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Escrito por D. Luiz Demétrio Valentini   
Saturday, 16 October 2004

"Está na hora de enfrentar, com clareza, a tão falada “Reforma Política”, que até hoje ninguém teve a coragem de iniciar", D. Demétrio Valentini.

Estas observações precedem o resultado numérico das eleições municipais do dia 03 de outubro.

Até porque são feitas ainda na véspera do pleito. Por isto, prescindem da análise de resultados concretos, que se feita, precisaria ser contextualizada em cada município.

Cada eleição, em princípio, fortalece o processo democrático. Pois a democracia se define, até etimologicamente, como o “governo do povo”.

E não existe instrumento mais adequado para aferir a vontade do povo do que a eleição, onde cada cidadão pode expressar sua vontade.

Neste sentido, é salutar a reiteração de eleições, na normalidade de períodos estabelecidos por lei. Ainda precisamos consolidar nossa tradição democrática.

Até porque não passa de vinte anos que as grandes cidades, é bom lembrar, puderam eleger seus prefeitos, que por um determinado período foram nomeados pela ditadura militar.

As eleições, portanto, oxigenam o processo democrático.

Ao mesmo tempo, estas eleições evidenciaram a urgência de mudanças neste processo, com o risco de ficar desacreditado, com graves prejuízos para a democracia.

Está na hora de enfrentar, com clareza, a tão falada “reforma política”, que até hoje ninguém teve a coragem de iniciar.

Pois ao votar, um número crescente de eleitores pergunta se, de fato, vale a pena votar.

De um lado, porque continuam os mesmos vícios que fazem das campanhas eleitorais um campeonato de pressões econômicas, com derrame de dinheiro que acaba comandando o resultado eleitoral.

Por outro, mesmo que o resultado expresse o desejo de mudança, a sensação dos eleitores é de que tudo continuará na mesma, pois a política perdeu a força de comandar o processo econômico e social.

E’ urgente recuperar a esperança da validade das eleições, para que expressem a vontade do povo, e para que esta vontade seja respeitada e concretizada pelas administrações eleitas.

Urge um aprimoramento do nosso processo democrático, através de uma verdadeira “reforma política”. Esperamos que este aprimoramento seja desencadeado a partir das lições que estas eleições estão reiterando para o país.

Uma reforma política precisa contemplar o próprio processo eleitoral. O sistema eleitoral brasileiro tem notórios méritos, sobretudo por sua boa organização e documentação exemplar.

A lei eleitoral é muito clara em coibir a compra de votos. Mas é evidente a fraqueza do sistema para urgir a observância desta lei. Em muitos municípios simplesmente se ignora a lei, e a corrupção corre solta e impune, debochando da justiça eleitoral.

A reforma política precisa repensar as campanhas eleitorais.

Outro ponto evidente é a necessidade de uma reforma partidária. Caso contrário, caminha-se para um impasse. Pois sem partidos bem definidos e coerentes, o povo não pode canalizar sua vontade política. E sem partidos consistentes, a vontade política expressa pelas eleições não pode, depois, ser operacionalizada.

O estatuto da fidelidade partidária é indispensável para estruturar partidos que tenham dimensão nacional, e que possam ser instrumentos para harmonizar a ação política entre as diferentes instâncias do estado brasileiro.

Está na hora, também, de rever o estatuto da reeleição, cuja introdução em nossa história política foi motivada por evidentes intenções de manutenção do poder.

Passadas as eleições, que ainda precisam se concluir nas cidades maiores onde vai se realizar o segundo turno, relativizando seus resultados concretos, tiremos as lições maiores que elas nos apresentam.

E continuemos exercendo nossa responsabilidade, acompanhando de perto a questão maior da nossa democracia, que está em causa.

 

Dom Luiz Demétrio Valentini, é bispo Diocesano de Jales/SP. Natural de S.Valentim, Rio Grande do Sul. Foi membro da Comissão Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional de Bispos Brasileiros (CNBB), responsável pelo Setor Pastoral Social. Foi Presidente da Cáritas Brasileira, e membro do Depto. de Pastoral Social do CELAM (1991-99). Como coordenador da Comissão de Ecologia participou da 4ª Conferência Episcopal Latino Americana, de Sto Domingos (1992). É membro da Comissão Permanente do Sínodo Especial da América, onde foi eleito membro permanente (1997). Você se comunica com ele pelo email: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Comentarios (1)Add Comment
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escrito por Visitante, 2005-05-29 12:17:11
bueno la pagina esta muy buena

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