“Os países mais corruptos são os mais pobres”, diz a diretora da Sucursal da Folha de S.Paulo, em Brasília.
Especialistas acreditam que o Brasil poderá erradicar a extrema pobreza e a fome, com medidas de 'choque' social.
A primeira meta da Organização das Nações Unidas (ONU) é
erradicar a fome e a pobreza no mundo.
A intenção está contida no documento Declaração do Milênio,
assinado pelo governo de 191 países, que estabelece metas mínimas
para o desenvolvimento da humanidade até 2015. Nesse futuro próximo,
os países terão de reduzir pela metade o número de pessoas que
vivem com menos de um dólar por dia.
No Brasil, em 1990, ano de referência para os Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio (ODM), 8,8% da população viviam
abaixo dessa linha. Uma década depois, caiu para 4,7% se
aproximando da meta (4,4%).
Para que o programa seja cumprido, o senador Cristovam Buarque
(PT/DF) acredita que é preciso acabar com o mito de que o
aumento da riqueza social reduz a pobreza.
A solução não está no transbordamento da renda,
e sim na inclusão dos pobres, afirmou o ex-ministro
da Educação e ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB),
entre 1985 e 1989.
Buarque acredita que seja preciso um choque social.
Só depois disso, ele defende a garantia de acesso dos pobres
aos bens de serviço essenciais. E a educação é o primeiro
passo.
O povo brasileiro não dá importância a educação,
disse.
A erradicação da pobreza e da fome foi o tema desta
quinta-feira, dia 14 de outubro, do curso Políticas públicas e
os projetos de desenvolvimento do milênio, oferecido pelo
Decanato de Extensão (DEX).
As metas da ONU (ver abaixo) prevêem 25 anos para o cumprimento
dos desafios. Buarque concorda que as mudanças no Brasil não
podem, de fato, ser feitas em período menor que esse e disse que
não há tempo de cuidar de tudo.
Se a educação for priorizada, o resto virá em acréscimo,
apontou. E disse ainda: O país precisa pedir desculpas
pelos os que ainda estão fora da escola, e não comemorar os que
já estão dentro.
Além de maior cuidado no que diz respeito à questão de
infra-estrutura das escolas, o senador falou da importância do
papel do professor:
Ele é a cabeça, o coração e o bolso da educação.
Uma espécie de santíssima trindade do magistério.
VALORES A jornalista Eliane Cantanhêde
também acredita no choque social como forma de
mobilização e eficiente ferramenta para a mudança do quadro
atual. Ela defende o envolvimento de todos os setores da
sociedade, inclusive da imprensa. Segundo Eliane, valores como
honestidade também influenciam nessa situação.
Os países mais corruptos são os mais pobres,
disse a diretora da Sucursal da Folha de S.Paulo, em Brasília.
A segunda meta do primeiro Objetivo de Desenvolvimento para o Milênio
(ODM) é reduzir pela metade a proporção da população que
sofre de fome. Nessa tentativa, o governo do presidente Lula vêm,
desde sua campanha eleitoral, trabalhando o programa Fome Zero.
Para o professor da Faculdade de Direito (FD) da UnB, José
Geraldo de Sousa Júnior, o projeto atinge um objetivo filosófico
importante para o país: o apelo pela cidadania. Entretanto,
ainda há dificuldades operacionais que só serão sanadas no
dia-a-dia.
Também fizeram parte da mesa-redonda o subsecretário de Promoção
e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria Especial de Direitos
Humanos da Presidência da República, Berly Cipriano, o oficial
de Assuntos Econômicos da Comissão Econômica para a América
Latina e o Caribe (Cepal/Brasil), Carlos Mussi e o assessor da
Secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome.
PARA ENTENDER AS METAS DA ONU
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)
foram firmados durante a Cúpula do Milênio, realizada em 2000,
quando foi aprovada em Nova Iorque a Declaração do Milênio das
Nações Unidas por 147 chefes de Estado e de governo de 191 países.
O documento estabelece metas mínimas até 2015 para o combate à
pobreza, fome, doença, analfabetismo, degradação do meio
ambiente e discriminação contra a mulher. Veja os
objetivos e o que o governo brasileiro está fazendo para alcançá-los:
ODM 1: Erradicar a pobreza extrema e a fome.
Iniciativa do governo: O programa Fome Zero e
dentro dele o Bolsa Família, que até dezembro de
2004 pretende atender 6,5 milhões de famílias.
ODM 2: Atingir o ensino básico universal
Iniciativa do governo: O programa Brasil
Alfabetizado
Nossa prioridade maior não é mais o acesso à escola
e sim a melhoria da qualidade do ensino.
ODM 3: Promover igualdade de gênero e dar poder às
mulheres
Iniciativa do governo: Criação da Secretaria
Especial de Políticas para Mulheres.
As mulheres estão indo até mais longe que os homens
no acesso à escola, mas ainda é preciso lutar, por exemplo,
pela igualdade de remuneração.
ODM 4: Reduzir a mortalidade das crianças, e
ODM 5: Melhorar a saúde materna.
Iniciativa do governo: Programa de erradicação da
mortalidade materna e neonatal.
ODM 6: Combater o HIV, malária e outras doenças.
Iniciativa do governo: Ações contra hanseníase e
tuberculose.
O Brasil é exemplo no combate à Aids e possui
tecnologia de ponta no tratamento.
ODM 7: Assegurar a sustentabilidade ambiental: terra,
ar, água e saneamento básico.
Iniciativa do governo: Os recursos para área
aumentaram, mas o item de saneamento básico ainda está
muito longe da meta.
ODM 8: Promover uma parceria mundial para o
desenvolvimento.
Iniciativa do governo: O presidente Lula tem
feito uma política externa pedindo o apoio dos países
desenvolvidos aos demais para cumprir as metas.
SERVIÇO
Inscrições para o curso Políticas Públicas e os
Projetos de Desenvolvimento do Milênio, foi iniciada, de 23/09
a 9/12/2004. Serão feitas na Escola de Extensão (EXE) da
UnB (prédio Multiuso I, térreo). Podem participar
estudantes e profissionais de áreas relacionadas ao assunto.
Os seminários são semanais, sempre às 14h30 das
quintas-feiras, no auditório do prédio Multiuso II. O preço
do curso é de R$ 200,00. Quem quiser assistir a apenas um
seminário, cada aula custa R$ 20,00. Outras informações
pelo telefone (61) 347 1400.
UnB Agência
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