|
"O
que existe é a liberdade do dono da empresa de comunicação e não
a liberdade de imprensa". "Essas empresas tinham
que ter, no mínimo, uma consciência interna e respeitar a
Constituição Federal, que é bem clara ao dizer que a TV foi
criada para verificar os valores da familia", destacou
Jorge Cunha Lima, Presidente do Conselho da TV Cultura de São
Paulo
No Brasil, crianças gastam mais tempo com televisão
Dados de uma pesquisa publicada pela Folha de São Paulo,
domingo, revelam que 57% das crianças brasileiras passam cerca
de três horas na frente da TV e 43% delas não fazem esportes e
nem brincam com outras.
Para a jornalista e presidente da TVE/Rede Brasil, Bete
Carmona, Esses números são importantes porque mostram
que países como o nosso as crianças estão menos tempo dentro
da escola e mais em frente da TV. Por isso, acho que um dos
grandes méritos da TV publica deve ser em cima do publico jovem
e infantil, que será o telespectador adulto de amanhã,
disse ela durante sua participação na edição especial do
Programa Diálogo Brasil, da TV Nacional, em Brasília.
A jornalista lembra, ainda, que a sociedade não pode perder a
força educadora da televisão como potencial força de
conscientização e de informação para a população.
Para o presidente do Conselho da TV Cultura de São Paulo, Jorge
Cunha Lima, as emissoras de televisão aberta só poderão
entender o que é realmente um jornalismo de qualidade quando
elas souberem que o jornalismo hoje é o espetáculo.
Elas devem analisar as causas dos fatos, não o
espetáculo, mas a compreensão do acontecimento. Um ritmo que
seja capaz de fomentar a posição critica do cidadão,
defendeu ele.
De acordo com Cunha Lima, a televisão brasileira tem qualidade técnica
e não de conteúdo.
Está no jornalismo publico o cerne dessa questão.
A violência não acaba enquanto o espetáculo não acabar,
avalia ele.
Estudantes protestam contra baixaria na televisão
Integrantes da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação
Social (Enecos), do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação
Social - e do Centro de Mídia Independente (CMI) organizaram
ontem à tarde um ato público na Torre de TV, em Brasília, com
a transmissão de um programa de rádio com a participação do público
em geral.
O ato foi realizado em comemoração ao Dia Internacional de
Democratização da Mídia e 17/10, e teve o objetivo de chamar a
atenção das pessoas para a qualidade dos programas e informações
veiculados nos meios de comunicação.
A qualidade da programação da TV é péssima, muitas
mulheres nuas e pouco incentivo ao esporte, protestou
o faxineiro Gilberto da Silva, durante sua participação no
Programa Diálogo Brasil, que transmitiu ao vivo participações
do público na Torre de TV.
Para o faxineiro, as emissoras deveriam ter mais respeito com as
pessoas que estão assistindo os programas do outro lado da tela,
respeitando inclusive a possível presença de crianças.
Eu me revolto com as novelas e parei de assistir, agora só
vejo os telejornais, revelou ele.
Já a artesã Ângela Oliveira, ressaltou que primeiro é preciso
saber o que é qualidade para depois discutir o que deve ser
permitido na programação.
Criou-se uma programação que incita as crianças ao
consumismo, analisa. Segundo ela, não irá fazer mal
as pessoas desligarem os aparelhos de tv num dia de mobilização
contra a má qualidade dos programas de televisão.
Se desligar um segundo e esquecer a novela, os jornais,
as pessoas podem conversar com sua família, pensar em outras
coisas, refletiu ela.
A campanha Quem financia a baixaria é contra a
cidadania, encabeçada pelo deputado federal Orlando
Fantazzini (PT-SP), propôs que os telespectadores desligassem a
TV por um hora no domingo em um protesto simbólico contra a
baixaria na televisão.
É a TV quem forma ou deforma o brasileiro, afirma
presidente do Conselho da TV Cultura de São Paulo
O presidente do Conselho da TV Cultura de São Paulo, Jorge Cunha
Lima, na edição especial do Programa Diálogo Brasil, disse que
o papel das emissoras públicas de televisão é cada vez mais
importante no Brasil.
Tudo que é feito com qualidade dirigido a pouca
gente é importante e se contrapõe àquilo que é feito com o
princípio do espetáculo e é distribuído em grande massa para
milhões de pessoas, destacou ele.
Segundo Cunha Lima, a TV pública se tornou importante na medida
em que se transformou no fator fundamental para preencher o espaço
que a própria escola, a família, perderam.
É a TV quem forma ou deforma o brasileiro. A TV
publica é difícil e cara e exige talento, recursos e um esforço
fundamental. Mas agora a sociedade começa a entender isso,
disse ele.
Controle da qualidade de programas televisivos passa pela
sociedade, dizem especialistas
A psicanalista Maria Rita Kehl, autora do livro Videologias
junto com jornalista Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás,
disse hoje que a própria discussão sobre a qualidade na televisão
nas escolas forma um senso critico entre telespectadores que pode
ser fomentado dentro das salas de aula.
A afirmação foi feita durante debate sobre a democratização
dos meios de comunicação promovido no domingo pelo Programa Diálogo
Brasil, da TV Nacional.
Para ela, O Brasil não precisa de meios de controle da
programação, mas de criar formas de convívio social de lazer
desligadas da televisão. Ela (TV) ocupa espaço demais na vida
do cidadão brasileiro. Só o publico pode confrontar os
interesses das emissoras e exigir compromisso ético dessas
emissoras, destacou Maria Rita.
Já a jornalista e presidente da TVE/Rede Brasil, Bete Carmona,
ressaltou que na Europa existem os mesmos tipos de problemas
sobre o controle da qualidade dos programas na TV. Ela lembrou
que a TV comercial tambem invadiu o espaço da TV pública e que
uma das maneiras da sociedade tentar controlar a qualidade é por
meio da participação em organizações não-governamentais
(ONGs).
"Existem uma série de organizações que trabalham
junto às escolas, numa leitura crítica dos meios. Um trabalho
realizado com professores para ensinar a discutir e a falar dessa
televisão, que invade tanto a nossa vida e o dia-a-dia,
afimou.
O presidente do Conselho da TV Cultura de São Paulo, Jorge Cunha
Lima, destacou que a resistência para a criação de mecanismos
de controle da programação não é uma questão da imprensa.
Segundo ele, "o que existe é a liberdade do dono da
empresa de comunicação e não a liberdade de imprensa".
"Essas empresas tinham que ter, no mínimo, uma
consciência interna e respeitar a Constituição Federal, que é
bem clara ao dizer que a TV foi criada para verificar os valores
da familia", argumentou ele.
Para Cunha Lima a Constituição brasileira é a única que
diferencia TV estatal de TV pública e TV comercial.
"A TV estatal, institucional, tem seu papel de
revelar as ações do Estado, seja no poder Executivo,
Legislativo ou Judiciário. A TV pública é uma vontade da
sociedade. Para que ela exista é preciso ter uma estrutura jurídica
institucional independente do governo, o que é muito difícil. A
TVE (Rio de Janeiro) já ganhou essa dimensão, a TV Cultura (São
Paulo) e todos os governadores estão tendendo que as emissoras
se modifiquem", avaliou ele.
Agência Brasil
|