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Escrito por Da Redação   
Wednesday, 20 October 2004
A percepção de empresários e analistas sobre a corrupção no Brasil não mudou em 2004. Entre os países da América Latina, estamos em primeiro lugar.

Países cuja classificação permanece inalterada são países que não são vistos pelos formadores de opinião internacionais como tendo empreendido medidas eficazes para reduzir as fraudes. É o caso do Brasil.

Esse quadro é demonstrado no último relatório da ONG Transparência Internacional.

O Brasil recebeu em 2004, no Índice de Percepção de Corrupção, que inclui 146 países, a pontuação de 3,9, numa escala que vai de 1 a 10 pontos, repetindo assim o desempenho do ano passado (este havia sido 4,0 em 2002 e 2001, 3,9 em 2000, 4,1 em 1999 e 4,0 em 1998).

Isso indica que o país não tem piorado ao longo do tempo na percepção internacional sobre o grau de corrupção vigente – mas, também, assinala que não tem melhorado.

Quanto mais baixa a pontuação, maior a corrupção percebida no país.

O desempenho brasileiro ficou acima da média da América Latina, de 3,5 pontos. Os países com a melhor avaliação entre os latino-americanos são:

  • Chile (20º), com 7,4,
  • Uruguai (28º), com 6,2,
  • Costa Rica (41º), com 4,9,
  • El Salvador (51º), com 4,2, seguido pelo Brasil.
  • O Paraguai (140º), com 1,9, tem a pior avaliação na região.
  • A Finlândia, vista como o país menos corrupto entre os pesquisados, registrou uma pontuação de 9,7.
  • O Haiti e Bangladesh dividem última colocação, com 1,5 ponto.

A Transparência Internacional considera uma pontuação inferior a 3 como indicador de corrupção endêmica. Dos 146 países estudados este ano, 60 tiveram pontuação inferior a 3.

O índice deste ano utilizou 18 pesquisas realizadas entre 2002 e 2004 por 12 instituições independentes.

O Índice reflete opiniões sobre a integridade das relações mantidas por todas as instituições do Estado, em todas as esferas, e não corresponde apenas aos governos nacionais, embora as ações destes últimos sejam muito determinantes na formação da opinião internacional.

Assim, quando um governo empreende um conjunto organizado de iniciativas anticorrupção e que seja percebido como significativo pela opinião internacional, isso tende a se refletir numa melhoria da pontuação atribuída ao país.

Países cuja classificação permanece inalterada são países que não são vistos pelos formadores de opinião internacionais como tendo empreendido medidas eficazes para reduzir as fraudes. É o caso do Brasil.

notibras

 

Compromissos de Lula de combate à corrupção

Considerando que o fenômeno da corrupção decorre do mau funcionamento dos mecanismos de controle do Estado e que o combate a esse mal depende de uma ação orquestrada na qual o poder Executivo tem papel de grande relevo, o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à Presidência da República nas eleições de 2002, se compromete a adotar as seguintes providências mínimas caso venha a ser eleito.

Agência anticorrupção

O Executivo liderará e reservará orçamento adequado para a formação de um organismo de anticorrupção com participação do Legislativo, do Judiciário, do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e, com papel consultivo, de organizações da sociedade civil. Caberá a tal agência detalhar um Plano Nacional Anticorrupção no prazo de seis meses a partir da posse presidencial. Uma vez acordado esse plano, caberá à agência acompanhar e impulsionar a sua implementação.

Link: Leia a proposta detalhada da TBrasil sobre funções e constituição dessa Agência.

Implementação de Convenções internacionais

O Executivo dará início imediato à implementação das medidas preconizadas na Convenção Anticorrupção da Organização dos Estados Americanos e na Convenção da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Desenvolvimento do combate científico à corrupção

O Executivo providenciará a organização e a disseminação de programas de formação em técnicas modernas de investigação, incluindo-se a área de finanças, e providenciará o aparelhamento de um laboratório modelo de investigações científicas.

Licitações públicas

A Presidência da República preparará editais-padrão para licitações de bens e serviços padronizados e determinará sua utilização compulsória por todos os órgãos da administração. Audiências públicas convocadas em obediência ao disposto na legislação obrigatoriamente discutirão os termos que a administração pretende imprimir aos respectivos editais. A administração divulgará mensalmente pela Internet todos os preços unitários de bens e serviços licitados no mês anterior, agregando-os por órgão, ministério e União. Tais preços serão acompanhados dos respectivos desvios-padrão, com identificação dos órgãos cujas aquisições se situem abaixo e acima desses limites.

Nepotismo e empreguismo

Os integrantes da administração federal investidos da prerrogativa de nomear pessoas para cargos de confiança serão proibidos, por decreto, de contratar parentes ou contraparentes.

Ouvidorias

O Executivo determinará a criação de um sistema de Ouvidorias que abranja todos os órgãos da administração federal.

As ouvidorias dos organismos federais continuam descentralizadas.

Resolução de conflitos de interesses

Institucionalização das funções da atual Comissão de Ética da Alta Administração, alterando-se suas atribuições para abranger todos os escalões administrativos, de forma descentralizada.

A Comissão foi mantida mas não institucionalizada. Suas atribuições não sofreram alteração; a Comissão permanece restrita à alta administração.


Manutenção e aperfeiçoamento da Controladoria-Geral da União

O novo governo manteve a Controladoria e nomeou o sr. Waldir Pires para chefiá-la. O órgão foi bastante fortalecido e tem colocado em prática iniciativas inovadoras, como o processo de sorteio de prefeituras que são então submetidas a auditoria. O organismo firmou convênios com Ministérios Públicos Estaduais para tornar mais eficiente esse procedimento.

Em dezembro de 2003, decreto presidencial regulamentou o funcionamento do Conselho de Transparência e Combate à Corrupção (leia), no âmbito da CGU.



Link em pdf : “Combate à corrupção – Compromisso com a ética” , a parte do programa da campanha de Lula dedicada à anticorrupção.

TBrasil

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