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A quem interessa a manutenção das atuais desigualdades,
a não ser aos próprios socialistas e demagogos populistas, que
delas se nutrem como sanguessugas?
Quem assistiria a uma corrida de Fórmula 1 em que, por determinação
dos diretores da prova, todos os carros, das fabulosas Ferrari às
charangas que jamais pontuam e desde Schumacher até aquele japonês
que sai religiosamente da pista em cada curva que encontra pela
frente, fossem obrigados para eliminar as desigualdades
históricas existentes a cruzar ao mesmo tempo
a linha de chegada?
O mínimo que se diria de um evento desses é que é seria uma
marmelada.
Pois este, caro leitor, é o conceito socialista de igualdade,
malgrado os esforços para escondê-lo - por sinal, bastante
competentes e movidos a Gramsci -, por parte de seus defensores.
É a igualdade de resultados ou na chegada, em que as diferenças
entre néscios e inteligentes, preguiçosos e diligentes,
azarados e afortunados, ignorantes e cultos, lorpas e espertos e
pecadores e virtuosos são eliminadas por um comando central que
institui a igualdade de rendas, exceções feitas para os membros
do partido, o politburo e outros bajuladores do ditador,
contemplados, naturalmente, com rendimentos maiores...
Esta é a essência do conceito esquerdista de justiça
distributiva, que, onde quer que foi posto em prática, só
conseguiu partilhar compulsoriamente a injustiça e estimular
abertamente o ócio.
O socialismo, por suas premissas e também pela robusta e
incontestável comprovação histórica, é uma baita injustiça,
uma enorme agressão à dignidade da pessoa humana e uma formidável
marmelada!
Não é por outro motivo que nunca se viu, por exemplo,
coreanos ou vietnamitas do norte fugindo para a Coréia ou Vietnã
do Sul, nem californianos buscando asilo em Cuba, nem italianos
refugiando-se na antiga Iugoslávia.
A este sistema viciado, em que seres humanos, em nome de um
impalpável coletivo, são tratados como
cupins, sem direito a lutar por seus projetos individuais de
vida, contrapõe-se o conceito de igualdade de oportunidades ou
na largada, em que, tal como em uma corrida não viciada de Fórmula
1.
Os carros melhores, das escuderias mais ricas e os dirigidos
pelos pilotos mais competentes largam na frente dos demais, porém,
em circunstâncias que não impedem que possam ser ultrapassados,
se outros vindos de trás mostrarem méritos para isso.
Como a igualdade na chegada do socialismo mostrou-se desumana,
indigna e injusta e a igualdade absoluta de oportunidades sempre
foi um sonho irrealizável, o que todas as sociedades hoje
desenvolvidas fizeram foi, mediante investimentos em capital
humano (educação, saúde e nutrição) e boas leis e instituições,
viabilizar a superação das diferenças de oportunidades
existentes.
Um exemplo, entre o filho de um banqueiro e o de um humilde
agricultor, com prêmios à criatividade e à ética do esforço
e do trabalho duro, o que fez possível ao segundo ultrapassar o
primeiro em termos dos resultados obtidos, prerrogativa moral e
economicamente, inquestionável.
Para eliminar as desigualdades sociais que
infelicitam tantos e fazem o ganha-pão da intelligentzia, de
muitos articulistas militantes e de um grande número de políticos
demagogos, o ponto de partida não é basta verificar-se o
fracasso de todos os países que implantaram a igualdade pela força.
O Estado-Robin Hood, como o fanatismo decrépito e comatoso de
muitos, em pleno 2004, sugere, mas a universalização do capital
humano.
A partir disso, nada melhor do que deixar, ao pálio de
instituições boas e estáveis, a cada cidadão, qualquer que
seja a sua origem, raça ou credo, o livre arbítrio para exercer
o mais humano dos atributos, que é a busca individual pela
realização pessoal, dentro de padrões morais consagrados pela
tradição.
A quem interessa a manutenção das atuais desigualdades,
a não ser aos próprios socialistas e demagogos populistas, que
delas se nutrem como sanguessugas?
O socialismo e isto já está provado e comprovado! É
uma grande marmelada, uma "mentirada"
fantasiada de boas intenções.
* Ubiratan Iorio, é doutor em Economia pela EPGE/FGV.
É Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ e
Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia
Personalista (CIEEP), Professor Adjunto do Departamento de Análise
Econômica da FCE/UERJ, do Mestrado do IBMEC, Fundação Getulio
Vargas e da PUC/RJ. É escritor com dezenas de artigos publicados
em jornais e revistas.
parlata
As Desigualdades Sociais
A elevação das desigualdades sociais também vem sendo alvo
de profunda preocupação por parte das pessoas e entidades
vinculadas aos Direitos Humanos, uma vez que se apresenta
como fato gerador e alimentador de um processo de exclusão e
desumanização do indivíduo em face de todas as questões
já colocadas.
Em sociedades marcados pela exclusão, pelos
conflitos, pelas desigualdades estruturais, vivendo
situações de injustiça institucionalizada, a questão dos
direitos humanos se torna central e urgente.
(Vera Maria Candau Tecendo a Cidadania)
A perspectiva dos Direitos Humanos diante da
globalização econômica e da hegemonia do neoliberalismo,
marcado pelo eficientismo de mercado, cuja liberdade foi
entronizada como regulador social absoluto, e pela idéia do
Estado Mínimo, faz observar uma realidade perversa e
arrasadora, principalmente porque atinge com maior
contundência os mais excluídos e vulnerabilizados.
A globalização, ou a mundialização econômica,
ou mesmo internacionalização do capital, reflete a saída
mercadológica encontrada pelo capital para superar a crise
advinda do inicio da década de setenta, após o esgotamento
do modelo de produção massiva pregado pelo fordismo e pelo
Estado keynesiano. A rigidez das regras jurídicas e da
produção, com o Estado apontando e terraplenando o caminho
a ser percorrido pelo mercado, esgotou suas tarefas na
manutenção da racionalidade capitalista. Além disso, a
contrapartida pela pacificação da luta de classes -
as concessões feitas aos trabalhadores corroeu as
bases de acumulação.
(Alexandre Luiz Ramos Direitos Humanos, Neoliberalismo e Globalização in
Direitos Humanos como Educação para a Justiça)
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