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"País pobre, é País burro". Educar do latim ex-duco, conduzir para fora da ignorância, da grosseria e das pretensões dos analfabetos.
A Arte de Salvar o Brasil
Descubro uma angústia depressiva em muitos artigos e e-mails
que leio. Alguns pergutam:
o Brasil tem saída?
- Outros já concluíram que esta foi uma experiência
fracassada.
- É uma nação inviável.
- É um Estado falido e uma burocracia que, de tão gorda,
já está matando a galinha dos ovos de ouro, o que quer
dizer, o setor privado.
Por que essa espécie de psicastenia coletiva grave, em grande
parte da elite intelectual?
Tudo tem solução pois nossos compatriotas são mestres na
arte de salvar permanentemente o país, de preferência por
intermédio de soberbas ideologias já defuntas como o Marxismo -
em que pese o obsessivo empenho dos americanos os quais, ao que
se diz, só pensam em duas coisas: democratizar o Iraque e
atrasar o Brasil começando por nos arrancar a Amazônia e humilhando os turistas brasileiros, que deviam tirar os sapatos
como se um Boeing fosse uma mesquita.
Embrenhando-me de mau jeito nesse magno empreendimento de arte
soteriológica, ofereço algumas dicas para a obra mágica de
salvar o Brasil (de seus governos).
Por exemplo: há desemprego?
Solução: cria-se por Medida Provisória 500.000 grupos de
trabalho para estudar o problema, vinte membros cada um, boas diárias
e muitas férias, que ninguém é de ferro, e temos imediatamente
os 10 milhões dos novos postos prometidos. Simplíssimo, salvo
se os americanos tentarem torpedear o projeto.
Eles nos poderão oferecer 300.000 vistos anuais para
imigrantes clandestinos, com fotografia, marca digital, sem
sapato no aeroporto e tudo o mais que revele sua arrogância.
A debandada para Orlando será geral!
Mas, neste caso, sempre existe a alternativa: impormos
reciprocidade, como cabe a uma grande potência emergente, com um
líder de prestígio global na Presidência o qual, em constantes
e estimulantes visitas a outros eminentes estadistas como os de
Cuba, da ilha de Taiti, o Kabaka do Burundi e o Palhaço-Mor da Líbia,
cria as condições de uma vasta e merecida reação popular.
Sua mensagem tem valor universal: Pé-rapados do
Mundo, uni-vos! Nada tendes a perder, exceto vossas cadeias...
Os alicerces do Capitólio, em Washington, tremerão e o
Presidente Bush se resguarde em sua casinha branca: o chamado à
revolta é mais perigoso do que um avião-bomba do Bin Laden.
Querem outro recurso para salvar o país?
Que não se fale mais no MST e em ocupação ilícita de
fazendas produtivas!
O melhor é partir para as terras devolutas, que as há em
abundância, quase quatro milhões de klms², neste que é o
quinto mais extenso país do mundo, com a vantagem sobre os
quatro colocados à nossa frente, de só conter terras férteis,
nenhum deserto e nenhuma tundra.
Sugiro que se faça:
- A Reforma agrária da Ilha do Bananal para o Norte e o
Oeste, para Mato Grosso, Rondônia e Roraima.
- Que se use desempregados, com caminhões paulistas, para
abrirem a ligação rodoviária asfaltada, saltando sobre
os Andes do Peru, com a recompensa de tomar banho de mar
nas praias do Pacífico.
- E que não se procure pacificar a Rocinha, no Rio,
estimulando os desesperados esforços dos dois garotinhos
meio-moleques que governam o Estado.
Se "país pobre é país burro", como
afirmava Mestre Gilberto Amado, o de que se necessita é ensinar
o B A = Ba, da Praça dos Três Poderes em Brasília até a
Prefeitura de Catolé do Rocha, passando pela Câmara de
Vereadores dos cinco mil municípios da Terra dos Papagaios.
Que tal começar com uma babá de curso primário, colocando
na primeira fila da escolinha metade dos intelectuais
da USP, Uerj, UniCamp e UnB, e a maioria dos que escrevem em
jornais dando a primeira lição de aritmética: 2+2=4, e
um Milhão não é a mesma coisa do que um Bilhão. E, logo em
seguida, lecionar um pouco de história. Quem descobriu o Brasil
foi Pedro Álvares Cabral cujo escriba logo a El Rey solicitou um
emprego para o sobrinho.
Educar, lecionar, instruir, é assim que se salva o Brasil.
Educar, do latim ex-duco, conduzir para fora da
ignorância, da grosseria e das pretensões dos analfabetos.
Governar é isso mesmo.
Já tivemos um Presidente que quis fazer em 5 anos o que se
faz em 50. Infelizmente, nunca elegemos um Presidente que
prometesse num mandato de 8 anos impingir 80 anos de educação.
Eu esperava isso do Lulinha. Lula é inteligente e esperto,
porém mais precisa da disciplina do que qualquer outro. Talvez
se convença do valor da cultura, pois ainda há tempo para isso.
J. O. de Meira Penna, é diplomata, tendo ocupado vários
cargos no exterior e chefiado sete embaixadas brasileiras. É
também escritor e jornalista, com mais de 20 títulos
publicados, como "Em Berço Esplêndido", "O Espírito
das Revoluções", "O Dinossauro", "Opção
Preferencial pela Riqueza" e "A Ideologia do Século
XX". E-mail:
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parlata
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