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"A inovação tecnológica é considerada
estratégica, pelo governo brasileiro, principalmente em setores
da economia, cujos produtos contêm um alto valor agregado, como
o espacial. Mesmo em uma situação de desequilíbrio de
nível tecnológico, as parcerias, com países mais avançados
são consideradas estratégicas, desde que estejam enquadradas em
conceitos de ganhos e aprendizado tecnológico".
O governo brasileiro, através do Ministério da Ciência e Tecnologia, tem buscado reformular nos últimos anos a política de C&T.
Para uma inserção brasileira adequada na economia globalizada, o governo defende um modelo de arranjo institucional mais dinâmico e integrado com o objetivo de ampliar a participação da sociedade neste processo.
Programa Espacial Brasileiro tem aplicações em áreas diversas
Imagine um imenso campo de plantação de soja no coração do Brasil. Agora vá até os morros de uma grande capital, pode ser Rio de Janeiro ou São Paulo.
Subindo mais um pouco, chegamos até a região da floresta amazônica. Nesse rápido passeio, encontramos três situações que precisam dos dados fornecidos por satélites brasileiros.
São alguns dos exemplos dos benefícios para a sociedade, decorrentes do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), que envolve, além da Aeronáutica, a Agência Espacial Brasileira – AEB e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, organismos do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Esses benefícios resultam dos recursos possibilitados pela utilização de satélites, com ênfase em aplicações de interesse do nosso cotidiano em áreas como Sensoriamento Remoto, Meteorologia, Oceanografia, Telecomunicações e Navegação.
Mas, como?! Vamos caso a caso.
Plantação de soja.
O INPE, localizado em São José dos Campos (SP), dispõe na sua estrutura de uma Coordenação de Observação da Terra. Uma das suas linhas de pesquisa é na área de sensoriamento remoto aplicado à agricultura.
Através de imagens geradas por satélites como CBERS ou Landsat, é possível desenvolver metodologias para estimar a área plantada e a produtividade de culturas agrícolas.
Morros e encostas.
Na linha de pesquisa de Sistemas e Métodos de Planejamento e Gestão Territorial, o INPE desenvolve técnicas que auxiliam gestão do território, atendendo a demandas municipais.
Há uma categoria específica, de Geoinformação para Gestão Municipal, que fornece subsídios sobre variáveis geomorfológicas no estudo de deslizamentos e análise de áreas urbanas através de imagens de alta resolução espacial. Com isso, as prefeituras têm informações para planejar uso e ocupação do solo urbano, evitando assim deslizamentos e outros problemas afins.
Floresta amazônica.
Uma outra linha de pesquisa se refere ao Sensoriamento remoto no Estudo de Ecossistemas Terrestres, e desenvolve estudos para avaliar o quadro atual e os processos hidrológicos e de produção primária dos principais ecossistemas brasileiros (Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia, Pantanal e Caatinga).
Dentre as áreas de abrangência desse grupo de pesquisa há estudos específicos para monitorar o desfloramento da Amazônia e para mapeamento da planície de inundação do rio Amazonas e avaliação de sua variabilidade espacial e temporal.
Entre as aplicações do Programa Espacial Brasileiro, também destacam-se:
- o mapeamento, avaliação e controle de reservas minerais e recursos hídricos;
- coleta de dados para uso em modelos de previsão de tempo e clima;
- levantamento, cadastramento e monitoração do meio ambiente (queimadas, desmatamento, poluição, avaliação do uso da terra);
- vigilância territorial e de fronteiras;
- caracterização, prospeção e acompanhamento marítimo; mapeamentos geológicos, cartográficos e florestais;
- utilização em telecomunicações, inclusive em setores de baixa rentabilidade comercial, como teleeducação e telemetria;
- preservação e exploração da biodiversidade e mudanças globais.
No açúcar do seu cafezinho, tem um satélite brasileiro

Um dos maiores produtores de açúcar do país usa os dados fornecidos pelos satélites. A Copersucar União, empresa com sede em São Paulo, investe cerca de 30 milhões de reais por ano em C&T e é uma das mais avançadas instituições no desenvolvimento de tecnologia para a agroindústria da cana-de-açúcar no mundo.
O Centro de Tecnologia da Copersucar é um dos usuários dos serviços fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, através da utilização de imagens do satélite da série Landsar e CBERS e dos estudos conjuntos de radiometria com a Divisão de Sensoriamento Remoto.
Com essas informações, a Copersucar faz análise do uso da terra para identificação e quantificação da área das diferentes culturas agrícolas. Além disso, com esses estudos é possível identificar as variedades de tipos de cana de açúcar e até mesmo monitorar problemas com pragas e infestação de plantas invasoras no canavial.
"Através desse Planejamento Geral da Lavoura, conseguimos racionalizar custos e melhorar a qualidade na produção de açúcar e álcool", explica o engenheiro Jorge Luis Donzelli, Gestor de Programas de P&D do Centro de Tecnologia da Copersucar.
E acrescenta: "sem esses serviços, perderíamos agilidade na obtenção de informações que contribuem para um melhor gerenciamento dos negócios da empresa que dependem destes dados".
Dados do programa espacial contribuem para produção agrícola mais farta e de melhor qualidade

Se um agricultor da cidade de Patos de Minas, no interior de Minas Gerais, precisa de informações sobre alerta de doenças na cultura do milho.
Um produtor de trigo paranaense quer saber sobre estiagem agrícola ou umidade do solo.
Pela internet, "o programa "Agritempo" Sistema de Monitoramento Agrometeorológico desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária, responde a essas e a inúmeras outras dúvidas de agricultores de todo o Brasil".
Para alimentar essa base de dados, são essenciais os serviços de previsão do tempo e clima do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE.
O organismo, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, utiliza imagens de satélites diversos, nacionais e internacionais, para garantir a boa qualidade das previsões meteorológicas. Se pensarmos num país com extensões continentais como Brasil, a precisão nesse tipo de informação é essencial para o planejamento de diversas atividades econômicas, principalmente a agricultura.
O sistema desenvolvido pela Embrapa com base nessas informações permite aos usuários o acesso, via Internet, às informações meteorológicas e agrometeorológicas de diversos municípios e estados brasileiros. O Agritempo
permite a atualização de cadastro de estações e dados climáticos diários (temperaturas máxima e mínima, e precipitação), criação de boletins agrometeorológicos e visualização de mapas que são gerados dinamicamente no momento da execução dos boletins.
"Essas informações são decodificadas e repassadas ao agricultor na forma de alertas de doenças, manejo de solo, estiagem agrícola, necessidade de irrigação, datas prováveis de plantio e umidade do solo, entre outros dados, que são fundamentais para o dia-a-dia do agricultor", esclarece o pesquisador Eduardo Assad, coordenador do Agritempo.
Cem por cento nacional
O grande objetivo é ter satélites brasileiros, lançados por foguetes brasileiros de uma base brasileira. Hoje o Brasil já dispõe da base e de satélites, e tenta ter o foguete, no caso, o VLS-1. Dentre os satélites brasileiros que estão em órbita, temos como exemplos o SCD – Satélite Coletor de Dados, lançado de base americana, e o CBERS, em parceria com a China.
Com a Base de Alcântara, o país reduz os custos de lançamento de satélites, não só por ser base própria, mas também pela posição privilegiada, próximo à linha do Equador, que reduz gastos com combustíveis.
"A localização peculiar do território brasileiro possibilita, também, vantagens comparativas na condução de pesquisa científica sobre alguns fenômenos ou temas específicos. São exemplos (...) as bolhas de plasma (que interferem nas comunicações), as interações oceano-atmosfera no Atlântico Sul (de grande importância na modelagem do clima), ou os impactos das ações antrópicas na região Amazônica sobre os climas regional e global" (G. Meira, L. Fortes, E. Barcelos, IV Encontro do Núcleo de Estudos Estratégicos da UNICAMP, 1988).
Um dos principais benefícios para a sociedade brasileira, decorrentes do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), coordenado pela AEB, resulta dos recursos possibilitados pela utilização de satélites, com ênfase em aplicações de interesse do nosso cotidiano em áreas como Sensoriamento Remoto, Meteorologia, Oceanografia, Telecomunicações, Geodésia e Navegação.
Base de Alcântara
Outra utilização da Base de Alcântara é o desenvolvimento do Projeto Microgravidade através dos foguetes de sondagem. A microgravidade é uma ferramenta poderosa para o melhor entendimento de questões fundamentais da ciência, visando encontrar soluções para problemas terrestres.
Permite otimizar e melhorar processos físicos, químicos e biológicos importantes no desenvolvimento da ciência, engenharia e medicina.
Alguns exemplos da aplicação das experiências em microgravidade:
i- em ciência dos materiais, a microgravidade possibilita aprofundar a compreensão da formação, estrutura e propriedades dos mais diversos tipos de materiais.
A ausência de gravidade é fundamental para entender a função da convecção, sedimentação e pressão hidrostática na solidificação e no crescimento de cristais, na formação de materiais semicondutores eletrônicos e opto-eletrônicos, ligas, metais, compósitos, cerâmicas, vidros e polímeros.
ii- a biotecnologia envolve pesquisa, manipulação e produção de moléculas biológicas, tecidos e organismos vivos. Tem se beneficiado do ambiente de microgravidade para fazer crescer cristais de proteína, células e tecidos. Medicamentos baseados na estrutura das proteínas estão sendo utilizados para tratar doenças como AIDS, câncer e diabetes.
iii- outra área da biologia que se beneficia da microgravidade é a cultura de células e tecidos. A cultura de tecidos humanos, tanto normais como cancerosos, é uma grande promessa para aplicações médicas como, por exemplo, transplante de tecido em queimados.
"Alguns estudos realizados pela NASA verificaram taxas de retorno associadas aos investimentos nos programas espaciais da ordem de 7 para 1".
"Estudos da agência européia ESA avaliaram os retornos sobre recursos investidos em contratos industriais indicando taxas de 3 para 1".
Reportando-nos ao exemplo das previsões do tempo, estimativas sobre o valor potencial da informação meteorológica no setor agrícola brasileiro indicam um impacto da ordem de 2 bilhões de dólares ao ano.
(Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil, "Setor Aeroespacial Brasileiro, Oportunidades e Desafios", São José dos Campos, janeiro 1998, em Meira et.all., op.cit.)
Investigação do acidente, ocorrido em agosto de 2003, analisa informações e hipóteses
Segundo relatório apresentado, três foram os fatores que estiveram ligados, no acidente, como causas remotas, ao incêndio que matou 21 servidores do IAE, enquanto preparavam o foguete para sua terceira decolagem.
O primeiro foi o baixo nível de investimentos. Segundo lugar, a política de pessoal do setor, que não era suficiente para manter pessoal capacitado nos projetos. E terceiro, a organização institucional se mostrou falha, "já que a AEB, teoricamente responsável pelo programa, não tem comando efetivo sobre as atividades", de acordo, com o deputado Corauci Sobrinho (PFL-SP), coordenador dos trabalhos da comissão externa instituída pela Câmara dos Deputados para investigar as raízes do acidente com o VLS-1.
Link : Síntese do Relatório de Investigação do Acidente ocorrido com o VLS-1 V0 (Petronio Noronha, Agência Espacial Brasileira - AEB)
Indenizações e apoio às famílias das vítimas do acidente
Ao Congresso foi entregue o Projeto de Lei que trata das indenizações às famílias das vítimas do acidente no Centro de Lançamentos de Alcântara (CLA). Pelo texto, cada família tem direito a uma indenização no valor de cem mil reais, além de bolsas de estudos de 400 reais para os filhos das vítimas, com idade até 21 anos.
Alguns termos passaram por mudanças no Legislativo, como a ampliação da idade máxima para a bolsa de estudos para atender aqueles que hoje estão com 19 anos e ingressando agora no ensino superior.
À época do acidente, uma equipe formada por funcionários do Centro de Tecnologia da Aeronáutica (CTA), Agência Espacial Brasileira (AEB), Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) e Prefeitura de São José dos Campos garantiu suporte para sepultamento das vítimas e acompanhamento psicológico para os familiares, enquanto for necessário.
Continuidade do Programa
A fatalidade do acidente não diminuiu a motivação de avançar com o Programa Espacial Brasileiro, continuidade inclusive pedida pelos familiares das vítimas do acidente de Alcântara. "Formulamos nova proposta orçamentária, dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Desefa, para garantir que o Programa seja executado na sua plenitude e com consistência", afirmou o presidente da AEB, Luiz Beviláqua.
Essa proposta, prevê a alocação de 100 milhões de dólares/ano para o Programa Espacial, distribuídos na AEB, INPE e CTA. Os recursos serão investidos, além do VLS, nos acordos de cooperação com a Ucrânia e a China, reconstrução e ampliação do CLA.
Outras questões também seriam resolvidas como reformulação do plano de cargos e salários para os funcionários da área espacial e problemas sociais e fundiários das famílias que tiveram suas casas desaproriadas para a construção do CLA.
Segundo Beviláqua, dessa forma teria como garantir a execução do Plano Plurianual do setor, que inclui ainda "cooperação com universidades e centros de pesquisa, melhor capacidade de atendimento ao setor industrial, divulgação da tecnologia espacial nas escolas e infra-estrutura das instalações de terra".
Cláudia Soares, mct.gov.br / Paulo Escada, comciencia
Notas: 1. ARAUJO, Braz, LIBERATTI, Marco Antônio. "Controle de armas e proliferação nuclear no Pós-Guerra Fria: percepções norte-americanas". São Paulo, 1996. (Working Papers, 7). Núcleo de Políticas e Estratégias da Universidade de São Paulo. [voltar]
2. CAVAGNARI FILHO, Geraldo Lesbat. Pesquisa e Tecnologia Militar. In SCHWARTZMAN, Simon (org.). "Ciência e Tecnologia no Brasil: A capacitação brasileira para a pesquisa científica e tecnológica". Rio de Janeiro. Fund. G.V Editora, vol. 3, 1996.
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