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Escrito por Assessoria de Comunicação da UnB   
Friday, 15 October 2004

"Pesquisa da Universidade de Brasília/DF, aponta que Estados Unidos fazem investigações tendenciosas sobre exportações brasileiras".

 

  • Alegações de dumping (prática desleal de preços abaixo do custo no comércio internacional),
  • salvaguardas (medidas contra a importação de determinados produtos para prover um período de ajuste para as firmas locais),
  • medidas antisubsídios ou compensatórias (que pretendem anular o efeito de subsídios concedidos pelo governo estrangeiro),
  • sobretaxas sem motivos específicos, processos contra empresas cuja venda no mercado americano é pequena e investigações tendenciosas.

Essa é a posição dos Estados Unidos em relação ao Brasil, segundo análise feita pelo mestre em economia pela Universidade de Brasília (UnB) Bruno Carazza dos Santos, na dissertação "O Protecionismo Americano e seus Efeitos sobre as Exportações Brasileiras: O Caso das Medidas Antidumping e Compensatórias entre 1980 e 2002", defendida em setembro/2003, sob a orientação do professor do Departamento de Economia Maurício Barata de Paula Pinto.

Para melhorar esse cenário, Carazza sugere que o governo brasileiro redirecione suas ações ao combate desse tipo de prática, que prejudica e limita às exportações brasileiras.

O mestre pela UnB, que fez o primeiro estudo aprofundado sobre o tema de acordo com a banca, desenvolveu um trabalho árduo.

Levantou o total de exportações das empresas brasileiras para os EUA em relação aos produtos investigados e verificou o quanto eles representam para o total de importações dos Estados Unidos.

“É uma medida de relevância dos produtos brasileiros no total de importações dos EUA”, explica Carazza.

A pesquisa identificou que as empresas brasileiras participam com apenas 10% das importações americanas, o que demonstra que não teriam potencial para afetar o mercado americano de forma significativa.

Apesar disso, cerca de 60% dos produtos exportados pelo Brasil para os EUA são afetados, de uma maneira ou de outra, por restrições tarifárias e não tarifárias no mercado norte-americano.

Entretanto, com o intuito de proteger suas indústrias, menos competitivas em relação a muitos produtos fabricados ou cultivados no Brasil, os EUA agiriam de forma duvidosa.

Durante o estudo, o economista analisou vários processos do governo americano contra o brasileiro no âmbito do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt) e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ele verificou que o Brasil sofreu mais investigações que o Canadá, México, Reino Unido e França, países que exportam mais para os EUA que o Brasil.

“Cerca de 6,5% das investigações americanas são contra o Brasil”, afirma Bruno.

SIDERÚRGICAS – Um dos setores que mais sofrem com processos americanos é o da siderurgia – 67% do total das investigações são contra essa indústria.

Uma das explicações para o excesso de pedidos de investigação nesse setor é a pressão das siderúrgicas norte-americanas sobre o governo para limitar as importações vindas do Brasil.

“O direcionamento das investigações para essa indústria existe porque o produto siderúrgico brasileiro tem melhor qualidade e preços mais baixos que o americano, além do minério de ferro ser abundante e a localização geográfica do país próxima aos EUA. Durante o processo de privatizações no Brasil a indústria modernizou-se, e por isso, tornou-se bastante competitiva”, diz Carazza.

SUCOS - Outra indústria brasileira alvo de processos é a do suco de laranja. Em 1982, o Brasil foi acusado de praticar o dumping e em seguida, começaram as investigações.

Em 1986, os EUA implementaram medidas antidumping para tornar suas indústrias mais competitivas. Quase 10 anos depois, foi solicitada a revisão dessas medidas, mas em 1998, os EUA mantiveram em vigor a sobretaxa ao produto brasileiro, apesar de a produção americana ter aumentado três vezes e a participação brasileira ter caído a menos de ¼ em relação ao total anterior.

“Isso mostra que os argumentos dos EUA são políticos e não técnicos”, garante Carazza.

Em geral, o procedimento tendencioso acontece com produtos que são mais competitivos que os americanos.

COM RELAÇÃO AO BRASIL - Além do suco de laranja e das siderúrgicas, existem investigações americanas contras as indústrias de óleo vegetal, de autopeças e minérios, entre outras.

CENÁRIO MUNDIAL – Após a segunda Guerra Mundial, em 1947, os países estabeleceram o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt), com o propósito de reduzir as barreiras ao comércio internacional para o crescimento e desenvolvimento das nações.

Antes desse acordo, a tendência dos países era a de proteger ao máximo suas indústrias e barrar as importações.

Até os anos 1970, o Brasil era um país basicamente agrícola, com poucas indústrias. Somente a partir daquela década, as indústrias instaladas no país começam a exportar de maneira significativa para o exterior.

Em 1984, o Brasil assinou o Acordo Voluntário de Restrição de Exportações, aceitou as cotas estabelecidas pelos EUA e prejudicou sua própria balança comercial.

Entre 1985 e 1991, houve crescimento de acusações de dumping, em relação a diversos produtos, principalmente os não-siderúrgicos (como etanol, autopeças e suco de laranja).

Nos anos 1990, com a abertura dos mercados, o Brasil passou a produzir mais visando à exportação. Determinou-se também o fim dos acordos de restrição voluntária, na rodada Uruguai em que foi criada a Organização Mundial de Comércio (OMC).

Entre 1991 e 1994, houve um aumento das investigações contra produtos siderúrgicos. As sobretaxas já eram superiores a 100% no aço.

Entre 1994 e 1998, quase não há processos de investigações contra o Brasil.

Mas, a partir de 1998, com a desvalorização do câmbio no Brasil, os preços dos produtos ficaram mais baratos, o que levou o governo dos EUA a adotar salvaguardas em 2002.

Uma nação busca se proteger com várias medidas, como antidumping, sobretaxas, salvaguardas e compensatórias.

Além disso podem ser estabelecidas cotas de exportação e padrões de qualidade sanitários e ambientais, que restringem as exportações.

APURAÇÃO – Nos Estados Unidos, quando uma indústria afirma sentir-se lesada pelas relações de comércio internacionais, o governo norte-americano pode solicitar investigações junto à Administração de Comércio Internacional (ITA), um órgão federal, e à Comissão de Comércio Exterior (ITC), ligada à OMC.

Essas duas instituições verificam se procedem as afirmações das indústrias. Verificam-se os preços do produto, dentro e fora do país, se há algum tipo de subsídio estatal para as empresas, se outras indústrias da área quebraram, se os lucros diminuíram ou se o nível de desemprego aumentou.

A partir daí discute-se a colocação de uma barreira de importação. Se for provado que o país investigado está praticando o dumping ele deverá pagar uma sobretaxa à tarifa de importação.

Teoricamente nenhum país pode conceder reduções tarifárias a outro, sem estender aos demais e nenhum país pode discriminar o outro nas relações comerciais.

Os processos de investigação podem prejudicar as nações, pois outros países deixam de comprar o produto daquele acusado de prática ilícita.

No caso do Brasil, que sofre com várias medidas protecionistas dos EUA, algumas vendas para o Canadá e o México já foram perdidas.

BRUNO CARAZZA DOS SANTOS, é mestre em economia pela Universidade de Brasília (UnB) /DF.

Por conta de seu estudo desenvolvido no Departamento de Economia da UnB, Carazza ficou em segundo lugar, na categoria dissertação de mestrado, no Prêmio Brasil Economia, conferido este ano pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon).

CONTATO
Bruno Carazza dos Santos pelo telefone (61) 9962 2255 ou pelo e-mail: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Mais informações pelos telefones 307 2028 e 307 2029.

 

Unb Agência

Comentarios (3)Add Comment
parabens
escrito por Visitante, 2005-05-17 19:54:13
Bruno

suas ideias sao valiosas para avaliarmos nao soh a situacao norte-americana, como tambem do mercosul

abraco,

Italo Coutinho
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rafael da silva da gama
escrito por Visitante, 2006-06-15 11:18:08
Rafael da silva da gama
escrito por Visitante, 2006-06-15 11:24:58
Acho que boa parte do tempo dos adolescente seja dificio,quando chega maturidade,prejudicando-a si propria.Revelando sentimentos que possam de alguma maneira ser utilizado contra as pessoas que vivem ao seu redor.

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