A Grande Marmelada PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ubiratan Iorio*   
Tuesday, 26 October 2004


A quem interessa a manutenção das atuais “desigualdades”, a não ser aos próprios socialistas e demagogos populistas, que delas se nutrem como sanguessugas?


Quem assistiria a uma corrida de Fórmula 1 em que, por determinação dos diretores da prova, todos os carros, das fabulosas Ferrari às charangas que jamais pontuam e desde Schumacher até aquele japonês que sai religiosamente da pista em cada curva que encontra pela frente, fossem obrigados – para eliminar as “desigualdades históricas” existentes – a cruzar ao mesmo tempo a linha de chegada?

O mínimo que se diria de um evento desses é que é seria uma marmelada.

Pois este, caro leitor, é o conceito socialista de igualdade, malgrado os esforços para escondê-lo - por sinal, bastante competentes e movidos a Gramsci -, por parte de seus defensores.

É a igualdade de resultados ou na chegada, em que as diferenças entre néscios e inteligentes, preguiçosos e diligentes, azarados e afortunados, ignorantes e cultos, lorpas e espertos e pecadores e virtuosos são eliminadas por um comando central que institui a igualdade de rendas, exceções feitas para os membros do partido, o politburo e outros bajuladores do ditador, contemplados, naturalmente, com rendimentos maiores...

Esta é a essência do conceito esquerdista de justiça distributiva, que, onde quer que foi posto em prática, só conseguiu partilhar compulsoriamente a injustiça e estimular abertamente o ócio.

O socialismo, por suas premissas e também pela robusta e incontestável comprovação histórica, é uma baita injustiça, uma enorme agressão à dignidade da pessoa humana e uma formidável marmelada!

Não é por outro motivo que nunca se viu, por exemplo, coreanos ou vietnamitas do norte fugindo para a Coréia ou Vietnã do Sul, nem californianos buscando asilo em Cuba, nem italianos refugiando-se na antiga Iugoslávia.

A este sistema viciado, em que seres humanos, em nome de um impalpável “coletivo”, são tratados como cupins, sem direito a lutar por seus projetos individuais de vida, contrapõe-se o conceito de igualdade de oportunidades ou na largada, em que, tal como em uma corrida não viciada de Fórmula 1.

Os carros melhores, das escuderias mais ricas e os dirigidos pelos pilotos mais competentes largam na frente dos demais, porém, em circunstâncias que não impedem que possam ser ultrapassados, se outros vindos de trás mostrarem méritos para isso.

Como a igualdade na chegada do socialismo mostrou-se desumana, indigna e injusta e a igualdade absoluta de oportunidades sempre foi um sonho irrealizável, o que todas as sociedades hoje desenvolvidas fizeram foi, mediante investimentos em capital humano (educação, saúde e nutrição) e boas leis e instituições, viabilizar a superação das diferenças de oportunidades existentes.

Um exemplo, entre o filho de um banqueiro e o de um humilde agricultor, com prêmios à criatividade e à ética do esforço e do trabalho duro, o que fez possível ao segundo ultrapassar o primeiro em termos dos resultados obtidos, prerrogativa moral e economicamente, inquestionável.

Para eliminar as “desigualdades sociais” que infelicitam tantos e fazem o ganha-pão da intelligentzia, de muitos articulistas militantes e de um grande número de políticos demagogos, o ponto de partida não é – basta verificar-se o fracasso de todos os países que implantaram a igualdade pela força.

O Estado-Robin Hood, como o fanatismo decrépito e comatoso de muitos, em pleno 2004, sugere, mas a universalização do capital humano.

A partir disso, nada melhor do que deixar, ao pálio de instituições boas e estáveis, a cada cidadão, qualquer que seja a sua origem, raça ou credo, o livre arbítrio para exercer o mais humano dos atributos, que é a busca individual pela realização pessoal, dentro de padrões morais consagrados pela tradição.

A quem interessa a manutenção das atuais “desigualdades”, a não ser aos próprios socialistas e demagogos populistas, que delas se nutrem como sanguessugas?

O socialismo – e isto já está provado e comprovado! É uma grande marmelada, uma "mentirada" fantasiada de boas intenções.

* Ubiratan Iorio, é doutor em Economia pela EPGE/FGV. É Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ e Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, do Mestrado do IBMEC, Fundação Getulio Vargas e da PUC/RJ. É escritor com dezenas de artigos publicados em jornais e revistas.

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As Desigualdades Sociais

A elevação das desigualdades sociais também vem sendo alvo de profunda preocupação por parte das pessoas e entidades vinculadas aos Direitos Humanos, uma vez que se apresenta como fato gerador e alimentador de um processo de exclusão e desumanização do indivíduo em face de todas as questões já colocadas.

“Em sociedades marcados pela exclusão, pelos conflitos, pelas desigualdades estruturais, vivendo situações de injustiça institucionalizada, a questão dos direitos humanos se torna central e urgente.”

(Vera Maria CandauTecendo a Cidadania)

A perspectiva dos Direitos Humanos diante da globalização econômica e da hegemonia do neoliberalismo, marcado pelo eficientismo de mercado, cuja liberdade foi entronizada como regulador social absoluto, e pela idéia do Estado Mínimo, faz observar uma realidade perversa e arrasadora, principalmente porque atinge com maior contundência os mais excluídos e vulnerabilizados.

“A globalização, ou a mundialização econômica, ou mesmo internacionalização do capital, reflete a saída mercadológica encontrada pelo capital para superar a crise advinda do inicio da década de setenta, após o esgotamento do modelo de produção massiva pregado pelo fordismo e pelo Estado keynesiano. A rigidez das regras jurídicas e da produção, com o Estado apontando e terraplenando o caminho a ser percorrido pelo mercado, esgotou suas tarefas na manutenção da racionalidade capitalista. Além disso, a contrapartida pela “pacificação da luta de classes - as concessões feitas aos trabalhadores – corroeu as bases de acumulação. “

(Alexandre Luiz Ramos Direitos Humanos, Neoliberalismo e Globalização in Direitos Humanos como Educação para a Justiça)

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escrito por visitante, 2006-01-03 10:32:10
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