| Brasil Ruma ao Balbuciar |
|
|
|
| Escrito por Janer Cristaldo | |
| Thursday, 21 October 2004 | |
Senhores professores de português, sejam “homis” ou “muiéres”, abram os “zóio” Ricardo Bonalume Neto, um dos bons redatores de ciências da Folha de São Paulo, nos trouxe há pouco uma notícia reconfortante: que os bilíngües têm massa cinzenta mais densa. Segunda a revista científica britânica Nature, aprender uma segunda língua modifica a anatomia do cérebro. E, quanto mais cedo se aprende, maior a modificação. O achado seria uma comprovação neurológica de algo que qualquer imigrante que tenha filhos sabe muito bem: crianças tendem a aprender idiomas com mais facilidade do que adultos. Pesquisadores do Reino Unido e Itália prossegue a revista fizeram imagens por ressonância magnética funcional do cérebro e constataram que os bilíngües têm uma densidade maior da chamada "massa cinzenta" na região cerebral conhecida como córtex parietal inferior esquerdo. "O grau de reorganização estrutural nessa região
é modulado pela proficiência obtida e pela idade de aquisição",
afirmam Andrea Mechelli e colegas do Departamento Wellcome de
Imageamento de Neurociência, de Londres, e da Fundação Santa Lúcia,
de Roma, que assinam o estudo. E 33 bilíngües "tardios", que só
aprenderam outra língua entre os 10 e os 15 anos. Todos os
voluntários tinham idades e grau de educação semelhantes. O homem que fala várias línguas conhece étimos, a migração de uma palavra de uma língua a outra, suas diferentes acepções em diversos países ou períodos históricos. Claro que seu cérebro é privilegiado. No aprendizado das línguas dizia-me um amigo poliglota o mais difícil são as primeiras quinze. Depois destas quinze, tudo se torna mais fácil. O cérebro
agiliza-se de tal forma que as demais passam a ser praticamente
intuídas. Conheço de perto alguns destes seres. Eles já não
mais estudam uma língua. Estudam grupos de línguas ao mesmo
tempo, o que facilita o aprendizado. No início deste outubro lemos ainda na Folha o ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores, anunciou mudanças no Instituto Rio Branco, que forma os diplomatas do país. Não será mais eliminatória a prova de fluência em línguas estrangeiras na admissão ao curso. Ou pretender-se-ia que o cérebro de um reles diplomata fosse superior ao bestunto do chefe da nação? No que diz respeito a línguas, eliminatória será só o português. O candidato inseguro no vernáculo sempre fará melhor se
desistir do Rio Branco e candidatar-se à Presidência da República.
Terá boas chances de ser melhor sucedido. Para Amorim que vê isto como um grande avanço o exame atual desestimula pessoas que não tiveram vivência no Exterior e que não aprimoraram conhecimentos de línguas estrangeiras. Nesta filosofia, reside todo o projeto do atual governo: nivelar por baixo. Quem um dia teve a curiosidade intelectual de estudar línguas, de abrir janelas para o mundo, aqueles jovens que foram cheios de coragem mas sem um vintém para os Estados Unidos ou Inglaterra, que lavaram pratos e venderam pastéis para subsidiar seus estudos de inglês, estes não terão mérito nenhum por seus esforços. A partir do ano que vem, o Itamaraty será invadido por
monoglotas atrozes, que precisarão preparar-se desde o b-a-bá
nos instrumentos fundamentais de seus ofícios. Num gesto de racismo às avessas, o Instituto passou a oferecer bolsas de estudo no valor de R$ 25.000,00, a candidatos negros que queiram ingressar na carreira diplomática. Se você um dia pensou nessa carreira, é melhor que seja negro e analfabeto. Se for branco e culto, vá tirando o cavalinho da chuva, que cultura não é moeda que tenha curso nesta era Lula. Onde se viu ser mais culto que o Supremo Apedeuta? Será ensinado diz-nos ainda a Folha que não provém de ignorância expressões como muié (mulher), simbora (ir-se embora) e zoiá (olhar). O dicionário Aurélio está na alça de mira dos novos pedagogos, já que no verbete cabelo estão variantes que depreciam o negro: cabeça cocô-de-rola, cabelo ruim, "cabelo de cupim e carapinha. Neste trote em que marcham as mulas, até o Monteiro Lobato arrisca a ir para a fogueira. Em O Presidente Negro, o escritor taubateano nos fala de um instituto de desencarapinhamento, já que na sociedade futura concebida pelo autor, os negros tinham conseguido libertar-se do estigma da cor, mas não da carapinha. Neste mesmo trote, vai também para a fogueira o samba já clássico,
Nega do cabelo duro, de Rubens Soares e Davi
Nasser. E mulata será que pode? Esta glória da micigenação brasílica, cantada em prosa e verso deste que existiu, tanto em romances como em poesia, canções e sambas, terá virado palavrão? Vamos reeditar obras literárias, reescrever sambas, criar
novas rimas, só para satisfazer a sanha racista destes
burocratas stalinistas do Planalto que pretendem se apropriar da
língua? Logo da língua, que quem faz é o povo? De quebra, desqualifica quem quer que queira fazer um uso
correto do vernáculo. Não satisfeitos em desqualificar as
pessoas cultas, os novos pedagogos colocam no ror de delinqüentes
quem quer que aponte um erro de prosódia na fala de um aluno. O
PT, finalmente, confessa seu rumo: a barbárie. Cuidado ao corrigir provas. Nem ouse reprovar um aluno por questões vernáculas. Pode render um belo processo por racismo. Crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, conforme reza a Constituição-cidadã. E muita cautela se você fala duas ou mais línguas. Será,
ipso facto (ops!), um inimigo da nação. Caso você tenha
adquirido alguma cultura, disfarce. É um perigo. Remember Pol
Pot. Para os helênicos, bárbaros eram os estrangeiros que apenas balbuciavam o grego. Os neopedagogos de Brasília estão rumando, entusiasticamente, para lá.
Set as favorite
Bookmark
Email This
Hits: 12109 Comentarios (0)
![]() Escreva seu Comentario
|
| < Anterior | Próximo > |
|---|



(*) 
