcaico, inadequado, repressor, em fim, todos os adjetivos que possam causar repudia em seus usuários. Apesar de admitirmos o sistema de segurança pública ultrapassado, temos que mostrar que o problema não reside na Tropa, e sim no Comando, n ao está nos liderados, focaliza-se nos líderes. A partir do momento que o Comando da Corporação, o Governo do Estado e a Presidência da República, acreditam que a resolução dos problemas de Defesa Social, encontra-se na gratificação, aumento salarial e promoções dos Oficiais, Delegados, Parlamentares e afins, esquecem-se que os Soldados, Agentes de Polícia, e a classe trabalhadora da População, são como crianças pequenas, esperando de seus líderes uma luz, uma ordem, um ato de justiça, ao contrário, as Armas não serão mais levantadas em prol da ordem pública, a justiça andará a passos de formiga, e o progresso social dar-se-á com base num sistema opressor, que só tende a promover pessoas menos honradas, e estando sem honra, tornam-se sem escrúpulos, educação e ética, que sem tais qualidades, o ser humano torna-se desprezível.
A desordem Social não acabará com privilégios para os políticos, Agrados para Oficiais, e Aumento de salário para Delegados. Esta só virá a ter fim quando a pirâmide social for invertida, e reconhecerem o valor da massa, que verdadeiramente tem contribuído para o real e maciço desenvolvimento. As guerras iniciam-se pela falta de diplomacia e pela ganância dos homens que estão no poder, do mesmo modo que as mortes dos civis e militares da linha de frente, se dá por uma falta de liderança competente. Enquanto se olhar para polícia como principal responsável pela desordem, esquecemos de observar que ela é constituída como o BRAÇO FORTE DO ESTADO, parte de um corpo deficiente que se esconde atrás de seus erros.
João Batista Gregório Júnior