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"No governo Lula, os gigolôs se tornaram ainda
mais ousados", Janer Cristaldo.
Janer Cristaldo comenta a ilimitada capacidade governamental
de disperdiçar dinheiro do contribuinte brasileiro, repassando-o
para cineastas oportunistas e movimentos gays
"estatais".
Neste país que se queixa do incentivo à produção nos países
estrangeiros, não passa um santo dia sem que, em algum setor do
mundo dito cultural, alguém esteja pedindo ao governo
"incentivos à cultura".
Leis para isso é o que não falta: lei Rouanet, Lei Mendonça,
lei do Audiovisual, Fazcultura, e por aí vai. Por cultura, de
modo geral, entendem os pedintes espetáculos, filmes ou publicações
ligados ao show business, todos com finalidades lucrativas.
É como se o artista - ou agente cultural, como parece soar
melhor - mandasse um recado ao contribuinte: "em nome da
cultura, me repassa teus impostos, que eu quero passar bem".
Faz bem pouco tempo, o produtor cinematográfico Luiz Carlos Barreto,
o Barretão, chamou de gigolôs da cultura os que se manifestam
contra a lei do Audiovisual.
Não que estes senhores queiram matar a galinha de ovos de
ouro. Querem apenas que seus ovos sigam outro percurso.
Que o dinheiro público não passe pelos caixas das empresas e
que o dinheiro privado surja efetivamente no investimento
cultural. As divergências são apenas quanto ao método de
achacar o contribuinte.
Barretão, ao sentir sua gigolagem ameaçada, vai à luta, em
defesa dos R$ 500 milhões de renúncia fiscal liberados por ano
a sua guilda:
"O cinema é uma indústria que sofre forte pressão
internacional, uma concorrência que dificulta sua auto-sustentação.
E a sobrevivência do cinema é uma questão que envolve a
sobrevivência da sociedade brasileira. A batalha do audiovisual
é hoje a batalha principal do mundo moderno, a defesa dos conteúdos
audiovisuais. O país que não entrar nessa batalha não
sobreviverá como nação", diz.
Traduzindo: o Brasil pode afundar como nação, caso os impostos
que você paga não financiem produções como Dona Flor e seus
dois maridos e Que é isso, companheiro?
Além do mais, Barretão defende os interesses da família.
Seu filho, Bruno Barreto, também precisa viver. Eu, que há
uns bons trinta anos não vejo filme nacional, me penitencio. Sou
um inimigo da nação e da sociedade brasileira.
Não imaginava que do cinema brasileiro dependia a sobrevivência do país.
Fernando Collor de Mello, o Breve, pode não ter agradado as
estruturas nacionais de poder. Mas no dia de sua posse, em 1990,
deu uma grande alegria, não só a mim como a todos os
contribuintes do país: extinguiu a Embrafilme.
De uma penada, acabou com a festa de um setor privado que
adora o conforto garantido com o dinheiro do Estado. Isto é, com
o dinheiro nosso, já que Estado nada produz e nada ganha. Entre
outras, esta terá sido uma das razões de sua queda.
A gigolagem cinematográfica permaneceu quatro anos em jejum,
mas não perdeu a vocação. Em 1994, através da Lei do
Audiovisual, meteram de novo a mão no bolso de quem ganha
honestamente seu sustento.
O mecenato é tão atraente, que até as redes televisivas já
pensam em também meter a mão nesse bolso inexaurível, o do
povo, para produzir suas baixarias.
No governo Lula, os gigolôs se tornaram ainda mais ousados.
Através do decreto 4.945, publicado na calada do último réveillon,
cada uma das 1800 salas de exibição do país deverão dedicar
63 dias de sua programação ao cinema nacional. Em 2003, os dias
de exibição obrigatória eram 35.
A gigolagem conseguiu revogar essa reacionária lei da oferta
e da procura e enfia goela abaixo no espectador seus abacaxis. (O
que sobra do mercado é reserva dos abacaxis americanos.Só por milagre você hoje consegue ver um filme alemão, italiano ou finlandês).
Nem só negros querem cotas. Cineasta também é gente.
No exterior, o presidente arrota a defesa do livre comércio e brande seu tosco verbo contra os incentivos estatais à produção.
Bem entendido, cinema não é o único setor da indústria do
lazer protegido pelo Estado, para usufruto dos amigos do rei.
Neste país que se pretende capitalista, temos o teatro estatal,
o livro estatal, a música estatal. Recentemente, o governo
ressuscitou o projeto Pixinguinha, sepultado na gestão Fernando
Henrique.
Músicos sairão pelo país todo, empurrando suas músicas a
platéias que jamais foram consultadas sobre o que gostariam de
ouvir, mas que pagam compulsoriamente para ouvir o que não
pediram.
A quem beneficia o crime? Aos músicos, é claro.
Não bastasse este obsceno saque, sacramentado por leis
corporativistas, ocorreu em junho/2004, no centro de São Paulo o
insólito em matéria de corrupção estatal.
O centro da cidade foi tomado por uma parada gay, que vem se
repetindo há sete anos. Que os gays façam paradas, até que se
entende, embora particularmente me desagrade todo exibicionismo
sexual nas ruas.
O difícil de entender é que a promoção tenha sido beneficiada
pela Lei do Mecenato do Ministério da Cultura, captando 503 mil
reais, de pessoas físicas e jurídicas, a título de incentivos
fiscais. Já no ano passado, a Associação do Orgulho Gay,
entidade promotora do evento, havia tungado do contribuinte R$
441 mil.
O governo ainda repassou R$ 43 mi do Fundo Nacional de Cultura
para a realização da versão baiana da Parada Gay, realizada em
semanas anteriores em Salvador.
"Não estamos repassando recursos para um movimento
social, mas para um movimento cultural", justificou o
ator e secretário de Identidade e Diversidade Cultural do ministério,
Sérgio Mamberti. "O ministério trabalha com um
conceito ampliado e moderno".
Neste país incrível, homossexualismo é cultura. Mais ainda:
virou questão de Estado. Mais um pouco e teremos a Homobrás. O
homossexualismo é nosso.
Do universo entre as nações, resplandece a do Brasil. Criamos o
gay estatal.
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Ronaldo Drummond dos Santos
Bom Despacho / MG