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O "mega" Projeto de Desenvolvimento Sustentável, com todos seus custos para a transposição
do São Francisco, atinge apenas 5% do semi-árido - 95% continuam
de fora.
Audiência Pública de Petrolina sobre Transposição do São
Francisco** - Acaba de acontecer em Petrolina mais uma audiência
pública sobre a transposição do São Francisco. Nada de novo,
rejeitada em massa pelos presentes, aliás como em todas as
outras audiências.
O Projeto de Desenvolvimento Sustentável para
a bacia e o semi-árido apresentado pelo governo agrega programas
importantes cisternas, dessalinização, pró-água semi-árido,
revitalização da bacia, etc mas não passa de uma agregação
de projetos para viabilizar a transposição.
Sem negar aqueles, continuamos negando a transposição.
O projeto praticamente voltou inalterado. Fala-se em consumo
humano, mas a obra é a mesma, "mega", com
todos seus custos, visando principalmente a irrigação,
carcinicultura, indústria e abastecimento de grandes centros,
como Fortaleza, que não tem demanda prioritária.
A população difusa do semi-árido, aquela que mais sofre a
falta de infra-estrutura, cantada nas músicas de Gonzaga,
pintada por Portinari, romanceada por Graciliano Ramos e
registrada poeticamente por João Cabral de Mello Neto, continua
de fora.
O projeto atinge apenas 5% do semi-árido, 95% continuam de
fora.
A única novidade ficou por conta do comentário de um dos
integrantes do Comitê. Segundo ele, na audiência acontecida em
Brasília esses dias, Ciro teria confessado que o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, tem uma dúvida sobre a transposição.
Ele não estaria convencido da transposição enquanto persistem
tantos problemas de água dentro da própria bacia.
Quem sabe o governo decida pôr os pés no chão e abrir um diálogo
real com a sociedade. Lula ainda tem esse tempo.
* Membro da Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra
(CPT)
** Vide assunto relacionado
adital
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